29 maio 2009

ANJOS E DEMÔNIOS: MAIS UMA MENTIRA!!!

Anjos e Demônioshttp://www.acidigital.com/anjosdemonios/

- Por que são anti-católicos tanto o livro como o filme?

- Um sacerdote antes de ser papa e uma religiosa se unem para inseminar-se artificialmente. Ambos desejam um filho, mas também querem permanecer castos, por isso recorrem à inseminação artificial.

- Distorção de fatos concernentes à vida real: intercala personagens da vida real como Copérnico e Galileu, com elaboradas conclusões, que não têm nenhuma raiz histórica e terminam sendo simples e flagrantes mentiras.

- Falso retrato da Igreja Católica: Sua distorção de propósito da verdade está pensada para caluniar a Igreja Católica. Brown quer mostrar que a Igreja Católica vê a ciência como um inimigo e que não se deterá ante nada para jogá-la em uma esquina.

- Mentiras sobre a CERN e a anti-matéria: A anti-matéria sim existe, e é criada rotineiramente na CERN, mas “não existe a possibilidade de usar a anti-matéria como uma 'fonte' de energia". “Fazem a anti-matéria como se descreve no livro?” A resposta é clara: "Não". Todo mundo quer saber que tão perigosa é a anti-matéria em realidade. A CERN precisa que esta é "totalmente segura, dadas as diminutas quantidades nas que a fazemos. Seria muito perigoso se fizéssemos alguns gramas, mas isto tomaria milhões de anos".

- A Igreja Católica usa qualquer meio para liderar a vingança- Mentiras sobre os Illuminati: Nenhum membro dos Illuminati foi caçado e muito menos assassinado por parte da Igreja Católica. Os Illuminati foram fundados por um professor de leis chamado Adam Weishaupt, na Baviera, Alemanha, em 1 de maio de 1776 e findou em 1787. Adam antes de morrer, renunciou a todas as sociedades secretas e se reconciliou com a Igreja Católica.- Galileu teria sido membro dos Illuminati, e que esse grupo secreto queria se vingar do Vaticano pela visão anti-ciência da Igreja Católica.Ora, Galileu morreu em 1642, quase 150 anos antes que os Illuminati fossem fundados. No seu próprio síte sobre os Illuminati Dan Brown dá a sua fundação em 1776!“Galileu nunca foi aprisionado ou torturado. Seu confinamento foi uma detenção domiciliar, e estava mais em função de sua arrogância que das suas idéias: persistiu em apresentar idéias (tiradas de Copérnico, um cientista católico que nunca foi castigado) como cientificamente precisas, algo do que inclusive cientistas de seu tempo duvidavam".- Canonização e a Santa Comunhão "emprestadas" do paganismo: Anjos e Demônios afirma que a tradição da Igreja da canonização está tirada de um antigo rito "para fazer-se deus". A Santa Comunhão, segundo Brown, é um conceito que foi tirado dos astecas. A Cristandade precede à civilização asteca por mais de 1000 anos.

- Mentiras históricas sobre personagens reais:

- O livro considera que a CERN inventou a Internet, é falso.- Afirma além que Winston Churchill foi um “católico incondicional”, nunca foi católico.

- Apresenta a idéia de que a Igreja Católica é muito rica. (O orçamento anual do Vaticano equivale a um quinto do orçamento da Universidade de Harvard (EUA).- Diz que Copérnico foi assassinado, quando a história diz que morreu do coração.

- Brown afirma que os cientistas cristãos consideram inadequado o tratamento médico para uma pessoa jovem, é falso.- Diz que a Igreja é contra o ensino da evolução; é falso- Mostra o Papa Pio IX como um desviado sexual - "maníaco eliminador de pênis" que destruiu grandes obras de arte, especialmente os órgãos genitais aparentes.- Diz que a Igreja tem fobia de sexo. Pio IX apoiou as artes e premiou aos artistas por suas contribuições. Restaurou as pinturas no Vaticano. O Papa já foi beatificado.O Papa Urbano VIII (1623-1644) é mostrado como inimigo do escultor (Gian Lorenzo) Bernini e que rejeitou a sua escultura de Santa Teresa de Ávila de Bernini, “O êxtase da Santa Teresa”, por ser sensual.Urbano VIII não foi um adversário de Bernini, foi seu amigo e patrono. Em uma biografia de Arthur Lubow sobre este grande artista, ele afirma que durante os 20 anos de pontificado de Urbano VIII, Bernini foi tratado como se fora da realeza pelo Papa. De fato, Bernini foi o favorito de todos os Papas enquanto viveu, e foi condecorado com a Cruz da Ordem de Cristo.

- Brown eleva à ciência ao lugar de Deus: Na página 31, um dos personagens do Brown se regozija ao dizer que "logo se provará que todos os deuses são falsos. A ciência dará a resposta a quase todas as perguntas que o homem possa fazer". Na página 218: "A Ciência é Deus!". Na página 474, fica totalmente claro "As antigas histórias sobre imaculadas concepções, sarças ardentes e mares abertos já não são relevantes. Deus se tornou obsoleto. A ciência ganhou a batalha". “A ciência veio para nos salvar da enfermidade, da fome e da dor! Hei aqui a ciência, o novo Deus dos milagres infinitos, onipotente e benevolente! Ignorem as armas e o caos”. (página 658).Testemunho do Pe. O Padre Bernard O'Connor: um sacerdote canadense, estava em Roma o ano passado enquanto o diretor Ron Howard filmava a obra. Escreveu o Artigo “Inside the Vatican” (Dentro do Vaticano)

