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04 janeiro 2022

Qual o significado do nome Yehoshua?

Entenda o que é Yehoshua e a ligação com Jesus neste episódio da série “Na escola de Nazaré”, com Frei Bruno Varriano.

Assista ▶️


Maria, Verdadeira Mãe de Deus


Vejamos como a Santíssima Virgem é realmente Mãe de Deus. Para que uma mulher possa se dizer verdadeiramente mãe, é necessário que outorgue a sua prole, por via de geração, uma natureza semelhante (ou seja, consubstancial) a sua.

Aceita esta óbvia noção de maternidade, não é tão difícil compreender de que modo a Virgem Santíssima possa ser chamada verdadeira Mãe de Cristo, havendo Ela provido a Cristo, por via de geração, uma natureza semelhante a sua, ou seja, a natureza humana.

A dificuldade surge, sem embargo, quando se busca compreender de que modo a Virgem Santíssima pode ser chamada Mãe de Deus, pois não se vê bem, a primeira vista de que modo Deus possa ser aqui gerado. Não obstante isso, se observarmos atentamente a duas fórmulas: Mãe de Cristo e Mãe de Deus. Elas se equivalem, pois significam a mesma realidade e são, por isso, perfeitamente sinônimas.

Mãe de Cristo e Mãe de Deus

Nossa Senhora, com efeito, não é denominada Mãe de Deus no sentido de que houvesse gerado a Divindade (ou seja, a natureza divina do Verbo), e sim no sentido de que gerou segundo a humanidade a divina pessoa do Verbo.

O sujeito da geração e da filiação não é a natureza, mas a pessoa. Agora, a divina pessoa do Verbo foi unida à natureza humana, provida pela Virgem Santíssima, desde o primeiro instante da concepção; de modo que a natureza humana de Cristo não esteve jamais caracterizada, nem inclusa por um instante, pela pessoa personalidade humana, senão sempre subsistiu, desde o primeiro momento de sua existência, na pessoa divina do Verbo. Este e não outro é o verdadeiro conceito da maternidade Divina, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso, em 1431.

Em resumo, Maria concebeu realmente e deu a luz segundo a carne à pessoa divina de Cristo (Única pessoa que há Nele) e, por conseguinte, é e deve ser chamada, com toda propriedade, Mãe de Deus.

A natureza divina

Não importa que Maria não tenha concebido a Natureza divina como tal (tão pouco as outras mãe concebem a alma de seus filhos), já que essa natureza divina subsiste no Verbo eternamente e é, por conseguinte, anterior à existência de Maria.

Ela, sem embargo, concebeu uma pessoa – como todas as mães – e como essa pessoa, Jesus, não era humana, senão divina, segue-se logicamente que Maria concebeu segundo a carne a pessoa divina de Cristo, e é, portanto, real e verdadeiramente Mãe de Deus.

Dado o que acima demonstramos podemos concluir que o dogma da Divina Maternidade compreende que Maria é verdadeira mãe, ou seja, Ela contribuiu na formação da natureza humana de Cristo com todo o que aportam as outras mães na formação do fruto de suas entranhas e que Maria é verdadeira Mãe de Deus, pois concebeu e deu a luz à segunda pessoa da Santíssima Trindade, ainda que não em relação a sua natureza divina.

A primeira alusão à Mãe de Deus nas Escrituras

“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre tua descendência e a descendência dela. Ela te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar dela” (Gen III, 15). A tradição cristã encontrou neste trecho das Escrituras denominado de Protoevangelho, o primeiro traço que serve para designar o Messias e sua vitória sobre o espírito do mal.

Com efeito, Jesus representa eminentemente a descendência da mulher, na luta contra a linhagem da serpente. Se Jesus é assim chamado, não é em virtude do laço remoto que o une a Eva, pois esta não pode transmitir a seus descendentes senão a natureza decaída, ferida, privada da vida divina, mas em razão do laço que o une a Maria, no seio da qual Ele tomou uma humanidade imaculada.

A Escritura nos diz expressamente que Maria é a Mãe de Jesus: “Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo” (Mt, 1, 16). “Estavam junto à cruz de Jesus, sua Mãe …” (Jo. 19,25). “Com Maria, a Mãe de Jesus …” (At. 1, 14). Jesus não é apresentado como concebido pela Virgem (Lc. I, 31) e nascido da Virgem (Lc. II, 7-12).

Jesus é verdadeiro Deus

Mas jesus é verdadeiro Deus, como resulta de seu próprio e explícito testemunho, confirmado por milagres, pela fé apostólica da Igreja, pelo testemunho de São João etc. Para poder negar sua divindade, não há outro caminho senão rasgar todas as páginas do Novo Testamento.

Agora, se Maria é a verdadeira Mãe de Jesus e Jesus o verdadeiro Deus, se segue necessariamente que Maria é a verdadeira Mãe de Deus. São Paulo ensina explicitamente que “chegada à plenitude dos tempos, Deus mandou seu Filho, feito de uma mulher”. (Gal. IV, 4). Por estas palavras, manifesta-se claramente que Aquele que foi gerado desde toda a eternidade pelo Pai é o mesmo que foi depois gerado no tempo pela Mãe; mas aquele que foi gerado desde toda a eternidade pelo Pai é Deus, o Verbo. Portanto, também o que foi gerado no tempo pela Mãe é Deus, o Verbo.

Todavia, mais clara e explícita é a expressão de Santa Isabel. Respondendo à saudação que Maria lhe dirigiu, Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo disse cheia de admiração: “E com me é dado que a Mãe de meu Senhor venha a mim?” (Luc. I, 43).

A expressão meu Senhor é, evidentemente, sinônimo de Deus, já que, em seguida, Isabel diz: “Se cumprirão em Ti todas as coisas que te foram ditas de parte do Senhor”, ou seja, de parte de Deus. Isabel, portanto, inspirada pelo Espírito Santo, proclamou explicitamente que Maria é a verdadeira Mãe de Deus.

