Por Cássio José*
Essa pergunta é tão antiga quanto a arca de Noé!
Quero esclarecer suas dúvidas a respeito de tais ataques com a própria Palavra
de Deus e as orientações da Igreja. Pegue sua Bíblia e me acompanhe nesse
estudo bíblico:
ESTUDO APOLOGÉTICO (EM DEFESA DA FÉ)
IMAGEM VERSUS ÍDOLO: A IGREJA
CATÓLICA É IDÓLATRA POR TER IMAGENS?
01. PRESSUPOSTOS
INICIAIS.
Há uma grande confusão na cabeça de muitos católicos quando, abordados
por protestantes, eles afirmam que a Igreja Católica é idólatra e que nós já
estamos todos no inferno, por conta de termos imagens em nossos templos. Esse
tem sido um questionamento e estratégia usados por partes dos protestantes para
arrastarem muitos católicos desconhecedores da Palavra de Deus, para suas
denominações. Muitos, dessa forma, têm caído no erro, deixando a única Igreja
fundada por Jesus Cristo, ao acharem que ela é a besta do Apocalipse, que o
Papa é o seu anticristo e que as práticas da Igreja Católica são contrárias ao
que está escrito na Bíblia Sagrada. Tudo pura ilusão e engano!!!
Vejamos uma passagem bíblica, muito usada por eles, para a nossa
reflexão e estudo:
“Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do há em cima no céu,
nem embaixo na terra nem nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante
delas e não lhes prestarás culto”. (Ex 20,4)
A primeira vista, temos a impressão de que de fato existe alguma coisa de
errado em colocar imagens em igrejas e outros lugares. Todavia, quando
examinamos as Sagradas Escrituras e também a prática dos primeiros cristãos
transmitida até os nossos dias, pelo ensinamento da Igreja, encontramos algo
diferente: Deus permitiu em determinados casos o uso de imagens, e nunca a
Igreja Católica levou seus fiéis a adorá-las.
Desde os primeiros séculos dos cristãos (muitos mártires) pintaram e esculpiram
imagens de Jesus, de Nossa Senhora, dos Santos e dos Anjos, inicialmente nas
Catacumbas, não para adorá-las, mas para venerá-las.
As Catacumbas e as igrejas de Roma, dos primeiros séculos, são testemunhas
disso. Só para citar um exemplo, podemos mencionar aqui o fragmento de um
afresco da Catacumba de Priscila, em Roma, do início do século III. É a mais
antiga imagem da Santíssima Virgem, uma das mais antigas da arte cristã, sobre
o mistério da Encarnação do Verbo. O Catecismo da Igreja traz
uma cópia dessa imagem (Ed. de bolso, Ed. Loyola, pág. 19).
Este exemplo mostra que desde os primeiros séculos, como já foi afirmado acima,
os primeiros cristãos já tinham o salutar costume de representar os mistérios
da fé por imagens, ícones ou estátuas.
É o caso de se perguntar, então: Será que foram eles (muitos mártires!)
“idólatras” por cultuarem essas imagens? É claro que não! Eles foram santos,
mártires, derramaram, muitos deles, o sangue em testemunho da fé, exatamente
para não praticarem a idolatria queimando incenso ao deus imperador César.
Seria
blasfêmia acusar os primeiros mártires da fé, de idólatras. Eles fizeram e
pintaram as primeiras imagens.
02. ENTENDENDO O
SIGNIFICADO DE IDOLATRIA: ÍDOLO DIFERENTE DE IMAGEM
Idolatria é formada por duais palavras de origem grega: eidolon (ídolo)
e latreia (adoração). Desse modo, significa que o ídolo é
transformado em objeto de adoração ou morada de uma divindade. Num sentido mais
amplo, também indica outras realidades que acabam ocupando o lugar de Deus:
dinheiro, poder, lazer, pessoa, sexo, status, seita, demônios etc.