- Um dos trabalhadores lhe disse: "a Igreja miserável está contra nós outra vez e nos está causando problemas". Logo, falando de seu amigo Dan Brown, acrescentou “como muitos de nós, ele com frequência diz que faria algo para demolir esta detestável instituição, a Igreja Católica. E triunfaremos. Já verão”. Quando o Padre O'Connor lhe pediu que precisasse suas afirmações, o oficial de produção disse "ao final desta geração não existirá mais a Igreja Católica, ao menos não na Europa ocidental. E em realidade os meios merecem muito crédito por seu desaparecimento". Este sujeito também mencionou o papel que algumas universidades jogaram para minar o catolicismo.O catolicismo promoveu a ciência“Nos últimos 50 anos”, afirma o professor Thomas E. Woods, Jr., “virtualmente todos os historiadores da ciência… chegaram à conclusão de que a Revolução Científica se deveu à Igreja”.Para o sociólogo Rodney Stark a razão pela que a ciência emergiu na Europa e não em nenhum outro lugar, foi o catolicismo. “sabe-se que na China, no Islã, na Índia, na Grécia antiga e em Roma, todos tiveram uma muito desenvolvida alquimia. Mas somente na Europa esta alquimia se transformou em química. Por essa razão, muitas sociedades desenvolveram elaborados sistemas de astrologia, mas solo nisto Europa levou a astronomia".J.L. Heilborn da Universidade de Califórnia em Berkeley escreve que: “A Igreja Católica ajudou mais que ninguém financeira e socialmente ao estudo da astronomia por mais de seis séculos, da recuperação dos estudos antigos durante a última etapa da Idade Média até a Ilustração". Somente os alcances científicos dos jesuítas alcançaram todos os cantos da terra.Só para verificar a autenticidade de um milagre, nos processos de beatificação e canonização, o Vaticano tem à sua disposição mais de 70 médicos especialistas.“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, pg. 7]As Universidades“A Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade” (DR vol. III, pág. 345).Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses germanos, etc.). O Papa Clemente V (1305-1314) no Concílio universal de Viena em 1311, mandou que se instaurassem nas escolas superiores cursos de línguas orientais (hebreu, caldeu, árabe, armênio, etc.), o que em breve foi feito também em Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca e Roma.A atual Universidade de Roma, La Sapienza, foi fundada há sete séculos, em 1303, pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303), com o nome de “Studium Urbis”.Das 75 Universidades criadas de 1100 a 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras, que surgiram espontaneamente ou por decisão do poder secular, receberam em seguida a confirmação pontifícia, com a concessão da Faculdade de Teologia ou de Direito Canônico. (Sodano, 2004).Para Inocêncio IV (1243-1254) a Universidade era o “Rio da ciência que rege e fecunda o solo da Igreja universal”, e Alexandre IV (1254-1261) a chamava de: “Luzeiro que resplandece na Casa de Deus” (DR, vol III, pg.348).Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors.Na Itália: Salerno (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca,, São Tiago de Compostela (1100); Valladollid Portugal: Coimbra


EXTRAÍDO DO SITE CLEOFAS: http//www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ESCOLA&id=esc0214

28 maio 2009

EMBRIAGADO NO ESPÍRITO!!!

EU CONTINUO EMBRIAGADO

Um destes dias, logo após o almoço, num ônibus urbano vejo a cena patética de um jovem bêbado, possivelmente drogado, e silencioso. Em certo momento ele se levanta e vai em direção a um outro rapaz, mais jovem, como se desejasse lhe falar e não consegue – ou não quer - não pude saber. O outro fica muito constrangido e muda de lugar. O bêbado vai atrás. O mais jovem resmunga e o outro, cambaleante e tentando se equilibrar nada responde. A reação do jovem-alvo foi logo perguntar “o que você quer? ...eu nem te conheço..”. As mulheres, maioria naquele coletivo, começaram a se preocupar com a possibilidade de alguma confusão entre os dois e se afastam. Felizmente o mais jovem, perseguido sem motivo aparente, se manteve calmo e não ocorreu nenhuma violência física.

Desci e fiquei sem saber sobre o desfecho da cena, mas conclui que todos naquele ônibus sentiram-se mais molestados com a mudez daquele rapaz à beira da inconsciência, do que a sua embriaguez logo no início da tarde em um dia útil.
Isto me veio à lembrança depois de sentir grande frustração ao tentar, sem sucesso, escrever algo sobre o Dom de Línguas. Fiquei decepcionado comigo mesmo pois pensava se tratar de algo fácil, muito simples. Não. Não é fácil mesmo tentar intelectualmente resumir algo tão misterioso e amplo. Cada vez que me sentava à frente do computador e me levantava angustiado, sentia aquele bêbado silencioso me olhando, como se perguntasse sem emitir palavras:
- E agora seu sabichão tão experiente, não sabe o que escrever sobre esse dom???
Muitos diriam sem hesitar: “Vade retro satanás!”.

Eu não. Calei-me interiormente e fui dar uma longa caminhada orando em línguas...

Volto para casa e no escritório e, sem pensar, vou direto a uma preciosidade literária da RCC, um velho e raro livro que me pede uma nova encadernação. Publicado em 1975, pela pioneira Editora Loyola, esse clássico se intitula “É Jesus que cura”, do autor Pe. Francis MacNutt.

Na página 16 dessa incrível obra, após fazer sua introdução à edição brasileira, o Pe. Haroldo J. Rahm coloca uma nota:

“No capítulo 14, nº 6, 3º parágrafo, o Pe. MacNutt menciona a oração em línguas. No Brasil e em outros países, no meio católico, esse assunto tem encontrado injustificada incompreensão. No caso do presente livro, pode prejudicar a aceitação de verdades dogmáticas perfeitamente admissíveis. Para melhor entendimento da matéria, o leitor pode consultar os seguintes livros:” (cita o emblemático Sereis Batizados no Espírito, a Bíblia de Jerusalém e dois Dicionários bíblicos).

Outro texto publicado em 1988 veio a afirmar:
“Muitos dos carismas não apresentam problema algum às pessoas não envolvidas na Renovação Carismática Católica. Entretanto o carisma de línguas representa um problema. (...) Assim este dom autêntico humilde e humilhante, não pertence ao essencial da mensagem evangélica” e ainda,

“O Dom das Línguas não é o objetivo da Renovação – A Renovação Carismática não tem o propósito de levar todos os cristãos a orar em línguas. Deseja contudo, chamar a atenção para a plenitude dos Dons do Espírito Santo – um dos quais é o Dom de Línguas – (...)”
(Orientações Teológicas e Pastorais da Renovação Carismática Católica, de diversos notáveis teólogos e sacerdotes coordenados pelo Cardeal Suenens, Edições Loyola, pp. 62 e 64).
Creio que as coisas não mudaram. E não podemos confundir “aceitação” com “compreensão” de parte dos não participantes da RCC. Espero estar equivocado e mesmo assim creio na utilidade de nos reciclarmos, pois o Espírito é incrivelmente dinâmico, está sempre em movimento.