Inácio de Almeida

03 abril 2021

Jesus de Nazaré: O Cordeiro que é o Leão!

 

Jesus de Nazaré: O Cordeiro que é o Leão!

Por Cássio José

À luz da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo e tendo como pressuposto a teologia bíblica da cruz, analisada por Joseph Ratzinger, em seu livro Introdução ao Cristianismo,(ver págs. 208-217) podemos declarar que Jesus de Nazaré morreu como cordeiro, mas ressuscitou como o leão. Dessa forma, deixou cruz e túmulo vazios e ocupou o Trono Celeste. Por tanto, Jesus de Nazaré é o Cordeiro que é o Leão.

1. Início de Conversa

As duas figuras são atribuídas a Jesus de Nazaré: cordeiro e leão! Vejamos os pressupostos!

É até estranho rotular o título de cordeiro ao Senhor Jesus já que, muitas vezes, cultivamos apenas os títulos de grandeza e força: Mestre, Deus, Salvador, Rei, etc.

Mas as Escrituras apontam que Jesus de Nazaré em sua crucificação trilhou a postura de cordeiro ao derramar sangue e doar-se livremente e por inteiro.

Veja o que diz Isaías 53, 3 sobre Jesus, o Servo sofredor, quando Ele estava sob o madeiro:

Nem tinha beleza a atrair o olhar, não tinha aparência. Era o mais desprezado e abandonado de todos, homem de sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar.

Em Is 53, 7 a Bíblia vai nos dizer que Jesus foi oprimido, se rebaixou, nem abriu a boca! Como cordeiro levado ao matadouro ou ovelha diante do tosquiador, ele ficou calado, sem abrir a boca.

Durante 03 anos ministeriais, Jesus Cristo arrebatou para si multidões e cumpriu o que diz a Sagrada Escritura acerca o Messias, onde cheio do Espírito Santo traz o Reino de Deus. A gente vê e fica maravilhado ao ler os 04 evangelhos.

Como resumo, podemos trazer o que diz Atos dos Apóstolos 2, 22; 10, 38 sobre o seu ministério messiânico:

Jesus de Nazaré foi um homem credenciado por Deus junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele.

Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Por toda a parte, ele andou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominador pelo diabo; pois Deus estava com ele.

No fim de seu projeto de messiânico, Jesus vai a Jerusalém, morre numa cruz e aparenta fracassar no tocante ao seu ideal. Seus discípulos se dispersam e preferem viver amedrontados e trancados diante desse fato!   

 No entanto, vemos nas Escrituras que a cruz não foi capaz de prendê-lo nem os pregos tiveram força para segurá-lo. O sepulcro também não teve poder suficiente para mantê-lo preso por mais de 03 dias.

Na verdade, Jesus venceu a morte e ressuscitou: Lc 24, 5-6. 34; Jo 20, 6-9; At 13, 32-33; I Cor 15, 3-4; Ap 1, 17-18... Dessa forma, ressuscitado e regressando à direita de Deus, onde exerce senhorio sobre todas as coisas e tornando-se o nosso advogado (16, 19; At 2, 32-36; Fl 2, 6-11; I Jo 2, 1-2), Jesus de Nazaré assume a postura de leão, conforme nos diz Apocalipse 5, 5:

 Então, um dos Anciãos me falou: Não chores! O Leão da tribo de Judá, o descendente de Davi achou meio de abrir o livro e os sete selos.

 

2. Jesus de Nazaré: o Cordeiro de Deus!

Já conhecemos a figura ou terminologia Cordeiro de Deus, da qual o apóstolo São João, é o responsável, pelas Sagradas Escrituras, ao atribuir à pessoa de Jesus de Nazaré tal expressão. Para você ter uma ideia, em Apocalipse, essa palavra é usada 28 vezes (Ap 5, 6a. 6d.7. 8. 12. 13; 6, 1. 12; 7, 9. 10. 14. 17; 8, 1; 13, 8; 14, 1. 4b. 4c. 10; 15, 3; 19, 7. 9; 21, 9. 14. 22. 23. 27; 22, 1. 3)!

Em outros livros do N. T. (como, por exemplo, em Atos e nas cartas de São Pedro) Jesus é comparado ao cordeiro. Em João não! Ele de fato afirma que Jesus de Nazaré é o Cordeiro de Deus!

Vemos exemplo disso claramente em João 1, 29 e 36; quando Jesus está caminhando e João Batista declara para os seus discípulos quem Jesus É o Cordeiro de Deus:

Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo!

 Entendemos a figura do cordeiro atribuída à pessoa de Jesus de Nazaré, sobretudo, quanto à imolação do cordeiro pascal, quando já desde o A.T. no episódio anterior à Travessia do Mar Vermelho, naquela madrugada, os judeus (Cf. em Êxodo 12, 1-14), celebravam na Páscoa, a sua saída do Egito em detrimento à esperança de uma terra onde corre leite e mel.

Para o antigo Israel, o cordeiro identificava-se como o sacrifício, e o sacrifício é uma das formas mais primitivas de adoração¹. Com a construção do Templo de Jerusalém, por volta dos anos 960 a.C., Israel passou a oferecer os sacrifícios cotidianos ao Deus todo-poderoso em ambiente majestoso. Todos os dias, os sacerdotes sacrificavam dois cordeiros, um de manhã e um à noite, para expiar os pecados da nação. O grande dia de sacrifício continuou a ser a festa da Páscoa, quando até dois milhões e meio de pessoas peregrinavam a Jerusalém. Josefo relata que na Páscoa de 70 d. C. – apenas alguns meses antes de os romanos destruírem o Templo e cerca de quarenta anos depois da ascensão de Jesus – os sacerdotes ofereceram mais de um quarto de milhão de cordeiros no altar do Templo – 255.600, para ser exato ².  