O Catecismo da Igreja Católica assim define a idolatria que é pecado contra o
primeiro mandamento:
“O primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige do homem que não
acredite em outros deuses além de Deus, que não venere outras divindades além
da única. A Sagrada Escritura está constantemente a lembrar esta rejeição dos
«ídolos, ouro e prata, obra das mãos do homem, que «têm boca e não falam, têm
olhos e não vêem...». Estes ídolos vãos tornam vão o homem: «sejam como eles os
que os fazem e quantos põem neles a sua confiança» (Sl 115, 4-5.8) (40). Deus,
pelo contrário, é o «Deus vivo» (Js 3, 10) (41), que faz viver e intervém na
história.
A idolatria não
diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação
constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria
desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de
Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do
poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro, etc., «Vós
não podereis servir a Deus e ao dinheiro», diz Jesus (Mt 6, 24). Muitos
mártires foram mortos por não adorarem «a Besta» (42), recusando-se mesmo a
simularem-lhe o culto. A idolatria recusa o senhorio único de Deus; é, pois,
incompatível com a comunhão divina” (CIC, n. 2112-2113).
Há quem confunda imagem com ídolo. Muitas vezes, a palavra imagem é
usada de forma inapropriada. Quando ela tem o sentido de deus, ou quando ela
ocupa o lugar de Iahweh, torna-se ídolo. Além de que a concepção de ídolo leva
em conta que o mesmo possua um espírito. Para os povos vizinhos dos hebreus, os
deuses se manifestavam por intermédio de seus ídolos. Quebrar um ídolo era um
escândalo digno de morte. Para abrandar a ira dos deuses, eram-lhes oferecidos
sacrifícios.
Quantas vezes uma pessoa se escandaliza com o uso das imagens por parte
dos católicos e não percebe a presença da idolatria em sua mente e em seu
coração, influenciando hábitos e costumes a ponto de fazer sombra ao próprio
amor de Deus. Este é o ensinamento de Paulo em Cl 3,5:
“Mortificai,
pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as
paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria”.
A idolatria é um dos mais graves pecados da criatura contra seu criador.
Por quê? Significa a invasão de Deus sobre o mundo, uma diminuição da Sua
glória e de Seu poder.
Comparar a proibição bíblica aos ídolos pagãos com as imagens ou
estátuas usadas Igreja Católica é forçar os textos bíblicos, para levar a
conclusões erradas e pecar contra a verdade. Deus condenou a adoração e o culto
aos deuses pagãos. Em nenhuma Igreja Católica há estátuas ou
imagens de deuses antigos ou novos. Pelo contrário, as estátuas e imagens, em
nossas igrejas, recordam pessoas que realmente existiram, ás quais não se
presta nenhuma adoração. Os santos representam pessoas que, em algum momento da
historia cristã, tornaram conhecido, pelo exemplo de vida e palavras, o Deus
único e verdadeiro. Olhando para as imagens ou estátuas e conhecendo o modo
como praticaram a fé, somos desafiados a dizer: “Se eles e elas puderam viver a
alavra de Deus, eu também posso”.
Até mesmo o nosso dicionário afirma que ídolo, diferenciando-o de
imagem, “é uma estátua cultuada como deus ou deusa; objeto no qual
se julga habitar um espírito”.
(LEXIKON INFORMÁTICA LTDA. Ídolo. In: O dicionário Aurélio eletrônico-século
XXI. Versão 3.0).
“A expressão ‘imagem’ refere-se primeiro à imagem esculpida na
madeira ou talhada na pedra, somente mais tarde também à imagem de fundação (Is
40,19; 44,10)”.
A religião dos judeus acabou proibindo a confecção de ídolos tanto de
pessoas como de animais, apesar de alguns arqueólogos identificarem algumas
imagens em sinagogas dos séculos 3 a 6 d.C. O AT proíbe a confecção
de ídolos de Deus que uma pessoa poderia fabricar para si. O primeiro e o
segundo mandamento não condenam os artistas plásticos da época, muito menos
suas conseqüentes obras de arte. “O que se proíbe, isso sim, é que o homem
fabrique uma imagem de Deus e lhe preste culto”. Em outras palavras, eles
proibiam a confecção de ídolos que uma pessoa pudesse adorar como se fosse um
Deus.