Aos participantes da RCC, portanto, nada custará aprofundarem nesse dom autêntico.

Por tudo isto a grande exortação que o Espírito colocava em meu coração era precisamente “há muito ainda a ensinar e aprender sobre esse inefável e incompreendido dom”.

As dificuldades que encontramos, aqui no Brasil e possivelmente em outros países, talvez residam no fato de não termos dado o devido e necessário tratamento a esse dom elementar mas fundamental aos nossos ministérios. Tememos passar pelas mesmas decepções do início quando, escarnecendo de nós carismáticos, nossos irmãos na fé repetiam o texto de Atos 2, 13 “Estão todos embriagados de vinho doce” ou algo mais contundente.
Trinta anos depois dessa nota do livro citado, muitas verdades dogmáticas têm sido prejudicadas por falta de aceitação desse dom carismático e não somente no ministério de Cura e Libertação.

Não vou tentar em poucas linhas expor tudo o que sabemos na teologia, na doutrina católica, sobre esse dom, pois não caberia em poucas laudas. Prefiro desafiar os leitores a procurar nele se embriagarem novamente e de novo.

Depois vou apontar a frase paulina a Timóteo “A ninguém imponhas as mãos inconsideradamente” (1 Tm 5,22).

Não peçam precipitadamente para os neófitos o dom de Línguas sem que eles estejam preparados para receber essa força do Alto, ou depois ficarão cambaleando, em silêncio, olhando, sem poder entender, de forma mínima, tão excelso dom.

É correto dizer que o Espírito Santo capacita os escolhidos, mas não dispensa os capacitados. Não dispensa, mas incentiva e assiste no estudo da doutrina, interpretação bíblica, teologia e áreas afins. Sim. A graça supõe a nossa inteligência, nossa mente consciente.

Entendo que, em termos humanos, hoje, o crescente consumo de álcool se deve à veiculação contínua de lascivos comerciais de cerveja e mesmo de cachaça (com a irônica advertência “Beba moderadamente”). Óbvio que por trás disto age o inimigo de Deus.
Podemos, no entanto, deste mal, tirar um bem. No bom sentido espiritual é preciso criar em nossas assembléias, nos grupos, de Oração, “comerciais” veiculando o desejo de “se embriagar” do vinho novo do Espírito; não para torná-los “dependentes”, evidente, mas para evitar a embriaguez sentimental, emocional e passageira.

Não podemos mais tratar o Dom de Línguas de maneira trivial, pelo fato de o “dominarmos”. Ninguém domina essa força de Deus!

Em Corinto, muitos convertidos, certamente pensavam dominar os carismas. Isto não evitou ciúmes, discórdias e contendas internas na comunidade e até levada aos tribunais pagãos (cf. 1 Cor 1,11-12;3,3-7.18; 6,1-3). Olhavam para si mesmos, para Apolo e Paulo e se desviaram (1 Cor 3,1-8).

(E, por Deus, não me refiro a isto porque ocorra na RCC, mas para alertar sobre os riscos da tentação do orgulho e da presunção que nos desviam da santidade).

Os líderes e servos mais experientes, simples agentes e administradores dos mistérios de Deus (1 Cor 4,1-2), sabem que o carisma das Línguas está explicitamente citado em nosso Catecismo, item 2003, ao lado dos Milagres, e se “ordenam à graça santificante” e se acham “à serviço da caridade, que edifica a Igreja” - textualmente as palavras do Catecismo. Devemos nos questionar, hoje, se isso tem sido levado ao conhecimento da assembléia como forma de ensino intensivo.
Daí surgem algumas interrogações de ordem prática:
- Quantos irmãos e irmãs do núcleo no seu grupo de Oração (vou me limitar a eles) podem imediatamente responder a um leigo ou aos sacerdotes esta, e outras referências ao dom de Línguas?

- No seu Grupo de Oração, ou nos Seminários de Vida no Espírito (SVES), tem sido programado o ensino extensivo e continuado sobre Línguas e Interpretação das Línguas?
- Os membros do seu núcleo, da sua Comunidade, distinguem claramente e aplicam, o que é Falar, orar e profetizar, em Línguas e sua Interpretação?
- Os líderes e servos têm noção dos carismas como algo essencialmente ministerial e pertencente à vida cotidiana da Igreja?

Finalizo, pedindo perdão por não conseguir colocar em letras, um grande texto sobre esse maravilhoso Carisma das Línguas. Foi uma experiência válida. Descobri, sinceramente, que pouco sei e tenho muito a aprender. Limitar-me-ei, pois, a me comunicar em minha “bebedeira” matinal e diária. Glória a Deus!

“Aspirai aos dons superiores. E agora, vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos” (1 Cor 12,31).

Lício Nepomuceno
Data de publicação: 19/01/2006
Autor de “O desafio do Espírito” e “O Espírito Santo: Chave-Bíblica”, Editora Santuário, coleção Paulo Apóstolo e RCC Novo Milênio.
Endereço eletrônico do autor – licios@gma

RCC BRASIL: http//www.rccbrasil.org.br/pregacao/artigo04.html

O MILAGRE DO LOUVOR!!!

O MILAGRE DO LOUVOR

Estimados irmãos e queridas irmãs, atendendo ao chamado que nosso Senhor Jesus faz a todos os cristãos, partilharemos hoje algumas idéias e experiências sobre o louvor. Uma delas não trata diretamente do louvor, mas vai levar a ele. Trata-se dos milagres que recebemos por meio de promessas. Aqueles votos que se fazem, prometendo realizar alguma coisa devido a uma graça recebida. Creio que todos nós os conhecemos. Em Trindade - GO, como em Aparecida-SP, existem museus destinados a conservar alguns sinais das promessas pagas, tais como: fotografias, muletas, vestidos de noivas, objetos representando várias partes do corpo humano que foram curadas mediante promessas, dentre outros.