Os judeus acreditavam que os rituais feitos com o derramar de sangue dos animais no templo de Jerusalém eram capazes de perdoar os seus pecados. (Hb 9, 21) No entanto, Deus em sua infinita misericórdia envia Jesus de Nazaré para derramar um sangue inocente, puro e sem mancha no alto de uma cruz, pois ele é o verdadeiro Cordeiro de Deus, esse sim, capaz de tirar o pecado do mundo (Rm 3, 25; 5, 9; I Pd 1, 19; 2, 24; Ap 5, 9). 

O sacrifício de Jesus realizou o que todo o sangue de milhões de ovelhas, touros e bodes jamais conseguiu: pois é impossível que o sangue de touros e bodes elimine pecados (Hb 10,4). Jesus foi o único que foi capaz de abolir o pecado com o seu próprio sacrifício (Hb 9, 26). A teologia católica nos ensina que na cruz, Jesus foi a vítima, o sacerdote e o altar ao mesmo tempo!

Joseph Ratzinger, atual Papa emérito Bento XVI, analisa a cruz diferente do que os judeus a viram em sua época. Sabemos a cruz era sinal de salvação. Ratzinger traz um entendimento de teologia bíblica da cruz. Entendamos:

Em muitas religiões pagãs antigas, era o homem que procurava a Deus para a reconciliação com diversos sacrifícios e práticas ritualísticas, pois elas sugerem um sentimento de culpa do home em relação a Deus. No Cristianismo temos o inverso: é Deus que se dirige com seus dons ao homem: Deus em Cristo reconciliava o homem consigo (2 Cor 5,19).³

            De fato, lemos na Bíblia essa atitude maravilhosa da parte de Deus:

Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados. O pai enviou seu Filho como salvador do mundo.  

(I João 4, 10.14)

No parágrafo 608 do Catecismo da Igreja Católica a fé cristã professa que:

 Jesus de Nazaré é o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel por ocasião da primeira páscoa (Jo 19, 32; I Cor 5, 7).

            Para concluirmos esse entendimento, podemos pegar o comentário exegético da Bíblia Teb de estudo acerca de João 1, 29 quando trata de Jesus de Nazaré como o Cordeiro de Deus. Observe:

O texto evoca a morte expiatória de Jesus, amalgando duas imagens tradicionais: por um lado, a do servo sofredor (Is 52, 13-53,12) que assume os pecados da multidão e que, inocente, se oferece como cordeiro; por outro lado a do cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel (Ex 12, 1-28; Jo 19, 14. 36; I Cor 5,7; Ap 5, 6.12)

Foi dessa maneira (ver Jo 3, 16-21; Ef 2, 4-5; I Jo 4, 10.14), como nos diz Joseph Ratzinger, nosso Papa emérito Bento XVI, quando ainda era cardeal, no seu livro Introdução ao Cristianismo, pág. 209: A cruz representa nela a radicalidade do amor que se entrega sem reservas.

 

3. Jesus de Nazaré é o Leão da tribo de Judá

            Sabemos pelo contexto histórico (até o dia de hoje ninguém foi capaz de encontrar o corpo morto de Jesus de Nazaré em algum túmulo) e pelo registro das Sagradas Escrituras (Ex.: Mc 16, 6; II Cor 5, 14-15; I Ts 4, 14; I Pd 1,3), sobretudo no final de cada um dos quatro evangelhos (Mt 28, Mc 16, Lc 24, Jo 20) que Jesus de Nazaré não foi vencido pela morte.

Veja o que o próprio Jesus disse em Apocalipse 1, 17-18:

Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da Morte e do Hades.

De fato, o anjo disse que não havia necessidade deles procurarem dentre os mortos aquele que estava vivo (Lc 24, 5-6). A morte não teve poder sobre a vida de Jesus, pois ela foi tragada pela vitória e perdeu o seu grilhão (I Cor 15, 54-55).

O evento histórico e transcendente da Ressurreição do Senhor se dá num desfecho muito claro: o túmulo vazio, a ausência do corpo, as aparições (como ressuscitado) com o corpo glorificado, a subida à direita de Deus...

No livro de Atos dos Apóstolos, mesmo em meio às perseguições sofridas por cauda do anúncio do Reino de Deus, os apóstolos nunca desanimavam por que sabiam que pregaram um Nome que está vivo e tem poder de ação no meio deles.

O fato é que Jesus de Nazaré foi capaz de anular o documento de maldição e condenação eterna que pesava sobre nós ao derramar seu sangue na cruz (Cl 2, 14-15). Foi também na cruz que Jesus de Nazaré nos justificou com o seu sangue, transferindo-nos de um império das trevas para o seu reino, onde recebemos a redenção e o perdão dos pecados (I Cor 6, 11; Cl 1, 13-14).

Já no A.T. vemos alusão à ressurreição do Senhor: Forte como a morte é o amor! (Ct 8,6).  

            Todas essas reflexões nos fazem defender que após a ressurreição Jesus assume a figura de um leão. Os cordeiros não são fortes, nem espertos, sagazes ou graciosos. Jesus O foi assim na cruz! Mas, os leões são majestosos, fortes e ágeis. Ninguém mexe com o rei dos animais. Jesus também O foi ao assumir a realeza, a glorificação, o senhorio de todo o universo, a majestade divina.

Veja: muitos cristãos gostam de ver Jesus apenas como o leão. Já outros cristãos veem Jesus apenas como o cordeiro. Mas, na verdade, Jesus é os dois ao mesmo tempo. Por isso que o título deste estudo é Jesus de Nazaré é o Cordeiro que é o Leão! Não haveria problema algum dizermos que Jesus de Nazaré é o cordeiro e o leão. Mas, para além disso, Jesus de Nazaré é o cordeiro que é o leão. O cordeiro é o leão e o leão é o cordeiro! Jesus de Nazaré é o cordeiro que é o leão.