03.O OBJETIVO DA
PROIBIÇÃO DA CONFECÇÃO DE ÍDOLOS
Na Torah, justamente no complemento do mandamento no decálogo e na
introdução do Deuteronômio, é que o objetivo da proibição da confecção de
ídolos fica mais claro. A complementação referida em Ex 20,4: Não farás
para ti imagem esculpida, nem figura alguma do há em cima no céu, nem embaixo
na terra nem nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não
lhes prestarás culto, “enumera os âmbitos dos quais a imagem não
deve ser tomada e estende, com isso, a proibição de imagens expressamente a
todas as esferas do mundo, pois a tripartição circunscreve a totalidade do
mundo” (SCHMIDT,W.H. Opus citatum, 146).
Nesse mesmo sentido, o Deuteronômio destaca ainda o mandamento, quando
proíbe a confecção de qualquer ídolo de homem, mulher ou animal (Dt 4,12-20);
por mais que o Senhor Deus os tenha feito à sua imagem e semelhança.
A BÍBLIA E A QUESTÃO DAS IMAGENS
“Não farás para ti imagem de escultura representando o que quer que seja
do que está em cima no céu, ou embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra.
Não te prostrarás diante delas para render-lhes culto, porque eu, o Senhor, teu
Deus, sou um Deus zeloso, que castigo a iniqüidade dos pais nos filhos, até a
terceira e a quarta geração daqueles que me odeiam”
(Deuteronômio 5, 8-9).
Outras: Lv 19,4; Nm 33,51-52; Dt 4,25-26; 27,14s; Sl 115,4-8; Is 2,20;
31,7... Esta é a proibição de se fabricar imagens esculpidas.
Podemos destacar 2 aspectos principais do porquê de entender as Palavras dessa
passagem bíblia, dentre outras demais, quanto a proibição de se fabricar
imagens:
1. DEUS NUNCA SE REVELOU
DE MODO VISÍVEL, por isso seria difícil representá-lo por meio de alguma figura:
As narrações que aparecem no AT, nos deixa muito claro que Iahweh não
permite que o ser humano o veja face a face, ele foge do olhar das pessoas.
(Conf. Gn 2,21;15,12; Ex 12,22-23; 2Rs 4,4.33)
Além de os homens mais íntimos de Deus, como Moisés (Ex 3,6) e o profeta
Elias (I Rs 19,13), esconderem o seu rosto da presença de Deus, os
próprios serafins (Is 6,2), temem olhar para o rosto glorioso
de Deus e desviam dele o olhar.
Não é possível fazer uma imagem de alguém que não se viu (Dt 4,15-18; Ex
20, 19.22; Dt 4,12; 5,23). Segundo a tradição judaica, qualquer pessoa que
visse a Deus (Iahweh) face a face poderia morrer (Ex 21,19; 33,20; Jz 6,22s;
13,22; Is 6,5; Jr 30,21). Moisés viu Deus, mas pelas costas (Ex 33,23).
2. Além disso,
existia A REALIDADE RELIGIOSA DOS POVOS COM OS QUAIS OS ISRAELITAS
TINHAM CONTATO:
As nações circunvizinhas do povo israelita era politeísta e suas
divindades eram representadas pelas mais diferentes imagens. Deus não queria
ser confundido com nenhuma delas.
Em muitas religiões da Antiguidade, as pessoas acreditavam que as
divindades se revelavam por intermédio de uma presença permanente nos ídolos
que as representavam. Até mesmo os hebreus poderiam cometer tal erro. Muitas
vezes essas religiões “não entendiam as imagens como o lugar onde Deus
reside, mas como o próprio Deus”. (SCHMIDT,W.H. Opus citatum, 146).
É importante não perder de vista o fato de que a proibição diz respeito
a imagens ou estátuas das divindades pagãs ou ídolos, principalmente por se
tratarem de representações de seres humanos que nunca existiram, animais,
astros ou outros elementos da natureza:
“Tende cuidado com a vossa vida. No dia em que o
Senhor, vosso Deus, vos falou do seio do fogo em Horeb, não vistes figura
alguma. Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o
que quer que seja, figura de homem ou de mulher, representação de algum animal
que vive na terra ou de um pássaro que voa nos céus, ou de um réptil que se
arrasta sobre a terra, ou de um peixe que vive nas águas, debaixo da terra.
Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo
o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto
a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que
vivem debaixo do céu.” (Dt 4,15-19).
Mais tarde, por meio dos profetas, foi condenado o culto ou a adoração a
homens vivos, aos quais se atribuía origem divina. Por exemplo, os reis da
Babilônia, os faraós do Egito e mais tarde os imperadores romenos.
Percebemos assim a diferença entre ídolo e imagem.
A idolatria existe quando se atribui a divindade ou poderes sobrenaturais a uma
imagem. O verdadeiro católico sabe que as imagens não têm poderes divinos, nem
virtudes pelas quais devem ser adoradas. O uso de imagens ou estátuas na Igreja
Católica segue a orientação bíblica dada pelo próprio Deus em diversas
ocasiões. Nesses casos o uso era para efeito decorativo e para utilizar a arte
como meio para despertar a atenção para Deus.
O povo de Deus vivia na terra de Canaã, cercado de povos pagãos que
adoravam ídolos em forma de imagens (Baals, Moloc, etc). Era isso que Deus
proibia terminantemente.
A prova de que Deus não condena a fabricação de imagens e sim de ídolos,
é que nós encontramos na Palavra de Deus; onde o próprio Deus, em alguns
momentos da história do povo israelita, dá ordens para que se faça a confecção
de imagens e não de ídolos. Vejamos algumas passagens bíblicas para o nosso
estudo:
-Quando foi construída a arca da aliança, foi dito a Moisés:
“Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois
côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins
de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um
lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as
extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o
alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.
Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te
der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que
estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os
israelitas.” (Êxodo 25,17-22; Ex 37,7; I Rs 6,23; II Cr 3,10).
Observações: A cinco capítulos atrás, Deus já não havia proibido terminantemente a
confecção de imagens esculpidas (Ex 20,4)? Como agora, o mesmo Deus manda
Moisés fazer 2 querubins, ainda mais de ouro? Não seria contradição de Deus?
Além disso, Deus iria falar do meio dos querubins para instruir os israelitas?
Por Que Deus não fala de outro lugar? Tem que ser do meio dos querubins? Ele
não é um Deus invisível?
Outro
exemplo:
“Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido de púrpura
violeta, púrpura escarlate e de carmesim, sobre as quais alguns querubins serão
artisticamente bordados.” (Ver Ex 26, 1-31)
Também recebeu a
ordem de fazer uma serpente de bronze para que os israelitas, ao olharem para
ela, fossem curados do veneno das serpentes:
“E o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e
mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés
fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era
mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida” (Nm 21, 8-9).
Observação: Será que Deus não tinha outra maneira para curar o povo que havia sido
picado por serpentes? Moisés não realizou as dez pragas com o seu cajado? Não
saiu água da rocha com o poder de Deus, através do cajado de Moisés? E o mar
vermelho não foi aberto com o poder de Deus, através do cajado de Moisés? Além
disso, não seria estranho o poder de Deus manifestar o seu poder através de uma
serpente de bronze? Estranhíssimo não???
Davi dá ao seu filho Salomão os planos de Deus para
a construção do Templo Santo de Jerusalém:
“Dentre todos os meus filhos - pois o Senhor me deu muitos - ele
escolheu meu filho Salomão, para fazê-lo assentar sobre o trono do reinado do
Senhor em Israel. É Salomão, teu filho, disse-me ele, que construirá minha casa
e meus átrios, porque eu o escolhi por filho e ser-lhe-ei um pai. do altar dos
perfumes, em ouro fino, com o peso; o modelo do carro, dos querubins de ouro
que estendem suas asas para cobrir a arca da aliança do Senhor. Tudo isso,
disse Davi, todos os modelos destas obras, foi o Senhor quem me ensinou por um
escrito de sua mão. Disse Davi a Salomão, seu filho: Sê forte e, corajosamente,
mete mãos à obra! Não temas nada e não te amedrontes; pois o Senhor Deus, meu
Deus, estará contigo; ele não te desamparará, nem te abandonará até que tenhas
acabado tudo o que se deve fazer para o serviço do templo”. (I Cr
28, 5-6.18-20)
Observação: Temos aqui as ordens dadas pelo próprio Deus para a construção do
Templo de Jerusalém. Era Davi, quem queria construí-lo. Mas, o próprio Deus
manda que seja Salomão. Entendamos: Foi o próprio Deus quem deu todos os
modelos do templo escrito pela própria mão de Deus.
