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21 dezembro 2018

Pe. Lombardi: Igreja deve enfrentar a questão dos abusos em profundidade.


São palavras do padre Federico Lombardi na última edição da revista Civiltà Cattolica em um longo artigo intitulado “Rumo ao encontro dos bispos sobre a proteção dos menores”. Às vezes, adverte o jesuíta, “continua-se a iludir que se trate de um problema principalmente ocidental, ou mesmo americano ou anglófono”, na realidade, “não se deve ignorar desta presença algumas vezes ainda latente a ponto de possibilitar uma futura e dramática erupção”. Por isso, adverte Padre Lombardi, “é preciso olhar a realidade de frente”.

Minimizar a questão dos abusos é caminho errado

Algumas vezes, escreve o jesuíta, “mesmo em ambientes da Igreja ouve-se que é hora de mudar de assunto, que não está certo dar muito peso a este tema, porque pode se tornar opressivo e a questão será engrandecida. Mas este é um caminho errado”. Se a questão “não for enfrentada com profundidade nos seus vários aspectos – prossegue – a Igreja continuará a se encontrar em crise continuamente”, a credibilidade dos sacerdotes ficará “ferida” e, principalmente, “serão prejudicadas a substância da sua missão de anúncio evangélico e o trabalho educativo para a infância e a juventude”.

O caso de Boston fez emergir a questão

Padre Lombardi repercorre a história da questão dos abusos na Igreja, recordando que a primeira grande crise ocorreu depois do ano 2000 nos Estados Unidos e foi enfrentada por São João Paulo II nos seus últimos anos de Pontificado. As “grandes lições” do que ocorreu na arquidiocese de Boston, escreve o jesuíta, são “bem claras, mesmo se foram entendidas e aceitas com dificuldade”. Primeiramente, “a seleção e a formação dos candidatos ao sacerdócio”, devem ser revistas “com cuidado e com rigor”. Assim como é “indefensável” o modo com o qual as autoridades eclesiásticas ocultaram a verdade para evitar escândalos, “negligenciando a gravidade do sofrimento das vítimas”. Também o papel da mídia requer uma resposta de transparência, enfim é necessária uma colaboração com as autoridades civis.

Com Bento XVI a renovação das normas canônicas

Já na parte final do pontificado de João Paulo II, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, comprometeu-se com particular força em enfrentar a questão. Um esforço que se amplificou quando o cardeal alemão foi eleito Papa. Bento XVI decreta uma série de novas “Normas para os delitos mais graves”, seguido em 2011 pela importante “Carta às Conferência Episcopais de todo o Mundo” para ajudar-lhe a preparar as “Diretrizes para o tratamento dos casos de abuso sexual de menores por parte de membros do clero”. Diretrizes que, escreve padre Lombardi, “tornam se assim o documento de referência necessário para a conversão e a renovação da comunidade eclesial a partir da dramática experiência dos abusos”. O compromisso pessoal que Bento XVI assumiu nesta dramática questão, “é evidenciado também pelos seus vários encontros com as vítimas durante suas viagens apostólicas pelo mundo”.

Francisco contra os abusos sexuais, de poder e de consciência

Francisco, destaca padre Lombardi, continua com decisão “o caminho traçado pelo seu Predecessor”. Ele também “se envolveu pessoalmente, encontrando vítimas de abusos sexuais”. Um ato importante, escreve o jesuíta, foi a constituição – poucos meses depois da sua eleição – da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores (dezembro de 2013), presidida pelo cardeal Sean O’Malley. Um organismo que obteve particularmente três resultados, segundo a revista dos jesuítas: o modelo oferecido pelas “Diretrizes”; os cursos de formação para os bispos recém nomeados; e a proposta de um Dia de Oração pelas vítimas de abusos.
Padre Lombardi destacou também a importância de dois documentos aprovados pelo Papa Francisco: o Rescrito de 2014 e o motu proprio de 2016 “Como uma mãe amorosa”. São dois documentos que reforçam a responsabilidade das autoridades eclesiásticas. Foi particularmente significativa a Carta ao Povo de Deus, de 20 de agosto deste ano. Francisco já “não fala somente de abusos sexuais”, mas também “de poder e de consciência”. E pede com força que, para enfrentar este escândalo, todos os fiéis sintam-se co-responsáveis pelo “caminho sinodal da Igreja” e que “toda forma de clericalismo seja decididamente combatida”.

10 agosto 2015

O que Santo Tomás nunca disse sobre as mulheres


​Teria Santo Tomás de Aquino ensinado que "a mulher é como um macho incompleto"?