4. Considerações Finais:

É engraçado, e já dissemos isso aqui, que só em Apocalipse, por exemplo, João afirma 28 vezes que Jesus de Nazaré é atribuído à figura de um Cordeiro! Só que podemos fazer, de forma resumida, 02 observações em Apocalipse, acerca desse cordeiro apontado por João:

·        O cordeiro governa e ocupa o trono de Deus (Ap 22,3);

·        É o cordeiro quem lidera um exército de centenas de milhares de homens e anjos, e acende o medo no coração dos ímpios (Ap 6, 15-16).

Ou seja: o texto bíblico chama Jesus de cordeiro, mas esse cordeiro se comporta como leão! Sejamos bem honestos: ocupar trono e liderar um exército de centenas de milhares de homens parece mais atribuição de um leão do que de um cordeiro. No entanto, Jesus foi até a cruz como o cordeiro de Deus e não como um leão. Após a ressurreição de Jesus de Nazaré, e tendo entendimento acerca das realidades da Parusia, é que o Apocalipse chama Jesus de Leão da tribo de Judá (Ap 5, 5).

Concluo dizendo que Jesus morre como o cordeiro de Deus, mas ressuscita como o leão da tribo de Judá. A cruz e o túmulo estão vazios, mas o trono está ocupado pelo Rei e Senhor do Universo: Jesus de Nazaré que é Cordeiro que é o Leão.

Graça e Paz de Cristo Jesus!

Cássio José, seu irmão remido pelo cordeiro.

 

5. Fontes e Referências:

1: O banquete do cordeiro, Scott Hahn, pág. 32.

2: O banquete do cordeiro, Scott Hahn, págs. 36 e 37.

3: Introdução ao Cristianismo: Joseph Ratzinger, páginas 208 a 2017.

Bíblias e livros usados:

Bíblia CNBB;

Bíblia Teb de Estudo;

Bíblia de Jerusalém;

Catecismo da Igreja Católica;

O Banquete do Cordeiro, Scoot Hahn;

Introdução ao Cristianismo, Joseph Ratzinger.

20 fevereiro 2021

A eficácia do jejum em nossa vida de oração

O jejum traz mais eficácia a nossa oração

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

A Igreja chama o jejum, a esmola e a oração de “remédios contra o pecado”, pois, cada uma dessas atividades, a seu modo, ajudam-nos a vencer o maior mal deste mundo, que é o pecado. A oração nos fortalece em Deus; a esmola (obras de caridade) “cobre uma multidão de pecados”; e o jejum fortalece o nosso espírito contra as tentações da carne e do espírito, nos liberta e abre para os valores superiores da alma.

O jejum fortalece o nosso espírito contra as tentações da carne e do espírito

“Ordenai um jejum” (cf. Jl 1,14). São as palavras que ouvimos na primeira leitura da Quarta-feira de Cinzas, quando começa a Quaresma. O jejum, no tempo quaresmal, é também a expressão da nossa solidariedade com Cristo, preso, torturado, flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte, crucificado e morto.

Ao jejuar, devemos concentrar-nos não só na prática da abstenção do alimento ou das bebidas, e sim no significado mais profundo dessa prática. O alimento e as bebidas são indispensáveis para o homem viver, disso se serve e deve servir-se, mas não lhe é lícito abusar, seja da forma que for. O jejum tem como finalidade nos levar a um equilíbrio necessário e ao desprendimento daquilo que podemos chamar de “atitude consumística”, característica da nossa civilização.

Satisfação e prazer momentâneo

O homem orientado para os bens materiais, muitas vezes, abusa deles. Hoje, busca-se, acima de tudo, a satisfação dos sentidos, a excitação que disso deriva, o prazer momentâneo e a multiplicidade cada vez maior de sensações. E isso acaba gerando um vazio no coração do homem moderno; pois sem Deus ele não pode se satisfazer. O barulho do mundo e o prazer das criaturas não conseguem preencher o seu coração.

A criança hoje (e também muitos adultos) vive de sensações, procura sensações sempre novas… E torna-se assim, sem se dar conta, escrava desta paixão atual; a vontade fica presa ao hábito, a que não sabe se opor.

A força do jejum em nós

O jejum nos ajuda a aprender a renunciar a alguma coisa. Ele nos faz capazes de dizer “não” a nós mesmos, e nos abre aos valores mais nobres de nossa alma: a espiritualidade, a reflexão, a vontade consciente. Essa prática nos coloca de pé e de cabeça para cima. Há muitos que caminham de cabeça para baixo; isso acontece quando o corpo comanda o espírito e o esmaga. É o prazer do corpo que o comanda e não a vontade do espírito.

É preciso entender que a renúncia às sensações, aos estímulos, aos prazeres e ainda ao alimento ou às bebidas, não é um fim em si mesmo, mas apenas um “meio” que deve apenas preparar o caminho para conquistas mais profundas. A renúncia do alimento deve servir para criar em nós condições para podermos viver os valores superiores. Por isso o jejum não pode ser algo triste, enfadonho, mas uma atividade feliz que nos liberta.

Os Padres da Igreja davam grande valor ao jejum. Diz, por exemplo, São Pedro Crisólogo (451): “O jejum é paz do corpo, força dos espíritos e vigor das almas” e ainda: “O jejum é o leme da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo” (Sermão VII: sobre o jejum, 3.1).

Santo Ambrósio (397) diz: “A tua carne está-te sujeita (…): Não sigas as solicitações ilícitas, mas refreia-as algum tanto, mesmo no que diz respeito às coisas lícitas. De fato, quem não se abstém de nenhuma das coisas lícitas, está também perto das ilícitas” (Sermão sobre a utilidade do jejum, III. V. VII). Até escritores que não pertencem ao Cristianismo declaram a mesma verdade. Esta é de alcance universal. Faz parte da sabedoria universal da vida.