Nos meus tempos de menino morei em Trindade. Moramos lá por pouco tempo, mas o suficiente para eu aprender a amar o Pai Eterno e ficar marcado para sempre pela experiência do amor do Pai, do meu Pai. É isso, para mim, embora eu saiba que o Pai é nosso, eu o tenho por meu, entende? Meu pai. Ele não deixa de ser seu também, mas que é meu, ah... isso é!

Ao crescer, já morando em outras cidades, estudando, conhecendo as coisas e o mundo, questionando, buscando idéias e sonhos, notei que algo me intrigava, e uma indagação sempre martelava meu pensamento. Eu imaginava: “Por que Deus, sendo um pai tão bom, precisa de pagamento de promessas para fazer milagres?” Quanto mais eu pensava, mais perplexo ficava. Realmente eu não entendia a razão pela qual o Senhor parecia atender somente os pedidos seguidos de promessas. Quando eu confrontava isso com o seu infinito amor, não via nenhuma lógica em ter que fazer promessa para conseguir alguma graça. Entretanto, por outro lado, não via nenhum milagre acontecendo sem os votos. Eu estava em um impasse, que durava alguns anos.

Por essa época fui a um encontro de oração da Renovação, cujo tema era “Cristo Rompe as Cadeias”. Ele foi realizado no ano de 1984, no Ginásio Rio Vermelho, em Goiânia. Durante este encontro vi muitas curas acontecendo. Algumas poderiam ser consideradas verdadeiros milagres, como foi o caso de uma mulher que começou a enxergar, apesar de ter o cristalino do olho furado. E tudo isso acontecia em minha presença, sem as promessas e os votos. Eu mesmo, que havia chegado àquele encontro com a alma ferida, sentindo uma imensa dor que destruía minha vontade de viver, comecei a sentir uma grande alegria, que jamais havia experimentado, juntamente com uma poderosa esperança, que me fazia crer e sentir que minha vida tinha solução, que eu não era um caso perdido.

Um ano e meio depois daquele encontro comecei a participar de um grupo de oração e fiz o Seminário de Vida no Espírito. O Senhor me dava a alegria de experimentar um crescimento interior, mas os questionamentos não diminuíam, ao contrário, aumentavam em quantidade e em intensidade. Eu até pensava que se o Senhor aparecesse para mim como apareceu aos Apóstolos, eu lhe faria inúmeras perguntas.

Por aquela época eu já havia lido os principais livros que existiam. Lia os que ensinavam a participar dos grupos de oração, os que falavam de louvor, de carismas, de cura interior, de testemunho. Lia sem parar. Quanto mais lia, mais resposta eu tinha e mais meus questionamentos aumentavam. Enquanto lia me esforçava para praticar o que estava aprendendo. E foi assim que aprendi a louvar e a conhecer o milagre do louvor. E, confesso, isso me fascinou, pois, como disse acima, vivi em um ambiente muito propício aos milagres.

Dentre as graças que experimentei através do louvor, partilharei uma com vocês. Todavia, em homenagem à clareza de entendimento, antes contextualizarei a situação em que eu viva na época.

Era final do primeiro semestre de 1992. Eu estava ajudando o Rosário, um dos bons pregadores que já passaram por aqui, a ministrar um discipulado na cidade de Agudos, localizada no interior de São Paulo. Além de nós, o Dialmas e a Aída compunham a equipe. Durante este encontro tive muito tempo para oração pessoal. E aproveitei. Ao ir ao Santíssimo a primeira vez, naquele encontro, imediatamente senti vontade de entregar ao Senhor o que mais me angustiava naquele momento. E o que então mais me afligia era minha vida profissional. Estava quase completando cinco anos que eu havia concluído a faculdade, mas não trabalhava em minha profissão. Meu emprego não era ruim, mas nele eu ganhava bem menos do que ganharia se desempenhasse uma função condizente com minha formação. Além disso, sempre que eu tentava incentivar meus irmãos a estudarem, percebia que eles me diziam com o olhar: “Estudar para quê? Seus estudos não lhe deram nada!” Essa mesma situação se repetia com outros jovens, quando eu tentava estimulá-los a adquirirem uma boa profissão.

Dessa forma, além do prejuízo financeiro que eu estava sendo obrigado a suportar por ter investido tanto tempo e dinheiro em uma faculdade que não havia me dado nenhum retorno durante dez anos – cinco anos e meio de curso e quatro e meio que se passaram após concluir os estudos – ainda tinha que aturar a humilhação diante dos mais queridos, que eram meus irmãos e os jovens que eu coordenava. Esse sentimento de humilhação que eu suportava me trazia um grande desgaste emocional.

Naquele dia, ao tentar entregar ao Senhor a minha vida profissional pela enésima vez, senti que novamente não estava conseguindo. Pedi ajuda ao Senhor e unção ao Espírito Santo. Imediatamente uma idéia me passou pela cabeça: louvar. “Mas louvar pelo quê?”, pensei. “Minha vida está uma droga”, continuei pensando. “Ajuda-me, Senhor”, pedi.

E foi assim, timidamente, lutando comigo mesmo, embaraçando no meu racionalismo, que experimentei uma das grandes graças advindas através do louvor. Naquele momento uma frase foi se formando na minha mente. Lembro-me dela como se a estivesse pronunciando agora. Era assim: “Ó Pai, em nome de Jesus, vos louvo por não trabalhar em minha profissão”. Quando pronunciei essa frase pela primeira vez não me senti bem, parecia que eu estava fingindo. Senti-me um grande hipócrita, pois o que eu queria era pedir a Deus que me fizesse trabalhar em minha profissão e não louvá-lo por estar sem trabalhar naquilo que eu desejava. Senti vontade de desistir do louvor, mas, a essa altura, o Espírito Santo já havia assumido o comando da minha oração e não me deixou desistir. Ele me inspirava motivos para continuar o louvor. Para isso me fazia recordar alguns versículos bíblicos.