Circulam na Internet (e em várias publicações feministas) algumas acusações de misoginia à obra de Santo Tomás de Aquino, o qual teria ensinado que "a mulher é como um macho incompleto". A frase constituiria prova irrefutável do machismo da fé cristã e do ódio da Igreja Católica ao sexo feminino.
Se é verdade que Tomás escreveu essa frase em suas obras [1], copiando (atenção!) uma colocação de Aristóteles [2], todas as vezes que a citou, porém, deixou bem claro o que Aristóteles queria dizer e qual era a sua posição a respeito disso.
A mais famosa referência a essa sentença está na conhecida Suma Teológica.
Para quem não está acostumado com o estilo das obras escolásticas, talvez caiba algumas breves considerações.
A Suma Teológica é um tratado intelectual e procede por meio de "questões", "artigos", "objeções" e "respostas". Cada questão (De...) é um tema específico, que possui um número determinado de artigos a ela relacionados. Cada artigo (Utrum...) é uma pergunta, que contém uma resposta aparentemente certa (Videtur...), com a qual Tomás parece concordar, apresentando para tanto várias razões, baseadas muitas vezes na autoridade de outros filósofos e escritores cristãos. Depois de enumerá-las, ele indica algo em desabono dos objetores (Sed contra...), oferece uma resposta definitiva à pergunta (Respondeo dicendum quod...) e rebate a todas as objeções (Ad primum, ad secundum, ad tertium...).
Feitas essas observações, partamos ao texto em que Tomás supostamente defende a "imperfeição" da natureza feminina. Trata-se da primeira parte da Suma ( Prima Pars), questão 92, na qual o santo lida justamente com "a criação da mulher". No artigo 1º, ele pergunta "se a mulher deveria ser produzida na primeira produção das coisas" (isto é, na Criação) e, como primeira objeção à resposta afirmativa, Tomás copia a frase de Aristóteles, segundo a qual "femina est mas occasionatus – a fêmea é um macho incompleto". Mais adiante, porém, o Aquinate rebate a sentença do filósofo grego da seguinte forma:
"Deve-se dizer que considerando a natureza em particular, a mulher é deficiente e falha, pois a potência ativa que se encontra no sêmen do macho visa produzir alguma coisa que lhe seja semelhante em perfeição segundo o sexo masculino; mas, se for gerada uma mulher, isso resulta de uma fraqueza da potência ativa ou de alguma má disposição da matéria, ou ainda de alguma mudança proveniente de fora, por exemplo, dos ventos do sul, que são úmidos, como está escrito no livro sobre a geração dos animais (De Generatione Animalium). Entretanto, se consideramos a natureza universal, a mulher não é falha, mas pela intenção da natureza está ordenada à geração. A intenção da natureza universal depende de Deus, que é o autor universal da natureza. Por isso, quando instituiu a natureza, produziu ele não só o homem, mas também a mulher." [3]
À resposta do Aquinate cabe uma explicação. O que, afinal, ele quer dizer com a distinção entre "a natureza particular" ( natura particularis) e "a natureza universal" (natura universalis)?
Michael Nolan, professor emérito do Centro de Pesquisa Maurice Kennedy, na University College de Dublin (UCD), já escreveu vários artigos sobre esse tema, e explica que o termo "natureza particular" diz respeito à natureza do sêmen masculino. O próprio Aquinate afirma em outro lugar que a natureza particular é a "força que está em determinado sêmen" (virtutis quae est in hoc semine) [4]. Aqui, o que o santo católico faz é reproduzir uma tese biológica de Aristóteles. A teoria de reprodução do filósofo grego "identifica corretamente o sêmen como a substância reprodutiva masculina, mas desconhece a existência do óvulo", a qual foi descoberta apenas no século XVII, por William Harvey. "Aristóteles acha que a substância reprodutiva feminina é uma fração pura do sangue menstrual. Ambas as substâncias, ele diz, são produzidas pelo corpo em um processo de 'concentração' que requer calor. A substância masculina, o sêmen, é mais concentrado que a substância feminina. Disso, Aristóteles conclui que o elemento masculino possui mais calor que o feminino." – E é nesse sentido (e tão somente nesse sentido) que Aristóteles chama a mulher de um "macho incompleto". "Trata-se, como se pode ver, de uma afirmação bem limitada, equivalente a dizer que às mulheres falta o poder muscular dos homens" [5].
O esclarecimento de Santo Tomás é que a afirmação de Aristóteles diz respeito somente à natureza particular do sêmen – pressuposta a validade de sua biologia –, e não à natureza universal, isto é, à ordem da Criação. Portanto, tanto homem quanto mulher foram igualmente queridos por Deus, como atesta o próprio livro do Gênesis: "Homem e mulher ele os criou" (Gn 1, 27).
Com o advento das novas descobertas no campo da biologia, as teses de Aristóteles sobre a geração dos animais caíram por terra, mas uma coisa é indiscutível: Santo Tomás de Aquino nunca escreveu que a mulher fosse um ser humano imperfeito ou tivesse uma dignidade menor que a do homem.
Agora, o que Tomás quer dizer quando escreve que "a mulher não é falha, mas pela intenção da natureza está ordenada à geração"? Estaria o Doutor Angélico dizendo que as mulheres foram feitas apenas para a reprodução, e nada mais?
A resposta é não, absolutamente. No próprio corpo da resposta (Respondeo...) ao art. 1º da questão 92, o Aquinate escreve que "o homem (homo) é ordenado à mais nobre atividade vital, o conhecimento intelectual" — e isso vale tanto para os indivíduos do sexo masculino, quanto para os do sexo feminino.
Para quem quiser aprofundar-se nessa matéria, recomenda-se a leitura do artigo científico do mesmo Michael Nolan, intitulado The Aristotelian Background to Aquinas's Denial that "Woman is a Defective Male" (o link para o texto se encontra abaixo). O estudo explica com profundidade o que Aristóteles queria dizer com a sua frase controversa, a teoria da reprodução do filósofo grego, bem como a opinião de Tomás e São Boaventura sobre toda essa querela. Nunca é demais ir atrás das verdadeiras informações, ao invés de sair falando do que não se sabe.
Assim, quem quiser acusar a Igreja de machismo com as obras de Santo Tomás precisará explicar como podem ter saído de sua pena linhas tão belas sobre a dignidade da mulher, como as que seguem: "Era conveniente — dizia ele — que a mulher fosse formada da costela do homem, para significar que entre o homem e a mulher deve haver uma união de sociedade, pois nem a mulher deve dominar o homem, e por isso não foi formada da cabeça; nem deve ser desprezada pelo homem, como se lhe fosse servilmente submetida, e por isso não foi formada dos pés" [6].
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Recomendações

Referências

  1. Cf. II Sent., d. 20, q. 2, a. 1, ad 1; IV Sent., d. 44, q. 1, a. 3c, ad 3; Summa Theologiae I, q. 92, a. 1, ad 1; Summa Theologiae I, q. 99, a. 2, ad 1; De Veritate, q. 5, a. 9, ad 9; Summa contra Gentiles III, c. 94.
  2. De Generatione Animalium, II, 3: 737.
  3. Summa Theologiae, I, q. 92, a. 1, ad 1.
  4. Summa contra Gentiles, III, 94, 6.
  5. NOLAN, Michael. What Aquinas never said about women. First Things, Nov. 1998.
  6. Summa Theologiae, I, q. 92, a. 3.