O Mahatma Gandhi dizia: “O jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera”. “Cada jejum é a oração intensa, purificação do pensamento, impulso da alma para a vida divina, a fim de nela se perder”. “O jejum é para a alma o que os olhos são para o corpo”. (Toschi, Tomas Gandhi mensagem para hoje, Editora mundo 3, pag. 97, SP, 1977).

O jejum confere à oração maior eficácia. Por ele o homem descobre, de fato, que é mais “senhor de si mesmo” e que se tornou interiormente livre. E se dá conta de que a conversão e o encontro com Deus, por meio da oração, frutificam nele.

Assim, essa atividade não é algo que sobrou de uma prática religiosa dos séculos passados, mas é também indispensável ao homem de hoje, aos cristãos do nosso tempo.

O que diz a Bíblia?

Bíblia recomenda muito o jejum, tanto o Antigo como o Novo Testamento; Jesus o realizou por quarenta dias no deserto antes de enfrentar o demônio e começar a vida pública; e muito o recomendou. “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” (Mt 17,20).

“Boa coisa é a oração acompanhada de jejum, e a esmola é preferível aos tesouros de ouro escondidos” (Tb 12,8).

O nosso jejum deve ser acompanhado de mudança de vida, de conversão, de arrependimento dos pecados e volta para Deus. O profeta Isaías chamava a atenção do povo para isso:

“De que serve jejuar, se com isso não vos importais? E mortificar-nos, se nisso não prestais atenção? É que no dia de vosso jejum, só cuidais de vossos negócios, e oprimis todos os vossos operários”. Passais vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz. O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor? Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? – diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo” (Is 58,3-6).

Cada um de nós tem a própria individualidade; por isso, cada um deve realizar a forma de jejum que mais lhe seja adequada. Este livro prático do monsenhor Jonas Abib, sobre o jejum, ajudará você a buscar a forma correta de viver esta prática espiritual tão importante.


Fonte: Canção Nova, Prof. Felipe Aquino.

22 novembro 2020

INTERPRETAÇÃO DAS SAGRADAS ESCRITURAS NA PERSPECTIVA DA IGREJA CATÓLICA.

 Formação ministrada para os pregadores da Diocese de Tianguá em 20 de outubro de 2020, através da plataforma Google Meet.

1.      Pressupostos Iniciais.



Temos visto nos dias de hoje um verdadeiro comportamento desonesto no que se trata de interpretação das Escrituras Sagradas. Ao seu próprio bel prazer, muitos usam e deturpam das Escrituras para incluir em suas mensagens conteúdos que nunca foi inspiração do Espírito Santo e também defesa de teses distorcidas do que o próprio texto sagrado traz. Desta forma, sua hermenêutica está muito distante do que foi concepção da própria essência das Sagradas Escrituras.

Tendo isso como pressuposto, achamos por bem tomar o que o próprio Catecismo da Igreja Católica e documentos como a Dei Verbum nos diz para esboçarmos a formação de hoje.

A Pontifícia Comissão Bíblica do Vaticano, no seu pronunciamento documental, intitulado por A Interpretação da Bíblia na Igreja, afirma que a própria Bíblia contém textos compreensíveis, mas também textos de difícil compreensão. E o problema da interpretação da Bíblia não é dos tempos modernos como muitos pensam.   

2. O que a própria Bíblia diz sobre a Interpretação Bíblica 

A Bíblia mesma atesta que sua interpretação apresenta dificuldades. Ao lado de textos límpidos, ela comporta passagens obscuras. Lendo certos oráculos de Jeremias, Daniel se interrogava longamente sobre o sentido deles (Dn 9,2). Segundo os Atos dos Apóstolos, um etíope do primeiro século encontrava-se na mesma situação a propósito de uma passagem do livro de Isaías (Is 53,7-8) e reconhecia ter necessidade de um intérprete (At 8,30-35). A segunda carta de Pedro declara que « nenhuma profecia da Escritura resulta de uma interpretação particular » (2 Pd 1,20) e ela observa, de outro lado, que as cartas do apóstolo Paulo contêm « alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes torcem, como fazem com as demais Escrituras, para sua própria perdição » (2 Pd 3,16). 

A Igreja ao longo dos tempos educou o seu povo quanto à interpretação da Bíblia. Muitos métodos científicos de interpretação surgiram. O grande problema é que esses métodos eram contrários à Doutrina Cristã. Mas uma evolução positiva surgiu, marcada por uma série de documentos pontifícios, desde encíclica Providentissimus Deus de Leão XIII (18 novembro 1893 até a encíclica Divino afflante Spiritu de Pio XII (30 setembro 1943), e ela foi confirmada pela declaração Sancta Mater Ecclesie (21 abril 1964) da Pontifícia Comissão Bíblica e sobretudo pele Constituição Dogmática Dei Verbum do Concilio Vaticano II (18 novembro 1965).

Apesar de numerosos cristãos julgarem deficiente do ponto de vista da fé e em discussão, o método científico mais divulgado para o estudo e a interpretação bíblica é o que se chama de método histórico-crítico. Ele é praticado na exegese, inclusive na exegese católica. Como o seu próprio nome indica, esse método se atenta com a evolução histórica dos textos ou das tradições através dos tempos.

            Vemos muitos espetáculos no âmbito do Cristianismo pelo fato de terem incoerência de interpretação bíblica. Isso faz com que o povo de Deus não acolha a genuína mensagem da salvação em detrimento de vãs, falsas e mentirosas pregações que passam longe de serem bíblicas ou cristãs. O Documento do Vaticano Interpretação da Bíblia na Igreja aponta alguns problemas dessa prática:

* Procura na Bíblia de um Cristo pessoal;

* Satisfação da religiosidade espontânea ou coletiva;

* Leitura dita espiritual, guiada unicamente pela inspiração pessoal subjetiva e que alimente esta inspiração pessoal e subjetiva;

Numerosas seitas porpõe como única verdadeira uma interpretação da qual elas afirmam terem tido a inspiração. 