Eis os versículos acima mencionados: “Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” (Ef 5,19-20). “Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito.” (1Ts 5,16-19).

Daí para frente esses versículos foram o mapa que segui para louvar. Eu pensava: “Sei que de mim mesmo não sai um bom louvor. Sei que com minhas próprias forças não consigo e nem quero louvar. Mas em nome de nosso Senhor Jesus Cristo eu estou louvando. Vou tentar louvar como se ele, Jesus, estivesse louvando em meu lugar”. E assim louvei. Louvei muito. Louvei por três dias quase sem parar. Foi uma maratona. Só parava quando estava pregando. Louvava na capela, louvava no refeitório, louvava enquanto me banhava, louvava pelos corredores.

Por outras vezes fui tentado a não louvar, pois em minha razão não encontrava motivos para o louvor. Mas de todas as tentações o Senhor me livrou. Lembro-me com limpidez que Jesus abriu meu entendimento para louvar, por meio da combinação dos versículos acima, mais ou menos assim: “Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo! Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito.” E eu pensava: “Por todas as coisas e em todas as circunstâncias! As coisas são boas? Louve, em nome de Jesus. As coisas não parecem boas? Louve, em nome de Jesus. As circunstâncias, acontecimentos, situações, são favoráveis? Louve, em nome de Jesus. As circunstâncias, acontecimentos, situações, são desfavoráveis? Louve, em nome de Jesus. Louve sempre, sempre... e sempre. Mas louve ao Senhor.”

Enquanto eu louvava, comecei a receber muitas curas emocionais e espirituais. Pedras de ódio, ressentimento, amargura, rancor, humilhação, frustração, revolta foram quebradas. Quanto mais eu louvava, mesmo que sem vontade, sentia que algo de bom estava prestes a acontecer em mim. E eu louvava, e aconteceu. A última cura que recebi foi em relação ao próprio Deus, o meu Pai do céu. Eu estava muito amargurado com ele, pois havia orado e parecia que ele não tinha me atendido. Eu orava, mas segundo a minha visão parecia-me que ele permitia que eu fosse humilhado diante dos jovens e dos meus irmãos. Por fim, senti meu coração totalmente livre. Pensava nas pessoas e em Deus, assim como no meu emprego e na minha profissão e não sentia tristeza, amargura, rancor, ódio ou revolta. No final do sábado, havia começado a maratona de louvor na quinta-feira, senti muita alegria e junto com a alegria uma convicção de que Deus havia assumido a direção da minha vida, finalmente.

Durante a missa, na noite daquele sábado, eu estava tão livre, mas tão livre que aceitava inteiramente a vontade de Deus. A aceitação da vontade do Senhor era tão grande que tive uma pontinha de medo dos meus pedidos não serem atendidos. Devido a esse sentimento de temor, após a comunhão conversei assim com Jesus: “Jesus, o senhor sabe que não desisti da minha profissão. O senhor sabe o quanto eu quero exercê-la, mas aceito a vontade do Pai na minha vida, seja ela qual for. Mas gostaria que o Senhor soubesse que não desisti de ser advogado”. Terminei essa conversa com o Senhor, e nem ouvi o que ele disse. Comecei a rir de mim mesmo. Notei que ainda estava preso em meus sonhos, mas ao mesmo tempo percebi que os meus sonhos não eram mais meus, pertenciam ao Senhor e o que ele fizesse estaria bom.

No domingo voltamos para Goiânia. Por volta de vinte e três horas estava em casa. No dia seguinte, segunda-feira – pensem bem, no dia seguinte – por volta de nove horas (da manhã), um amigo me convidou para trabalhar com ele. Era a primeira proposta que eu recebia para trabalhar na minha profissão, após quase cinco anos de concluir a faculdade. Aceitei o convite.

Imediatamente comecei a pensar, tentando entender a razão pela qual o Senhor me atendeu após o louvor. Lembrei-me que durante meus louvores, influenciado pelas idéias dos livros que eu havia lido e pelos testemunhos que havia ouvido, todos dizendo que Deus concede graças mediante o louvor, havia lutado muito para não transformar os louvores em lamentos e orações de súplicas, porque, pensava eu, seria mais honesto pedir diretamente o que eu queria do que transformar uma oração bela como o louvor em uma barganha. Aliás, essa foi uma das maiores tentações que tive durante a maratona de louvor, pois já que não estava conseguindo louvar sinceramente, pensei que seria melhor não louvar. Ainda bem que o Senhor não permitiu que eu parasse, pois com o tempo o louvor se tornou sincero.

Analisando meus louvores notei que o milagre verdadeiro que me aconteceu foi o meu coração se abrir para Deus. Com a abertura do meu coração Deus pôde me atender um pedido que lhe havia feito há anos, repetidamente. Então é isso, quando se louva em nome de Jesus, por todas as coisas e em todas as circunstâncias, o toque do Senhor faz nosso coração se abrir para Deus. Com isso as barreiras se rompem, possibilitando que ele nos atenda.

Tenho observado que tudo o que Deus precisa para fazer um milagre é de nosso coração aberto. Meu Pai está sempre pronto a fazer o melhor para os seus filhos. O coração aberto desses filhos é a via por onde passam os milagres. E um dos melhores meios para se abrir um coração e mantê-lo aberto, indiscutivelmente, é o louvor. O louvor expressa nossa intenção de aceitar a vontade de Deus da maneira mais direta e real possível. É no louvor – e também na adoração – que mais reconhecemos que Deus é Deus, que Deus é o criador, o senhor, o dono de tudo. Nada escapa ao seu divino e soberano olhar. O louvor nos ajudar a reconhecer e a aceitar que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. E, creia, isso não é pouco. Isso é o que o Pai Eterno pode estar esperando de nós para fazer aquele milagre que esperamos.

É bem verdade que os corações se abrem também para os milagres mediante votos e promessas. Mas o faz por outros motivos, que poderão ser analisados noutro dia.