04 agosto 2015

Conheça o sacerdote de 73 anos que exerce seu ministério pastoral na internet entre as pessoas que, como ele, não ouvem e não enxergam.

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Cyril Axelrod nasceu em 1942, em uma família de judeus ortodoxos. Nasceu surdo e foi educado na Escola para Surdos de São Vicente, das irmãs dominicanas. Aos 23 anos, converteu-se ao catolicismo e descobriu sua vocação ao sacerdócio.
O Pe. Cyril, ao invés de ver sua surdez como uma limitação, concebe-a como um dom de Deus e um meio de evangelização. E sua fé é tão grande, que Deus permitiu mais uma cruz em sua vida: em 1980, foi diagnosticado com a síndrome de Usher, que é uma cegueira progressiva. Ele ficou completamente cego em 2000.
Mas nada disso é um impedimento para ele: aos 73 anos, por meio do seu blog (cyrilaxelrod.wordpress.com) e de vídeos no YouTube, esse padre espalha a Palavra de Deus. Residente em Londres, junto aos padres redentoristas, ele desenvolve seu ministério pastoral entre as pessoas que, como ele, não ouvem e não enxergam.
“Muitas pessoas consideram ser surdo e cego como algo indescritível, impensável e inimaginável – explica o Pe. Cyril em seu blog. Para mim, isso se tornou um novo estilo de vida e me deu uma nova direção.”
“Há frustrações que certamente precisam ser superadas, mas vivo também muitas alegrias e novos desafios – acrescenta. De certa forma, minha condição de cego e surdo se tornou a lição mais importante da minha vida.”
O Pe. Cyril teve a oportunidade de se encontrar com 3 papas: Paulo VI, Bento XVI e Francisco.
Demos graças a Deus por esta vocação abençoada e sigamos seu exemplo de fé, vendo todas as circunstâncias da nossa vida como oportunidades para amar!

21 julho 2015

Halleluya 2015 começa nesta quarta. Confira mapa de espaços do Festival.


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O Festival Halleluya 2015, que será realizado no Condomínio Espiritual Uirapuru, começa na próxima quarta-feira, 22, e segue até o
domingo, 26. A expectativa da organização é alcançar cerca de um milhão de participantes nos cinco dias de evento. Serão oito espaços
temáticos. ( Veja mapas abaixo)

Neste ano, uma das novidades é a gravação do primeiro DVD do Missionário Shalom. Quem desejar, ainda pode adquirir o frontstage
para conferir de perto a gravação. A entrada do evento é gratuita e, a cada dia, a programação terá início às 18h.
Além disso, teremos na programação artística o padre Fábio de Melo, o rock de Rosa de Saron, o forró de Naldo José, além de artistas
como Adriana, Adoração e Vida e Tony Alisson. A cantora carioca Aline Brasil e o grupo Lírios do Vale estarão no palco do Halleluya
pela primeira vez. Contaremos ainda com Davidson Silva, Alto Louvor, Ana Gabriela e Suely Façanha como artistas da Comunidade Shalom.

Durante a programação de sábado, além da gravação do DVD, teremos uma programação especial para celebrar a contagem
regressiva de um ano para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Cracóvia, na Polônia.

Segurança e mobilidade

Para a segurança do evento, a Secretaria de Segurança e Defesa Social (SSPDS-CE) anunciou um esquema que envolve as Polícias
Militar e Civil, além do Corpo de Bombeiros. Serão 45 homens da PM por turno, além de 3 viaturas, 6 motos e 3 cavalos. Quinta, sexta e sábado, dias de maior movimento, haverá dois turnos de serviço simultaneamente em horários de pico. Entre 22h e 0h, serão 90homens. Serão 17 homens do Corpo de Bombeiros por turno durante todo o evento. A Polícia Civil contará com ações pontuais de polícia judiciária.

Em relação aos transportes, a Etufor disponibilizará 120 ônibus extras para o Halleluya. Regularmente, há 14 linhas que operam em direção ao CEU. Em dias úteis, são 127 veículos, 78 no sábado e 59 no domingo. São duas linhas de corujões e sete linhas de corujões que integram no terminal da Parangaba.

A Autarquia Municial de Transito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) terá 80 agentes por dia para atuar no ordenamento do
comércio ambulante e disciplinamento do tráfego. O trabalho começa às 15h e segue até a total dispersão do público.

Solidariedade

A expectativa para este ano é alcançar 800 bolsas de sangue durante o Festival. No ano passado, foram coletadas 619 bolsas de sangue e realizados 318 cadastros de medula óssea. O posto de coleta se localiza na entrada do evento pela avenida Silas Munguba.No ano passado, foram recolhidos mais de 2,4 mil quilos de alimentos destinados às seis casas de Promoção Humana da Comunidade na Arquidiocese de Fortaleza e para as cidades que sofrem com a seca m parceria com a Defesa Civil.
Outras informações: (85) 3295.4583
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22 dezembro 2014

Atenção Sacerdotes e pregadores: Publicado Diretório de homilética, para “homilias inspiradas”