De antemão, vale a pena ressaltarmos e seguirmos o que nos diz a Dei Verbum, n. 12 sobre a Interpretação da Sagrada Escritura: 

Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana, o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras.  

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os «gêneros literários». Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de gêneros histéricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de fato exprimiu servindo se os gêneros literários então usados. Com efeito, para entender retamente o que autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então.

Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita, não menos atenção se deve dar, na investigação do reto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura, tendo em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé. Cabe aos exegetas trabalhar, de harmonia com estas regras, por entender e expor mais profundamente o sentido da Escritura, para que, mercê deste estudo de algum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus.

3. Alguns pontos importantes no Catecismo da Igreja Católica: parágrafos 109 a 119: O Espírito Santo, intérprete da Escritura e os Sentidos da Escritura.

 

 O ESPÍRITO SANTO, INTÉRPRETE DA ESCRITURA: Parágrafos 109 a 114.

109. Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Portanto, para bem interpretar a Escritura, é necessário prestar atenção ao que os autores humanos realmente quiseram dizer, e àquilo que aprouve a Deus manifestar-nos pelas palavras deles (DV 12). 

110. Para descobrir a intenção dos autores sagrados, é preciso ter em conta as condições do seu tempo e da sua cultura, os «gêneros literários» em uso na respectiva época, os modos de sentir, falar e narrar correntes naquele tempo. «Porque a verdade é proposta e expressa de modos diversos, em textos históricos de vária índole, ou proféticos, ou poéticos ou de outros gêneros de expressão» (DV 12).

111. Mas, uma vez que a Sagrada Escritura é inspirada, existe outro princípio de interpretação reta, não menos importante que o anterior, e sem o qual a Escritura seria letra morta: «A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita» (DV 12). 

O Concílio do Vaticano II indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme ao Espírito que a inspirou (DV 12):

112. 1. Prestar grande atenção «ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura». Com efeito, por muito diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una, em razão da unidade do desígnio de Deus, de que Jesus Cristo é o centro e o coração, aberto desde a sua Páscoa (df. Lc 24, 25-27.44-46). 

«Por coração (Sl 22,15) de Cristo entende-se a Sagrada Escritura que nos dá a conhecer o coração de Cristo. Este coração estava fechado antes da Paixão, porque a Escritura estava cheia de obscuridades. Mas a Escritura ficou aberta depois da Paixão e assim, aqueles que desde então a consideram com inteligência, discernem o modo como as profecias devem ser interpretadas» (São Tomás de Aquino, Expositio in Psalmos, 21,11).

113. 2. Ler a Escritura na «tradição viva de toda a Igreja». Segundo uma sentença dos Padres,«Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta» – «A Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em instrumentos materiais» (cf. Santo Hilário de Poitiers, Liber ad Constantium Imperatorem 9: CSEL 65,204; São Jerônimo, Commentarius in epistulam ad Galatas I 1,11-12: PL 26,347). Com efeito, a Igreja conserva na sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura («secundum spiritualem sensum quem Spiritus donat Ecclesiae» «segundo o sentido espiritual que o Espírito Santo dá à Igreja») (Orígenes, Homiliae in Leviticum 5,5: SC 286,228).

114. 3. Estar atento «à analogia da fé» (cf. Rm 12,6). Por «analogia da fé» entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação. 

v  OS SENTIDOS DA ESCRITURA: Parágrafos 115 a 119.

115. Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, subdividindo-se este último em sentido alegórico, moral e anagógico. A concordância profunda dos quatro sentidos assegura a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja: 

116. O sentido literal. É o expresso pelas palavras da Escritura e descoberto pela exegese segundo as regras da reta interpretação. «Omnes sensus fundantur super litteralem» – «Todos os sentidos (da Sagrada Escritura) se fundamentam no literal» (São Tomás de Aquino, Summa theologiae I, q.1, a.10, adI).

117. O sentido espiritual. Graças à unidade do desígnio de Deus, não só o texto da Escritura, mas também as realidades e acontecimentos de que fala, podem ser sinais.

1. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos, reconhecendo o seu significado em Cristo: por exemplo, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo e, assim, do Batismo (cf. 1Cor 10,2). 

2. O sentido moral. Os acontecimentos referidos na Escritura podem conduzir-nos a um comportamento justo. Foram escritos «para nossa instrução» (1Cor 10,11; cf. Hb 3-4,11).

3. O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos no seu significado eterno, o qual nos conduz (em grego: «anagoge») em direção à nossa Pátria. Assim, a Igreja terrestre é sinal da Jerusalém celeste (cf. Ap 21,1-22,5). 

118. Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos:

 

«Littera gesta docet, quid credas allegoria.

Moralis quid agas, quo tendas anagogia».

 

«A letra ensina-te os fatos (passados), a alegoria o que deves crer,

a moral o que deves fazer, a anagogia para onde deves tender» (Agostinho de Dácia, Rotulus pugillaris, I).


119. «Cabe aos exegetas trabalhar, de harmonia com estas regras, por entender e expor mais profundamente o sentido da Sagrada Escritura, para que, mercê deste estudo, de algum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a Palavra de Deus» (DV 12):

«Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas» – «Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica» (Santo Agostinho, Contra Epistulam Manichaei quam vocant fundamenti 5,6: CSEL 25,197).


BIBLIOGRAFIA 

(Observação: Não está de acordo com as normas da ABNT)

 

  Bíblias: Ave Maria, CNBB, Pastoral, Bíblia de Jerusalém e Bíblia TEB de Estudo;

  Carta Encíclica Divino Afflante Spiritu do Papa Pio XII;

  Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina;

  Documento do Vaticano A Interpretação da Bíblia na Igreja.

26 março 2020

Como entender o livro de Apocalipse ?