Enfim, penso que compreendi a razão pela qual Deus faz milagres por meio de promessas, votos e louvores. Não é Deus que precisa de promessas e votos. Ele não é comerciante. Não é Deus que necessita dos nossos louvores para se tornar mais Deus, a fim de nos atender. Somos nós que, devido a nossas fraquezas, necessitamos de mecanismos para abrir o coração e disponibilizá-lo ao Senhor, a fim de que ele possa atender nossos clamores. E Deus mesmo nos fornece tais mecanismos, que são excelentes meios para nos ajudar a disponibilizar-lhe nosso coração. Dentre tais meios destacamos o dom do louvor, que nos mantêm ligados ao Senhor e, uma vez ligados a ele, podemos permanecer cheios do Espírito Santo que nos torna filhos de Deus aptos a distinguir e a aceitar a vontade do Pai em todas as circunstâncias e em relação a todas as coisas, a fim de que ele possa operar poderosamente em nosso favor, alterando as situações e circunstâncias que lhe aprouverem, concedendo-nos o que nos for bom e modificando o nosso coração, o nosso querer e sentir, para entender e aceitar o que não poderá ser alterado, ainda ou nunca. Nisso consiste a vereda da felicidade.

Antes de nos despedir, gostaria que vocês se lembrassem que os louvores eficazes são feitos em nome de Jesus e por todas as coisas e em todas as circunstâncias. Agora é só experimentar e perseverar. Ainda que o exercício do louvor pareça uma maratona, tudo o que devemos fazer é louvar, louvar... e louvar. Tudo o mais é com o Senhor. Então, ânimo! Pratiquemos. Praticando veremos o quanto Deus é fiel às suas promessas. Praticando comprovaremos que o primeiro milagre do louvor é a abertura de coração para Deus e, principalmente, que isso nos coloca no âmago da alegria interior e da paz que supera todo entendimento, enfim, verificaremos que isso é estar face a face com a felicidade. Amém

Muito obrigado. Até outro dia. Deus os abençoe.

Dercides Pires participa do Ministério de Pregação da RCC, escritor

EXTRAÍDO DO SITE RCC BRASIL: http//www.rccbrasil.org.br/pregacao/artigo01.html

ARTIGOS SOBRE A INQUISIÇÃO PROTESTANTE

Quero ressaltar que esse assunto encontra-se no Blog CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS DE TIANGUÁ : http//cdltiangua.blogspot.com. Coloco aqui objetivando a maior compreensão histórica sobre a inquisição para estudos bíblicos.

A INQUISIÇÃO PROTESTANTE
Autor: Fernando Nascimento

Introdução

O artigo que segue, revela em rica bibliografia, os números de mortos, e requintes de crueldade dos incomparáveis tribunais eclesiásticos protestantes. E deixará claro que as levianas acusações protestantes contra a Igreja Católica sorrateiramente mudaram a palavra “inquisição”, que quer dizer apenas: “sindicância”, “investigação”, em sinônimo de “matança de pessoas”. Ainda hoje, esse erro circula no meio protestante. Tal quimera caiu por terra, quando o renomado historiador Agostino Borromeo, após demorado estudo sobre a inquisição, concluiu que não chegaram a cem, o número de mortes, cometidas por católicos que em desobediência ao Papa, empregaram pena de morte contra os inquiridos.

Antes, abramos um parêntese, para de fato mostrarmos conforme os historiadores, que muita calúnia se lançou contra a Igreja Católica, no que concerne a falsa acusação de matança de “centenas”, “milhares” e até “milhões” de pessoas. Pura lenda, que na verdade não passava de mentira estratégica protestante, fomentada por anticatólicos como: Russel Hope Robbins, o apostata Doelling, Jules Baissac, Jean Français e Reinach.

O próprio Rui Barbosa quando principiante inexperiente, traduziu “O Papa e o Concílio” uma obra de um deles, do Doelling, e se arrependeu mais tarde, proibindo no prefácio a publicação da mesma, pelas calúnias apaixonadas. Dizia mais tarde Rui Barbosa, quando maduro e experiente: “Estudei todas as religiões do mundo e cheguei a seguinte conclusão: religião ou a Católica ou nenhuma.” (Livro Oriente, Carlos Mariano de M. Santos (1998-2004) artigo 5º).

Publicou a Agência européia de notícias Zenit: [CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 16 de junho de 2004 (ZENIT.org).- Atualmente, os pesquisadores têm os elementos necessários para fazer uma história da Inquisição sem cair em preconceitos negativos ou na apologética propagandista, afirma o coordenador do livro «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”».

No volume, Agostino Borromeo, historiador, recolhe as palestras do congresso que reuniu ao final de outubro de 1998, no Vaticano, historiadores universalmente reconhecidos especializados nestes tribunais eclesiásticos.

«Hoje em dia --afirmou essa terça-feira, em uma coletiva de imprensa de apresentação do livro, o professor da Universidade «La Sapienza» de Roma-- os historiadores já não utilizam o tema da Inquisição como instrumento para defender ou atacar a Igreja».

Diferentemente do que antes sucedia, acrescentou o presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos, «o debate se encaminhou para o ambiente histórico, com estatísticas sérias».

O especialista constatou que, à «lenda negra» criada contra a Inquisição em países protestantes, opôs uma apologética católica propagandista que, em nenhum dos casos, ajudava a conseguir uma visão objetiva.

Isto se deve, entre outras coisas --indicou--, ao «grande passo adiante» dado pela abertura dos arquivos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), ordenada por João Paulo II em 1998, onde se encontra uma base documental amplíssima.

Borromeu ilustrou alguns dos dados possibilitados pelas «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”».

Revela o historiador sobre os processos e condenação referentes ao tribunal católico: “dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição espanhola condenou à morte 59 «bruxas». Na Itália, acrescentou, foram 36 e em Portugal 4. Se somarmos estes dados --comentou o historiador-- não se chega nem sequer a cem casos...”
A Inquisição na Espanha, afirmou o historiador, em referência ao tribunal mais conhecido, celebrou entre 1540 e 1700, 44.674 julgamentos. Os acusados condenados à morte foram 1,8% e, destes, 1,7% foi condenado em «contumácia», ou seja, pessoas de paradeiro desconhecido ou que em seu lugar se queimavam ou enforcavam bonecos].(1) Até aqui a notícia de ZENIT.org.