OSSROM14407_ArticoloNa Exortação Apostólica Evangelii Gaudium o  Papa Francisco dedicou uma parte considerável ao tema da “homilia”. A este respeito, a Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos redigiu um “Diretório de homilética”. O documento fornece aos sacerdotes e seminaristas as coordenadas metodológicas e de conteúdo a serem levadas em consideração ao se preparar e proferir uma homilia.
Trata-se de linhas mestras que ajudam a inspirar, quer o sacerdote que já exerce o Ministério da Palavra, como os  jovens sacerdotes, sendo de grande valia para os Reitores de Seminários na preparação dos seminaristas na arte da pregação.
O Diretório está articulado em duas partes. Na primeira, intitulada ‘A homilia e âmbito litúrgico’, se descreve a natureza, a função e o contexto peculiar da homilia, como também alguns aspectos que a qualificam, ou seja, o ministro ordenado a quem compete, a referência à Palavra de Deus, a sua preparação próxima e remota, os destinatários.
Na segunda parte, ‘Ars praedicandi’, são exemplificadas as coordenadas metodológicas e de conteúdo que o sacerdote deve conhecer,  as quais deve levar em consideração ao preparar e pronunciar a homilia. Chaves de leitura, numa forma indicativa e não exaustiva, são propostas para o ciclo dominical-festivo da Missa a partir do coração do Ano Litúrgico (Tríduo e Tempo Pascal, Quaresma, Advento, Natal, Tempo Comum), com acenos também às Missas durante a semana, de matrimônio e exéquias; nestes exemplos são aplicados os critérios evidenciados na primeira parte do Diretório, ou seja, a tipologia entre Antigo e Novo testamento, a importância do trecho do Evangelho, a ordenação das leituras, os nexos entre Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística, entre mensagem bíblica e eucológio (ndr – ivro de orações contendo o ofício dos domingos e das festas religiosas do ano), entre celebração e vida, entre escuta de Deus e da concreta assembleia.
Seguem dois apêndices. No primeiro, é apresentada a ligação entre homilia e Doutrina da Igreja Católica, com referência ao Catecismo em relação com alguns focos temáticos das leituras dominicais dos três ciclos anuais. No segundo Apêndice são indicadas as referências a textos de documentos magisteriais sobre a homilia.
O texto, submetido aos Padres da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, após ser avaliado e aprovado na Reunião Ordinária de 7 de fevereiro e 20 de maio de 2014, foi apresentado ao Papa Francisco, que aprovou a publicação do “Diretório de Homilética”.
A Congregação deseja que as homilias “possam ser realmente uma intensa e feliz experiência do Espírito, um confortante encontro com a Palavra, uma fonte constante de renovação e de crescimento” (EG,135).
As traduções nas principais línguas serão realizadas pelo Dicastério, enquanto nas outras línguas a responsabilidade pela tradução será das Conferência dos Bispos interessadas. (JE)
Fonte: Rádio Vaticano

14 novembro 2014

Bispo da Diocese de Palmares proíbe o uso de bebidas alcoólicas em eventos públicos eclesiais





Procurando evitar transtornos e desvios de valores dos atos festivos da Igreja Católica, além da condição em evitar todo escândalo e todo procedimento que possa afastar a comunidade e impedir os simpatizantes de se aproximar, Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares, vinculado a Província da CNBB Regional NE2, baixou o Decreto nº 02/2014, tornando total e absolutamente proibido o uso de quaisquer bebidas alcoólicas em eventos públicos oficiais de paróquias, movimentos, grupos ou pastorais da Diocese de Palmares, na Mata Sul de Pernambuco.
Para o Bispo, se faz necessário respeitar o trabalho da Igreja na Pastoral da Sobriedade, que visa libertar do vício do álcool os que dele dependem e restaurar as famílias destruídas por este tremendo vício. Segundo o Decreto, os escândalos, mal-estares e motivo de críticas à Igreja de Cristo que o consumo de bebidas alcoólicas em encontros de católicos provoca, devem ser prevenidos. O Decreto entrou em vigor  desde o último dia 07 de novembro, quando foi publicado.

http://www.avozdavitoria.com/noticias/bispo-de-palmares-proibe-consumo-de-bebidas-alcoolicas-em-eventos-da-igreja/