É um livro bastante enigmático e difícil de ser entendido, e que pode gerar muitos erros de interpretação como já ocorreu muitas vezes na história da Igreja se não observarmos com cuidado como a Igreja o interpreta. O imperador romano Domiciano (81-96) moveu forte perseguição aos cristãos, tendo deportado São João, que era o bispo de Éfeso, para a ilha de Patmos.
de sua vida, por volta do ano 100, sob a forma de uma carta escrita às Igrejas da Ásia menor, que viviam tempos difíceis de perseguição romana.
Ao mesmo tempo os cristãos eram hostilizados pelo judeus e aguardavam a volta de Cristo, que não acontecia, para livrá-los de todos os males. Foi neste contexto que o Apóstolo escreveu o Apocalipse para confortar e animar os cristãos das já inúmeras comunidades da Ásia Menor. Apocalipse, em grego “apokálypsis” (revelação), era um gênero literário que se tornou usual entre os judeus após o exílio da Babilônia (587-535 a.C.), e descreve os fins dos tempos onde Deus vai julgar os homens. Essa intervenção de Deus abala a natureza (fenômenos cósmicos), com muita simbologia e números. O Apocalipse não pretende dar uma descrição antecipada dos acontecimentos do futuro, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes; e tudo é feito com uma linguagem intencionalmente figurada para despertar a atenção do leitor, que estava acostumado ao gênero apocalíptico usado pelos judeus.
        Alguns símbolos tem significado preciso: o Cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a Igreja ou a Virgem Maria; o dragão, as forças hostis ao reino de Deus; as duas feras (cap.13), o império romano e o culto imperial; a fera (cap.17), simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número três e meio, coisa nefasta ou caduca. Mas esses símbolos não são exclusivos; o Cristo é, às vezes representado como “filho do homem” ou cavaleiro. O Apocalipse é uma revelação sobrenatural, velada, sob símbolos, representando tanto o passado, quanto o presente da Igreja, e também o futuro. Se refere a um período indefinido que separa a Ascensão de Cristo de sua volta gloriosa.
       Deixa claro da impossibilidade de escapar à luta e ao sofrimento, às perseguições e ao fracasso aparente no plano terrestre, à realidade da salvação que lhe será concedida no meio de suas obrigações, e à vitória final, que é obra de Cristo ressuscitado que venceu o pecado e a morte.
A mensagem principal do livro é que Deus é o Senhor da História dos homens, e no final haverá a vitória dos justos, em que pese o sofrimento e a morte. Mostra a vida da Igreja na terra como uma contínua luta entre Cristo e Satanás, mas que no final haverá o triunfo definitivo do Reino de Cristo, triunfo que implica na ressurreição dos mortos e renovação da natureza material. As calamidades que são apresentadas não devem ser interpretadas ao pé da letra. Deus sabe e saberá tirar de todos os sofrimentos da humanidade a vitória final do Bem sobre o Mal.

Nesse vídeo curto faço algumas considerações gerais acerca do livro de Apocalipse:
A Sagrada Escritura é composta por vários gêneros em seus livros: genealogias, provérbios, orações, salmos, sermões, parábolas, oráculos,... No caso do Apocalipse, escrito no contexto de perseguição na época da Igreja Primitiva quando o Senhor deseja revelar aos seus servos coisas que estão por vir e ao mesmo tempo há da parte de Deus, o desejo de confortar os cristãos perseguidos das igrejas cristãs da Ásia Menor.

24 março 2020

Introdução ao estudo das Sagradas Escrituras (Parte 01): Noções gerais, Divisão Bíblica e o Cânon Bíblico


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Olá irmãos! Graça e Paz a todos vocês!

A intenção desse estudo é apenas proporcionar algumas informações mais relevantes para aquilo que se diz sobre a Palavra de Deus! Talvez muita coisa que você lerá aqui já deve ter visto na Catequese, Crisma ou mesmo no processo formativa da Renovação Carismática Católica! Mesmo assim, vamos lá!

1. Noções Gerais.

Salmo 118, 105 nos diz: Tua Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho.

        De fato, a Sagrada Escritura é para nós cristãos e para todos aqueles que assim desejarem, LUZ para os nosso pés, para o nosso caminho, para as nossas tomadas de decisões, para as nossas escolhas e opções! Neste mundo perverso como nos alerta São Pedro (Atos 2, 40), que é trevas e que está sob o controle do Maligno (I João 5, 19) necessitamos da direção celeste que é luz para nós!

Em Hebreus 4, 12-13 a Bíblia nos diz:

Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.

       É assim a ação da Palavra de Deus, sob a direção do Espírito Santo: alcança o alvo, entra no coração, conhece os segredos mais íntimos e distantes do coração humano e nos faz tomar a decisão ou não pelo Senhor!

   O apóstolo Paulo nos traz uma realidade que ele vivenciou para com Timóteo, diante do conhecimento das Sagradas Escrituras que vale a pena conhecermos a sua finalidade e sua função para o cristão. Está em II Timóteo 3, 14-17:

Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e creste. Sabes de quem aprendeste. E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo.Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.
Aqui vale a pena fazer algumas observações:

  • O objetivo da Sagrada Escritura é trazer o conhecimento da pessoa de Jesus Cristo que salva o homem;
  • A inspiração das Sagradas Escrituras NÃO É HUMANA, MAS DIVINA: DEUS É O SEU AUTOR ATRAVÉS DO ESPÍRITO SANTO;
  • A Bíblia tem algumas utilidades importantíssimas: ensinar, repreender, corrigir e formar na justiça;
  • Com o conhecimento das Sagradas Escrituras os homens de Deus estão capacitados para a prática das boas obras.
      A palavra BÍBLIA que damos a esse conjunto de livros (Antigo e Novo Testamento), é um substantivo grego plural (BÍBLOS) que significa LIVROS. De fato, a Bíblia é uma verdadeira biblioteca para nós cristãos!