Outro historiador, o protestante, Henry Charles Léa, cita 47 bulas, nas quais a Santa Sé continuamente insiste na jurisprudência que deve se observar nos tribunais eclesiásticos católicos. Alertam para não cair na violência e injustiças freqüentes dos juizes leigos. Basta folhear a monumental obra do próprio Léa, para convencer-se que na realidade as bruxas foram perseguidas e condenadas mais pelos detentores do poder civil e pelos protestantes do que pelo tribunal católico. (2)

Também o historiador Daniel Roups, é categórico nos seus registros: ”Foram numerosos os cânones dos concílios que, excomungando os hereges e proibindo os cristãos de lhes darem asilo, não admitiam que se utilizassem contra eles a pena de morte. Deviam bastar as penas espirituais ou, quando muito, as penas temporais moderadas”. (3)

João Paulo II enviou uma mensagem com motivo da apresentação das «Atas» do Simpósio Internacional sobre a Inquisição, na qual sublinha a necessidade de que a Igreja peça perdão pelos pecados cometidos por seus filhos através da história. Ao mesmo tempo, declarava, «antes de pedir perdão é necessário conhecer exatamente os fatos e reconhecer as carências ante as exigências cristãs».

Pelos filhos da Igreja Católica, que em desobediência cometeram alguns crimes, o Papa João Paulo II pediu perdão. Mas, quando o protestantismo parará de deturpar, omitir e caluniar, reconhecendo finalmente os extermínios que cometeu e atribui maldosamente aos católicos? Fecha parêntese.

VEJAMOS ENTÃO, A VERDADE DOCUMENTAL, E A CRUELDADE SEM PRECEDENTES DOS TRIBUNAIS PROTESTANTES.

A quantidade de registros literários dos próprios protestantes é vasta, porém, estranhamente ocultada pelos livros escolares, pela imprensa e mídia em geral. Muitas vezes vemos o que é omitido pelo lado protestante sendo por esses veículos, atribuídos maldosamente à Igreja Católica.

- O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia: “(…) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).

Uma vez no protestantismo, já ensinava Lutero aos protestantes: “Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da igreja (luterana).” (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).

Logo a mentira, a omissão e o falso testemunho se tornaram a coluna da doutrina dos pseudos “reformadores” protestantes.

A crueldade foi especialmente severa na Alemanha protestante. As posições de Lutero, contra os anabatistas, causaram a morte de pelo menos 30.000 camponeses. (4)

Calvino, pai dos presbiterianos, mandou queimar o espanhol Miguel Servet Grizar, médico descobridor da circulação sanguínea. Acusado de heresia, Servet foi preso e julgado em Lyon, na França. Conseguiu evadir-se da prisão e quando se dirigia para a Itália, através da Suíça, foi novamente preso em Genebra, julgado e condenado a morrer na fogueira, por decisão de um tribunal eclesiástico sob direção do próprio Calvino. A sentença foi cumprida em Champel, nas proximidades de Genebra, no dia 27 de outubro de 1553. Puseram-lhe na cabeça uma coroa de juncos impregnada de enxofre e foi queimado vivo em fogo lento com requintes de sadismo e crueldade. (5)

O luterano Benedict Carpzov, foi legista brilhante e figura esclarecida, até hoje ocupando lugar destacado na história do Direito Penal. Mas perdia a compostura contra a bruxaria, que considerava merecedora de torturas três vezes intensificadas com respeito a outros crimes, e cinco vezes punível com pena de morte. Protestante fanático, afirmava, quando velho, ter lido a Bíblia inteira 53 vezes. Assinou sentença de morte contra 20.000 bruxas, apoiando-se principalmente na “Lei” do Antigo Testamento. Não compreendendo o verdadeiro significado da Bíblia, considerava o Pentateuco como lei promulgada pelo próprio Deus, Supremo Legislador. Carpzov, para condenar a morte, usava (Lv 19,31; 20,6.27; Dt 12,1-5), citava de preferência o Êxodo (22,18); “Não deixarás viver a feiticeira”. (6)

Outro famoso perseguidor de bruxas na Alemanha, foi Nicholas Romy, considerado grande especialista e que escreveu um longo tratado sobre bruxaria, teve sobre sua consciência a morte de 900 pessoas. (7)

Já Froehligh, reitor da Universidade de Innsbruck e catedrático de Direito, que chegou a ser chanceler da Alta Áustria, insistia em que não só as supostas bruxas fossem condenadas, senão também seus filhos! E não se precisava muito para ser considerada bruxa, pois o seria qualquer pessoa que não tivesse um olhar franco.(8)

Naquele ambiente de superstição, crueldade e pânico perante as bruxas, foi possível o aparecimento de um Franz Buirmann, pervertido magistrado protestante e degenerado inimigo da bruxaria. Era um juiz itinerante. Referindo-se a ele dizia seu contemporâneo Hermann Loher: “Preferiria mil vezes ser julgado por animais selvagens, cair numa fossa cheia de leões, de lobos e ursos, do que cair em suas mãos”.

Deste impiedoso juiz se afirma que somente em duas incursões que realizou por pequeninas aldeias ao redor de Bonn, que perfaziam um total de 300 pessoas contando-se crianças e velhos, queimou vivas nada menos que 150 pessoas! Consta que ao menos em duas oportunidades (da viúva Boffgen e do Alcaide de Rheinbach), o juiz se apoderou de todos os bens dos condenados à fogueira (o Alcaide de Rheinbach era seu inimigo político. . .).(9)

Em Bamberga, sob a administração de um bispo protestante, queimou-se 600 pessoas. Na Genebra protestante, foram queimadas 500 pessoas no ano 1515. (10)

Se os protestantes do passado nenhum valor davam a essas muitíssimas vidas ceifadas no fogo, muito menos valor dão os protestantes de hoje, que por ignorância, orgulho ou omissão, se escusam de um simples pedido de perdão, para não ter que admitir as iniqüidades que falaciosamente atribuem aos outros.