11 agosto 2014

A luta de satanás contra o sacerdócio

O diabo sabe que a melhor maneira de destruir a religião é atacando o sacerdócio

“Para fazer reinar Jesus Cristo no mundo, nada é mais necessário do que um clero santo, que seja, com o exemplo, com a palavra e com a ciência, guia dos fiéis” [1]. Estas são palavras que os Santos Padres não se cansam de repetir ao orbe católico, desde que foram pronunciadas, pela primeira vez, pelo papa São Pio X. De fato, o testemunho de um bom sacerdote é capaz de arrastar centenas de fiéis à Igreja de Cristo, quer por meio da pregação, quer por meio da administração dos sacramentos, quer por meio da obediência às normas eclesiais, como o celibato.
A missão do sacerdote resume-se àquela regra máxima da Igreja, de que falam os santos: Salus animarum suprema Lex – a lei suprema é a salvação das almas. Por isso o Papa Bento XVI, na proclamação do Ano Sacerdotal, em 2009, exortou o clero católico a redescobrir a dimensão eclesial de seu ministério. Somente na comunhão com a Igreja o sacerdote pode atingir aquela santidade necessária “para fazer reinar Jesus Cristo no mundo”. Explica-nos o Papa Emérito: “a missão é eclesial, porque ninguém se anuncia nem se leva a si mesmo, mas, dentro e através da própria humanidade, cada sacerdote deve estar bem consciente de levar Outro, o próprio Deus, ao mundo” [2].
Essa realidade não é desconhecida pelo diabo, tampouco por aqueles que fazem as suas vezes na terra, disseminando o joio no meio do trigo. Não é para admirar, por conseguinte, que, no combate à Igreja, o primeiro alvo seja o sacerdócio. “Quando se quer destruir a religião” – observava o santo Cura d’Ars –, “começa-se por atacar o padre” [3]. Com efeito, a primeira tentação demoníaca contra os sacerdotes é a de afastá-los da comunhão eclesial, incentivando-os à dissidência, aplaudindo hereges e ridicularizando aqueles que se submetem de bom grado à autoridade do Santo Padre. Trata-se do primeiro non serviam demoníaco: o não à Igreja.
Os argumentos – ou, no caso, as mentiras – são os mesmos de sempre: o celibato é transformado em símbolo de castração, que fere o direito à sexualidade e leva à pedofilia; o hábito eclesiástico é tachado de indumentária antiquada, que afasta o clero do povo; o padre passa a ser somente o “presidente” da celebração; a obediência a Roma é considerada clericalismo; as normas litúrgicas são suprimidas em nome de uma falsa criatividade; o padre, é dito, não pode ficar preso a “regras de orações medievais”; isto, outros reclamam, não está de acordo com o Concílio Vaticano II; o padre não é sacerdote, mas presbítero; ele tem uma mentalidade pré-conciliar etc. Repetidas ad nauseam pela mídia – e por uma porção de maus teólogos que agem em conluio com ela –, essas ideias perniciosas vão aos poucos minando a identidade do sacerdote, até ao ponto de levá-lo a proclamar o segundo non serviam do diabo: o não a Cristo.
Não é preciso gastar muita tinta, porém, para explicar os erros contidos nestes sofismas. Muito mais sabiamente responderam os santos padres – vivendo a sua vocação de maneira exemplar –, como também o Magistério da Igreja – seja nas encíclicas papais, sejo nos outros inúmeros documentos já publicados a esse respeito. O que é preciso ter em conta é que a luta que se trava contra o sacerdócio é, na verdade, uma luta contra a Pessoa de Jesus Cristo. O padre, não nos esqueçamos, é um Alter Christus (Outro Cristo), dado o caráter impresso em sua alma pelo sacramento da ordem. Por isso, é compreensível a raiva do diabo pela castidade dos sacerdotes – “o mais belo ornamento de nossa ordem”, como elogiava São Pio X –, pois ela remete à virgindade de Cristo, que também foi guardada até a morte na cruz [4]. É compreensível o ódio do diabo à batina negra – a “heroica e santa companheira” de Dom Aquino Correa –, porque o luto recorda o sacrifício redentor da cruz, pelo qual a morte foi vencida [5].
O remédio às insinuações diabólicas, por conseguinte, não pode ser outro senão aquele prescrito por Bento XVI, durante o Ano Sacerdotal [6]:
É importante favorecer nos sacerdotes, sobretudo nas jovens gerações, uma correta recepção dos textos do Concílio Ecuménico Vaticano II, interpretados à luz de toda a bagagem doutrinal da Igreja. Parece urgente também a recuperação desta consciência que impele os sacerdotes a estar presentes e ser identificáveis e reconhecíveis quer pelo juízo de fé, quer pelas virtudes pessoais, quer também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade, desde sempre no coração da missão da Igreja.
Enfim, não se há de esquecer a mediação de Nossa Senhora, mãe solícita dos sacerdotes e a inimiga de todas as heresias. Na sua viagem a Fátima, em 2010, o Santo Padre não perdeu a oportunidade de confiar à Virgem, “os filhos no Filho e seus sacerdotes”, consagrando-os ao seu Coração Materno, para que cumprissem fielmente a Vontade do Pai [7]. Neste ato, o Papa Bento XVI ensinava ao clero do mundo inteiro que o melhor caminho de santidade e escudo contra o demônio é a intercessão de Nossa Senhora. É também o ensinamento dum outro padre que, não por acaso, muito se assemelha às palavras de São Pio X, ao início deste texto: “foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo” [8].
Por Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Carta La ristorazione: Acta Pii X, I, p. 257.
  2. Discurso do Papa Bento XVI durante a audiência concedida à Congregação para o clero (16 de março de 2009).
  3. João XXIII, Carta Enc. Sacerdotii Nostri Primordia (1° de agosto de 1959), n. 63.
  4. Ibidem, n. 16.
  5. A minha batina – poema de Dom Aquino Correa.
  6. Discurso do Papa Bento XVI durante a audiência concedida à Congregação para o clero (16 de março de 2009).
  7. Ato de confiança e consagração dos sacerdotes ao Imaculado Coração de Maria (12 de maio de 2010)
  8. São Luís de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

23 junho 2014

Copa 2014: O testemunho católico do único jogador não islâmica na seleção do Irã.