O Templo de Jerusalém, segundo a Palavra de Deus, ficou detalhadamente
decorado com imagens:
“Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que
tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco
côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da
outra. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no
santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas”. (I Rs 6, 23-24.32)
“Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e
querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos
leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões”.
Observação: Temos aqui no Templo de Jerusalém, imagens de querubins, plantas (palmas
e flores), leões, bois... Acaso não são imagens
esculpidas? E Salomão por acaso não conhecia as ordens de Deus da proibição de se
fabricar imagens? Por que Deus não pôs fogo no Templo de Jerusalém por ter
imagens esculpidas?
No templo de
Jerusalém havia uma bacia de bronze para a purificação dos sacerdotes. Nessa
bacia havia 12 imagens de touros:
“Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma
borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua
circunferência media-se com um fio de trinta côvados. Por baixo de sua borda
havia coloquíntidas em número de dez por côvado; elas rodeavam o mar, dispostas
em duas ordens, formando com o mar uma só peça. Este apoiava-se sobre
doze bois, dos quais três olhavam para o norte, três para o ocidente, três para
o sul e três para o oriente. O mar repousava sobre eles, e suas ancas
estavam para o lado de dentro. A espessura do mar era de um palmo; sua borda
assemelhava-se à de um copo em forma de lírio; sua capacidade era de dois mil
batos” (I Rs 7,23-26).
Observação: Salomão pede para Harã (um amigo que faz trabalhos em bronze)
construir dentro do Templo, 12 bois. Era necessário construir um tanque para os
sacerdotes purificarem as mãos e os pés antes de entrar no lugar sagrado, senão
poderiam morrer. Hirão construiu um, que parecia uma piscina (mar de bronze).
Em cada lado, erigiu três imagens de bois. São quatro lados, por tanto, 12
imagens. Neste caso, não se tratava de ídolos. Salomão manda fazer
representações aceitáveis para o culto. Veja também: Ex 20,17-21; II Cr
4,1-5.
04.O CATECISMO DA IGREJA
CATÓLICA ESCLARECE SOBRE A PROIBIÇÃO DE SE FABRICAR IMEGME ESCULPIDA (ÍDOLOS)
Transcrevemos abaixo o texto que está no Catecismo da Igreja Católica
com relação ao primeiro mandamento, no que diz respeito às imagens esculpidas.
Acompanhe:
«Não farás para ti nenhuma imagem esculpida...»
2129. Esta imposição divina comportava a interdição de qualquer
representação de Deus feita pela mão do homem. O Deuteronômio explica: «Tomai
muito cuidado convosco, pois não vistes imagem alguma no dia em que o Senhor
vos falou no Horeb do meio do fogo. Portanto, não vos deixeis corromper,
fabricando para vós imagem esculpida» do quer que seja (Dt 4, 15-16). Quem Se
revelou a Israel foi o Deus absolutamente transcendente. «Ele é tudo», mas, ao
mesmo tempo, «está acima de todas as suas obras» (Sir 43, 27-28). Ele é «a
própria fonte de toda a beleza criada» (Sb 13, 3).
2130. No entanto, já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a
instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo
encarnado: por exemplo, a serpente de bronze a arca da Aliança e os querubins.
2131. Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio
ecumênico, de Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto
dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os
santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.
2132. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro
mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem
remonta ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa
representada». A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa»,
e não uma adoração, que só a Deus se deve:
«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como
realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem
ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se
detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem».
05.A IGREJA CATÓLICA E A
IDOLATRIA
Desde
sua origem a Igreja católica condenou de modo veemente qualquer tipo de
idolatria. Uma das dificuldades do Cristianismo durante o Império romano foi
justamente a sua posição contrária às divindades pagãs e ao culto ao imperador
como sendo deus.