       Na própria Sagrada Escritura, temos algumas expressões, termos ou nomenclaturas que se referem a ela (Lc 4,16-21; Hb 4, 12; II Pedro 1, 20-21; Mt 7, 12; Josué 1,8): SAGRADA ESCRITURA, ESCRITURAS, PALAVRA DE DEUS, A LEI E OS PROFETAS, LIVRO DIVINO, LIVRO DA LEI, LIVROS SAGRADOS, ...
        A nomenclatura ou expressão BÍBLIA para o livro que hoje todos nós cristãos chamamos a este livro sagrado que usamos foi criada pela Igreja Católica. Quem usou ela primeira vez a palavra BÍBLIA para se referir às Sagradas Escrituras foi São João Crisóstomo (santo católico!), no século IV d. C.
      Quando a Sagrada Escritura foi escrita, não havia papel como hoje, muito menos as máquinas, impressoras ou computadores. A Sagrada Escritura foi primeiramente vivenciada pelo povo eleito para depois ser escrita! Ela foi escrita a mão, e em diversos materiais, como a cerâmica, o papiro e o pergaminho.

2. Divisão Bíblica (Organização da Sagrada Escritura)


A Bíblia é formada pelos seguintes livros:
  • Antigo Testamento: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes (ou Coélet), Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
  • Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos dos Apóstolos, Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filêmon, Hebreus, Tiago, 1 Pedro, 2 Pedro, 1 João, 2 João, 3 João, Judas e Apocalipse.
Portanto, o Antigo Testamento é formado por 46 livros e o Novo Testamento reúne 27 livros.

A Bíblia foi escrita em três línguas diferentes: o hebraico, o aramaico e o grego (Koiné). Quase a totalidade do Antigo Testamento foi redigida em hebraico, embora existam algumas palavras, trechos ou livros em aramaico e grego. Quanto ao Novo Testamento, este foi completamente redigido em grego - a única exceção parece ser o livro de Mateus, originariamente escrito em aramaico, contudo esse original foi perdido de maneira que resta-nos hoje a versão em grego.

3. O cânon bíblico

       Quantas vezes você já ouviu de algum protestante a afirmação de que a Igreja Católica teria acrescentado vários livros apócrifos à Bíblia durante o Concílio de Trento, no séc. XVI? Quando eles falam isso, estão querendo se referir a sete livros do Antigo Testamento que não se encontram em suas bíblias: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e os dois livros dos Macabeus (além de alguns trechos dos livros de Daniel e Ester). Porém, a própria História - que é imutável - desmente tal argumento, vistos os testemunhos abaixo:
  • "Cânon 36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12" (Concílio de Hipona, 08.Out.393).

  • "Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).

  • "Tratemos agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué, um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis13, dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó, um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João. [Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus, uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo, uma; do outro João presbítero, duas14; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no Concílio de Roma de 382)

  • "Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João" (papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta "Consulenti Tibi" a Exupério, bispo de Tolosa).

  • "Devemos agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica universalmente aceita e o que deve ser evitado: (1) Começa a ordem do Antigo Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um do Deuteronômio, um de Josué (filho de Nun), um dos Juízes, um de Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 Salmos, três livros de Salomão (um dos Provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. (2) A ordem dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas Lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. (3) A ordem dos livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite e dois dos Macabeus. (4)A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a Santa e Católica Igreja Romana aceita e venera são: quatro livros dos Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas aos Tessalonicenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas epístolas do outro João (presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)" (papa S. Gelásio, ~495; Decreto Gelasiano; repetido em 520 pelo papa S. Hormisdas. Seguido também pelo Concílio Ecumênico de Florença15 [1438-1445], e novamente ratificado pelos Concílio de Trento16 [1546-1563] e Vaticano I [1870])).

  • Outras Fontes:
    Concílio Regional de Trulos, realizado no ano 692.
    Catecismo da Igreja Católica.
1Trata-se dos dois livros de Samuel (1Rs/2Rs) e os dois livros de Reis (3Rs/4Rs).
2Isto é, os dois livros das Crônicas (1Cr/2Cr).
3Ou seja: Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
4A saber: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
5Incluindo as "Lamentações" e "Baruc", segundo a Septuaginta.
6Isto é, o livro de Esdras e o livro de Neemias.
7Mateus, Marcos, Lucas e João.
8Aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, a Tito e a Filemon.
9Curiosa distinção resultada, provavelmente, dos escrúpulos que a Igreja Africana tinha a respeito da autenticidade literária paulina dessa epístola.
10Percebe-se, assim, que o cânon coincide perfeitamente com o cânon definido pelo Concílio de Trento.
11Trata-se da Igreja de Roma.
12Alusão ao culto dos santos mártires.
13Os Concílios regionais de Cartago simplesmente repetem, com as mesmas palavras, o conteúdo do cânon 36 do Concílio regional de Hipona. A diferença está somente na conclusão.
14Interessante distinção, já que antiquíssima tradição de Éfeso distinguia o João Apóstolo de um João Presbítero, da mesma região.
15cf. Decreto "Pro Iacobitis" (da Bula "Cantate Domino", de 04.02.1441): "...O Sacrossanto Concílio professa que um e o mesmo Deus é o autor do Antigo e do Novo Testamento, isto é, da Lei, dos Profetas e do Evangelho, pois os santos de ambos os Testamentos falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Este Concílio aceita e venera os seus livros que vêm indicados pelos títulos seguintes: Cinco livros de Moisés (isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Jó, o Saltério de Davi, as Parábolas (Provérbios), Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze Profetas menores (isto é, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias) e dois livros dos Macabeus. Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), catorze epístolas de Paulo (uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma aos Hebreus), duas epístolas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse de João".
16cf. Decreto sobre o Cânon (sessão IV, de 08.04.1546).




Fonte: Site "Veritatis Splendor"



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