Andranik+Teymourian+South+Korea+v+Iran+Zt6ggI3O1Tel
 O primeiro empate da Copa do Mundo aconteceu no décimo terceiro jogo. Após o dilúvio de gols que choveram na rede nos primeiros jogos, Nigéria e Irã empatam zero a zero. Resultado final de um jogo chato, mas que deixou o Irã feliz, considerado por todos os observadores a “Cinderela” do seu grupo. Uma ideia que nunca abandonou Andranik Teymourian, ás do time asiático, um dos mais pró-ativos na estréia de ontem.
Entrevistado pela Fifa.com na véspera da revisão brasileira, o craque iraniano tinha demonstrado que não temia os fortes adversários que a sorte atribuiu à sua equipe. “Contra nós nenhum jogo será fácil – afirmava – o primeiro lugar na rodada das eliminatórias asiáticas mostra o espírito de luta colocado em campo”.
Declarações que atestam ambições profissionais e que estão na base de uma coragem que Teymourian já mostrou no passado. A coragem “de não sentir vergonha de ser cristão”. Ele, cristão de origem armênia e cidadão da República Islâmica do Irã, foi o mais votado, por ocasião da Copa do Mundo de 2006, em uma pesquisa patrocinada pelo grupo holandês ecumênico Gristelijk.
Com o 31,3% dos votos, a estrela do Irã ficou acima de 10 outros jogadores que participaram da Copa do Mundo na Alemanha e considerados exemplos de homens, “que optaram por declarar abertamente a sua fé”. Quem votou foram holandeses, europeus, mas não só.
O que particularmente impressiona de Teymourian é um aspecto: as suas declarações quebraram os clichês que circulam em torno do Irã. De etnia armênia, faz parte daquela pequena minoria no País do Golfo Pérsico que não chega nem sequer a 1% da população. No entanto, goza de uma representação parlamentar e de uma certa autonomia cultural que até permite os armênios de produzirem vinho. Especialmente goza da atitude positiva por parte dos colegas muçulmanos.
Teymourian é uma clara demonstração disso. No Irã é considerado o diamante mais valioso na seleção de futebol, queridinho de todos os entusiastas. Quando sai do campo é saudado com grandes aplausos, e ele responde com gratidão à sua maneira, fazendo o sinal da cruz. Um gesto que nunca lhe criou qualquer problema. Na verdade, ele mesmo “Ando” – como os fãs carinhosamente o chamam – nunca escondeu que as relações com companheiros muçulmanos, com os diretores e com a população são “realmente boas”.
Tão boas, que lhe concedeu uma investidura histórica. Teymourian, de fato, no dia 18 de maio desse ano, foi nomeado o primeiro capitão muçulmano do Team Melli (a Nação iraniana). O jogador de 31 anos, vive essa realidade com orgulho, mas sem ênfase. Não está acostumado a perceber sua fé cristã como fonte de distinção com os companheiros de equipe.
Em Teerã, onde mora e joga com o time do Esteghlal, frequenta a Missa todos os domingos. Hábito que leva consigo mesmo quando cruza fronteiras nacionais. Com exceção da Copa do Mundo de 2006 na Alemanha que, em entrevista ao Canal-AP Worldstream contou uma experiência desagradável que lhe aconteceu durante um retiro da própria seleção.
Em um domingo, como sempre faz quando está no Irã, se preparou para chegar à igreja mais próxima e participar da Missa. Tentando sair da estrutura que hospedava o seu time, foi bloqueado pela polícia alemã. Um obstáculo tão inesperado quanto absurdo, para um jovem que tem a única, inocente, intenção de ir à igreja. Foi-lhe dito que, por razões de segurança, não seria possível sair. Em vão a sua insistência que o único que fez foi com que os policiais o mantivessem parado por algumas dezenas de minutos.
Episódio que o futebolista iraniano viveu como uma grotesca forma de discriminação. Tal como para induzi-lo a dar vazão aos microfones de uma televisão no seu país, onde há uma teocracia xiita governada por um aiatolá. E onde uma cena desse tipo nunca lhe aconteceria. Cenas que, no entanto, aconteceram na Alemanha. No coração da Europa, onde uma vez construíam catedrais destinadas a durar por toda a eternidade. E onde hoje – como explicava o site Kreuz.net 2012 – surgem bairros inteiros, projetado para milhares de pessoas, sem que haja nem sequer uma Igreja. (Trad.TS)
Por Federico Cenci

18 junho 2014

A Igreja católica e mais essa contribuição ao mundo: os nomes das notas musicais!

Retirado do Blog do Carmadélio
música-medieval
Quem batizou as notas musicais foi o monge beneditino italiano Guido d’Arezzo. Ainda no século 11, ele nomeou a escala ao se inspirar num hino a São João Batista, composto por outro monge, Paolo Diacono, três séculos antes. Veja os versos abaixo:
 Ut queant laxis…
 Resonare fibris…
 Mira gestorum…
 Famuli tuorum…
 Solve polluti…
 Labii reatum…
 Sancte Iohannes.
 Para entender a lógica, basta pular o primeiro verso e depois pegar a primeira sílaba de cada frase para reconhecer as notas – (Ut), Re, Mi, Fa, Sol, La… O “Si” ele adaptou, juntando as primeiras duas letras de “Sancte Iohannes” (São João). Cinco séculos depois, incomodado com o som da primeira sílaba, o músico Giovanni Maria Bononcini incrementou uma mudança: trocou o “Ut”pelo “Do”, de Dominus (Senhor). E, com essa benção celestial, sacramentou a nomenclatura das notas musicais.
 NOTA: Desde a Antiguidade, o padrão era usar letras para representar as notas (a única exceção, aliás, é o nosso sistema latino, que usa sílabas). Em países anglófonos, as notas são representadas por letras: C, D, E, F, G, A e B, respectivamente. Essa é uma das designações mais antigas, que nós usamos também em cifras. Mas o alfabeto grego arcaico, por exemplo, também já foi usado.
Fontes: Curso Completo de Teoria Musical e Solfejo, de Belmira Cardoso e Mário Mascarenhas; Enciclopédia Britânica; Enciclopédia Barsa. Via revista Superinteressante.

22 março 2014

Conheça melhor Irmã Cristina Scuccia, a religiosa que surpreendeu o mundo no “The Voice” italiano.