O Cristianismo foi considerado inimigo de Roma, seus seguidores foram
perseguidos. Por causa da fidelidade ao Deus único, revelado por Jesus Cristo,
muitos cristãos forma condenados à morte, os quais formam chamados de mártires.
No século II d.C. começa o costume de celebrar cerimoniais religiosas junto ao
túmulo dos mártires, e de modo especial era celebrado o dia do seu nascimento
para a glória (dies natalis). Esse procedimento era para
manter vivo o testemunho do martírio sofrido pela fidelidade ao Deus vivo e
verdadeiro, que em Jesus Cristo nos salvou.
Uma das provas históricas do culto prestado aos mártires ficou
preservada nas catacumbas de Roma. Eram apenas cemitérios subterrâneos, mas
guardaram um tesouro riquíssimo de pinturas, esculturas e inscrições. Todo esse
patrimônio ajuda-nos a entender os hábitos e costumes dos primeiros cristãos.
As catacumbas são definidas como “o berço do Cristianismo e o arquivo das
origens”.
Nelas não encontramos somente a descrição histórica das perseguições
sofridas pela Igreja primitiva, mas são um dos melhores modos para voltar às
raízes ou origens do Cristianismo. Nos túmulos dos cristãos e mártires
encontram-se inscrições como: “Mártires santos, bons e benditos, ajudai a
Ciríaco”, “Santos Mártires, lembrai-vos de Maria”; “Genciano, fiel em paz...
Que me tuas orações, rogues por nós porque sabemos que estás em Cristo”.
06.CONSIDERAÇÕE FINAIS:
A proibição do Ex 20,4 e do Dt 4,15-16
aplica-se às imagens culturais. Tanto no Êxodo como no Deuteronômio, a
proibição de imagens refere-se às imagens de deuses estrangeiros e não de
qualquer espécie de desenho, pintura ou escultura. Trata-se de ídolos e de
figuras de deuses falsos que tomavam formas de pessoas, animais, astros, etc.
Tanto é assim que o mesmo Deus mandou Moisés fazer uma serpente de
bronze. Essa imagem de serpente era prefiguração de Jesus pregado na cruz: João
3,14-15. Além disso, Deus determinou a Moisés fazer dois querubins para
cobrirem o propiciatório: Ex 25,18-20. Salomão, quando construiu o templo,
mandou fazer também querubins e outras figuras variadas, entre elas leões e
bois: I Re 7,29.
Nem por isso, o templo foi desagrado de Deus. Com essas proibições, Deus
procurava proteger o pequeno povo de Israel, cercado de tantos povos idólatras
e ele mesmo propenso à idolatria, do perigo dessa mesma idolatria. Portanto, ao
recriminar os católicos, os protestantes deveriam primeiramente provar que as
imagens de Jesus Cristo, Maria Santíssima e dos santos são realmente imagens
daqueles deuses estrangeiros. Uma coisa é imagem, outra é ídolo. O mesmo Deus
que proibiu fazer imagens (de ídolos) mandou fazer imagens (não de ídolos),
como a serpente de bronze, os querubins.
07. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz. De 1949 – Por
que sou católico? – 17. ed. Lorena: Cleofas, 2008.
Bíblias usadas:
Ave Maria,
CNBB,
Bília de Jerusalém,
Nova Tradução na Linguagem de Hoje:
Tradução de João Ferreira de Almeida.
Catecismo da Igreja Católica
LIMA, Cleodon Amaral de. A proibição de
fabricar ídolos: estudo exegético de Êxodo 20,1-6 e Deuteronômio 5,5-1 –
1. ed. – São Paulo: Rideel, 2006.
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*Graduado com Licenciatura Plena em Letras – Português pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e Especialista em Língua Portuguesa com Ênfase em Literatura Brasileira pela Universidade da Aldeia de Carapicuíba, FALC. É também graduado em Pedagogia pela Uniderp – Anhaguera. Cursando Especialização em Língua Portuguesa e Filosofia pela FACIBA, Fortaleza. Membro da Renovação Carismática Católica de Camocim, servo do Grupo de Oração Renascer. Faz parte do ministério de Pregação e é Ministro da Palavra da Diocese de Tianguá.
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