Sister Cristina Scuccia
 “Espero uma ligação do Papa Francisco, porque ele nos convida a sair, a evangelizar e a dizer que Deus não nos tira nada, pelo contrário, nos dá ainda mais”, disse a irmã Cristina Scuccia no conhecido programa The Voice of Italy 2.
Interpretando “No One” de Alicia Keys, a religiosa de 25 anos de idade, da congregação das irmãs Ursolinas emocionou toda a Itália fazendo os 4 técnicos do programa virarem e aprovarem o seu talento musical.
“Hoje eu encontrei uma pessoa especial”, disse visivelmente emocionado o cantor de Rocky italiano J-AX, depois do evento, agradecendo que a religiosa o escolheu para o seu time. “Ela é de uma pureza incrível” afirmou o cantor Piero Pelú, também técnico do programa.
Na preparação da sua apresentação, Irmã Cristina deixou claro que Vai “como missionária”, e acrescentou que “Estou sempre certo de que ao meu lado tem sempre alguém, nunca estou sozinha”.
Ao som de “Irmã, irmã, irmã” o público do The Voice expressou a sua emoção “por ver a Deus nos olhos de Irmã Cristina”. “Deus se comunica assim”, é um dos milhares de comentários aparecidos no facebook da religiosa.
“Tenho um dom e vo-lo dou”, disse Irmã Cristina com tranquilidade e profunda alegria a Raffaella Carrá, apresentadora de TV, atriz e cantora italiana, que com o seu rosto deixou claríssima a sua admiração pela novidade, dizendo à religiosa que mostrava uma indecisão ao escolher o seu time: “A culpa é tua, porque você é muito boa”.
Com uma personalidade insegura, como a mesma religiosa reconhece, foi motivada pelas suas superioras para participar do The Voice of Italy 2.
Irmã Ursolina da Sagrada Família, Cristina Scuccia desde pequena sonhava em ser cantora. Só no 2008 começou a praticar a arte do canto quando as irmãs Ursolinas organizaram um musical (onde foi por acaso). Inicialmente não acreditava em Deus e estava em um momento de plena rebelião com a Igreja. Depois dessa experiência encontrou o Amor por excelência.
***
Na audiência a cegas da versão italiana do concurso de talentos “The Voice”, uma freira católica italiana de 25 anos surpreendeu o mundo e, sobretudo os jurados do concurso, interpretando uma música pop. Sor Cristina, uma religiosa ursulina de origem Siciliana conseguiu fazer que os 4 jurados virassem suas cadeiras para acrescentá-la às suas equipes e afirmou que foi ao concurso animada pelo convite do Papa Francisco de sair das igrejas e conventos para evangelizar e pelo desejo de compartilhar com o mundo o seu dom.
Ao virarem suas cadeiras e se depararem com uma freira, os jurados não podiam acreditar nos seus olhos. O júri, composto pelos cantores italianos J-Ax, Noemi, Piero Pelù e Raffaella Carrà, foi unânime em destacar absolutamente surpresos a energia e beleza da voz de irmã Cristina que cantou o sucesso “No One”, da americana Alicia Keys.
Boquiaberta, a cantora Raffaela Carrà perguntou: “Você é uma freira de verdade?”
“Sou uma freira verdadeiríssima”, respondeu Suor Cristina.
Carrà, famosa em todo o mundo pela sua longa carreira musical, prosseguiu: “Mas como você terminou vindo aqui? O que deu em você?”
“Eu tenho um dom e estou aqui para dá-lo a todos vocês”, respondeu sorridente a freira.
Ainda surpresa Rafaella Carrà perguntou: “E o que você acha que o Vaticano vai achar de sua participação no ‘The Voice’?”
Com muito bom humor a Ir. Cristina disse: “Eu acho que receberei uma ligação do Papa Francisco! Ele mesmo tem-nos convocado a sair das igrejas e dos conventos para evangelizar… É por isso que estou aqui, para mostrar que Cristo não nos tira nada, Ele nos dá ainda mais”.
A reação foi um caloroso e longo aplauso do público.
Após uma juventude de rebeldia contra a Igreja, a Irmã Cristina Scuccia converteu-se em um musical feito na sua paroquia e decidiu tornar-se membro das Irmãs Ursulinas da Sagrada Família de Milão, cidade onde vive atualmente. Antes de tomar sua decisão vocacional, a jovem ficou dividida entre continuar seus estudos universitários de Belas Artes ou entrar no convento. Logo ela encontrou na música, cantando na Igreja, a forma de evangelizar e compartilhar seu talento artístico.
A freira havia se proposto a unir-se a time do primeiro jurado que virasse a sua cadeira para ela, e após o insistente convite de todos os quatro membros do júri, ela escolheu o rapper J-Ax.
Visivelmente emocionado, o cantor brincou: “Se eu tivesse conhecido você e visto você cantar quando eu ia à missa de criança, eu teria continuado até virar Papa!”.
Assim, Ir. Cristina passou à seguinte fase do `The Voice Italy 2’. Antes do evento, como de costume no concurso, ela partilhou em um videoclipe que foi animada pelas suas superioras a participar do evento e ao receber o convite da produção, afirmou: “Agora esta é minha missão”.
A irmã, depois do percurso tradicional de discernimento realizou seu noviciado no Brasil, onde veio a confirmar que a música era seu instrumento para evangelizar e sustenta-la na sua missão de ajudar crianças de rua.
“A música me ajudou a entrar em contato com as crianças, e redescobri o canto como forma de louvar o Senhor e como uma exigência da minha alma para usa-lo como instrumente para tocar seus corações”, contou a religiosa ao site Credere.it.
Para ver a apresentação de Suor Cristina no The Voice Italy 2, confira o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=TpaQYSd75Ak

31 outubro 2013

Três visões do inferno dadas por Deus a santos da Igreja


Gustave_Dore_Inferno32
O juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia, disse acreditar no inferno e no diabo, e as pessoas zombaram dele. Mas os partidários de Scalia são muito mais importantes que seu críticos: além de serem maioria no país, tanto Jesus, o Filho de Deus, como o seu Vigário, o Papa Francisco, falam constantemente do inferno em seus ensinamentos.
 
O inferno é real e, para os católicos, sua existência é um dogma. O Concílio de Florença estabeleceu, em 1439, que “as almas dos que morrem em pecado mortal atual, ou somente no pecado original, descem rapidamente ao inferno”.
 
Por ser um lugar no qual estão somente aqueles que morreram, os vivos não têm acesso a ele – pelo menos em circunstâncias normais. No entanto, muitos santos, ao longo da história da Igreja, afirmaram ter vivido experiências místicas do inferno e as descreveram.
 
A seguir, detalharemos três destas descrições.
 
Cabe recordar que o Catecismo da Igreja Católica afirma claramente que o papel das revelações privadas não é “melhorar” ou “completar” o depósito da fé, mas “ajudar a vivê-la mais plenamente em uma determinada época histórica”.
 
O relato destas visões servem para ajudar as pessoas a levar mais a sério a realidade do reino eterno dos condenados. Duas das visões que apresentamos são do século XX.
 
Densa escuridão: Santa Teresa de Ávila
 
A grande santa do século XVI, Teresa de Ávila, foi uma religiosa e teóloga carmelita. Está na lista dos 35 doutores da Igreja. Seu livro “Castelo Interior” é considerado um dos textos mais importantes sobre a vida espiritual. Em sua autobiografia, a santa também descreve uma visão do inferno que Deus lhe concedeu, segundo ela, para ajudá-la a afastar-se dos seus pecados.
 
“A entrada pareceu-me semelhante a uma passagem estreita muito longa, como um forno baixo, escuro e constrangido; o chão pareceu-me consistir em água lamacenta, muito suja e de muito mau cheiro, com muitos parasitas e vermes imundos. No fim, havia um nicho na parede ao jeito de um pequeno armário; aí achei-me metida em muito estreito lugar. Tudo isso era nada, em comparação com que eu sentia: isto que eu descrevo está só mal expresso.”
 
“O que senti, parece-me que não posso nem começar a exprimi-lo; nem pode ser entendido. Experimentei um fogo na alma, que eu não sei como descrevê-lo. As dores corpóreas tão insuportáveis, que embora as tenho sofrido penosas nesta vida e que, de acordo com o que os médicos dizem, das piores que podem ser sofridas na terra, pois todos os meus nervos estavam contraídos quando fiquei paralisada, e com mais muitos outros sofrimentos de muitas espécies que eu suportei, e ainda alguns, como disse, causados pelos demônios, todos estes eram nada em comparação com os que eu experimentei lá, e saber que haviam de ser sem fim e sem jamais cessar.”
 
“Isto não era nada, porém, em comparação com o agoniar da alma: um apertamento, um afogamento, uma aflição tão agudamente sentida e com tal desesperada e afligida infelicidade que atormenta, que eu não sei como exprimir; porque parece estar-se sempre arrancando a alma que se rasga em pedaços.”
“O fato é que não sei como dar uma descrição suficientemente poderosa daquele fogo interior e aquela gravíssima desesperação sobre tão dolorosos tormentos e dores. Eu não vi quem me os infligia, mas, sentia-me queimar e espedaçar, ao que me parece, e repito que o pior era aquele fogo interior e aquele desespero.”
“Estando em tão fétido lugar, tão incapaz de esperar qualquer consolação, não há onde sentar-se ou deitar-se, nem há lugar, ainda que estava eu metida nessa espécie de buraco feito na parede, porque essas paredes apertam e tudo sufoca. Não há nenhuma luz, senão todo trevas escuríssimas.”
 
“Depois, eu tive uma visão de coisas espantosas. De alguns vícios, o castigo. Porque não é nada o ouvi-lo dizer, nem eu ter meditado de outras vezes sobre diversos tormentos (embora poucas vezes o fizesse, pois que, por caminho de temor, não ia bem a minha alma), nem que os demônios atormentam, nem outros diferentes suplícios que tenho lido, nada é como esta pena, porque é outra coisa. Enfim, é tão diferente como a pintura o é da realidade, e o queimar-se aqui na terra é muito pouco em comparação com este fogo de lá. Eu fiquei tão aterrada, e ainda agora o estou ao escrever isto, apesar de haver já quase seis anos que de temor – parece-me, e assim é –, me falta o calor natural aqui onde estou.”
 
“Daqui também cobrei a grandíssima pena que me dão as almas que se condenam (destes luteranos em especial, porque já eram, pelo Batismo, membros da Igreja), e os grandes ímpetos de salvar almas, que me parece certo que, para livrar uma só de tão gravíssimos tormentos, padeceria eu muitas mortes de muito boa vontade.”
 
Cavernas horríveis, abismos de tormentos: Santa Maria Faustina Kowalska
Santa Maria Faustina Kowalska, conhecida como Santa Faustina, foi uma religiosa polonesa que afirmou ter tido uma série de visões que incluíam Jesus, a Eucaristia, os anjos e vários santos. Das suas visões, registradas em seu “Diário“, a Igreja recebeu a já popular devoção ao Terço da Divina Misericórdia.
 
Em um trecho do seu diário, no final de outubro de 1936, ela descreve sua visão do inferno:
 
“Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do inferno, um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói: é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, o terrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas veem-se mutuamente e veem todo o mal dos outros e o seu. O sexto é a continua companhia do demônio; o sétimo tormento é o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias.”
“São tormentos que todos os condenados sofrem juntos. Mas não é ó fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade. Estou escrevendo por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.”
 
“Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos para falar às almas e testemunhar que o inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham de me obedecer. O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi.”
 
“Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o inferno existia. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. ‘Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios, a ter que vos ofender com o menor pecado que seja’.”
 
Um grande mar de fogo: Irmã Lúcia de Fátima
 
A irmã Lúcia não é uma santa, mas é uma das destinatárias de uma das revelações privadas mais importantes do século XX, ocorrida em Fátima (Portugal). Em 1917, ela era uma das três crianças que afirmou ter tido numerosas visões de Nossa Senhora. Ela declarou que Maria lhes mostrou uma visão do interno que ela descreveu em suas “Memórias”.
 
“Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor.”
 
“Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, graças à nossa boa Mãe do céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.”
 
Alguma reação? Podemos nos confiar à misericórdia de Deus em Cristo, e evitar, assim, qualquer coisa que se aproxime destas descrições, passando toda a eternidade em união com Deus no céu.
Fonte: Brantly Millegan

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