A técnica, é a mesma do gatuno que bate uma carteira e grita: “pega ladrão!!!” Baseados no grito do gatuno, as mal informadas e ou mal intencionadas editoras de livros didáticos, a imprensa e a mídia fazem o resto do trabalho sujo. Tudo contribui para a perdição do que não busca conhecer a verdade.

Dizia Marcus Moreira Lassance Pimenta: “Ao ignorante, basta uma mentira bem contada para que a tenha como verdade. E ao sábio, não há mentira que o impeça de buscar a verdade”.

Bibliografia:

1. Agência Zenit, Sunday, June 20, 2004 1:17 PM.

2. Henry Charles Léa, A History of the inquisition of the Middle Ages, 3 vols. Nova Yorque, Happer, 1888, principalmente vol. I, pp. 137ss; tradução de Salomon Reinach, Historie de L’Inquisition au Moyen-Áge. Ouvrage traduit sur l’exemplaire revu et corrigé de l’auter, 3 vols., Paris, 1900-2 vol. 3.

3. Daniel-Rops, História da Igreja de Cristo, vol. III, A Igreja das Catedrais e das “Cruzadas”, Quadrante, pp. 605-606.

4.. VEIT, Valentim, História Universal, Livraria Martins Editoras, SP, 1961, Tomo II, pp. 248-249.

5. http://www.adventistas.com/marco2003/miguel_servetus.htm

6. Benedict Carpzov, Practica Nova Rerum Criminalium Imperialis Saxonica in Tres
Partes Divisão, Wittenberg, 1635.

7. Nichólas Romy, Daemonolatriae Libri Tres, Lião, 1595; Colônia, 1596; Frankfurt, 1597.

8. Johan Christopher Froehlich von Froehlichsberg, De sorcelleria, Innsbruck, 1696;
tradução: Animismes, Paris, Orent, 1964, pp. 62ss.

9. Cf.. Jacques Finné, Erotismo et sorcellerie, Verviers (Bélgica), Gerard, 1972; tradução de Charles Marie Antoine Bouéry, Erotismo e feitiçaria, São Paulo, Mundo Musical, 1973, p. 41.

10. W. Bommbeg, The mind of man: the history of man’s conquest of mental illness, 2ª ed., Nova Yorque, Harpel, 1959; tradução: La mente del hombre, Buenos Aires, 1940.

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A SEVERIDADE DOS TRIBUNAIS PROTESTANTES
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Foram terríveis os genocídios causados pelos protestantes na Alemanha. A então Alemanha estava dividida em mais de trezentas circunscrições, cada uma delas com seu próprio Supremo Tribunal civil e seu Direito particular. A perseguição às bruxas e a severidade dos castigos, dependiam geralmente dos respectivos senhores de cada região, que governavam com muita independência e poder quase absoluto.

Dentro de cada região, havia oscilações pendulares inclusive extremas, segundo os critérios subjetivos do mesmo senhor e segundo os conceitos das diversas sucessões no poder através dos anos e dos séculos. Daí a dificuldade em se calcular o número de pessoas condenadas à fogueira e à forca na Alemanha. Mas, das crônicas e processos regionais que chegaram até nós, cabe deduzir, que as vítimas se contaram por milhares. Gardner calcula 9 milhões (1). Morrow simplesmente diz que foram milhões (2).

W. A. Schoeder, contemporâneo aos fatos, anotou que nas localidades de Bamberg e Zeil, entre 1625 e 1630, (cinco anos) se realizaram nada menos que 900 processos de bruxaria. Deles (numa exceção), 236 terminaram com condenação à morte na fogueira. Só num ano, 1617, em Wurzburgo, foram queimadas 300 bruxas (3); em total nesta região, as atas apresentam l.200 condenações à morte (4).

Em 20 anos, de 1615 à 1635, em Estrasburgo, houve 5.000 queimas de bruxas (5).

Em cidades pequenas como a imperial Offenburg, que só tinha entre dois e três mil habitantes, se desenvolveram acérrimas perseguições às bruxas durante três decênios, e em só dois anos, segundo as atas, foram queimadas 79 pessoas (6).

Segundo o VERITY MURPHY em 16/6/2004, da BBC de Londres, o novo e mais completo relatório da inquisição, indica que, no auge da Inquisição, a Alemanha protestante matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar.

Na Suíça, quando protestante, os casos de condenação de bruxas descritos nas crônicas conservadas, chegam a 5.417 (7). Nos Alpes Austríacos, as mortes chegaram ao menos a 5.000 (8).

Era absolutamente falsa a afirmação de muitos autores protestantes ingleses, de que a Inglaterra foi uma exceção dentro da bruxomania geral.
Segundo Ewen, (9), que cita documentos oficiais, o número de condenados à pena de morte por bruxaria, na Inglaterra protestante, exatamente de 1541 a 1736, teria sido menos de mil. As condenações à morte teriam sido menos de 30% das acusações. Mesmo assim, o comportamento inglês não fugiu ao ditado de que não há regras sem exceções.

Na Inglaterra destacava-se o protestante Mathew Hopkins que se autodenominava “descobridor geral de bruxas”. Parece que era um sádico encoberto. Quando encontrava uma mulher que excitava seus instintos sexuais anormais, obrigava-a a despir-se na sua presença e começava a fincar com uma agulha, as diversas partes do corpo dela (assim se procuravam áreas insensíveis, o que seria sinal de possessão demoníaca).
Mas… ele mesmo diante de outros protestantes, foi acusado de possuir estranhos poderes. Submetido às provas de bruxaria que empregara, foi condenado e morto (10).

Na Inglaterra não era necessário aplicar torturas — às vezes se deram! — porque a condenação freqüentemente era sentenciada sem necessidade de confissão por parte do acusado (11).
Em 1562 a rainha Elizabeth, e a versão definitiva do Witch Act ou “lei contra os bruxos”, de Jacques I em 1604, condenavam à morte a pessoa que tivesse feito qualquer malefício pretendendo acabar com a vida ou danar o corpo de alguém. Mesmo que não se percebesse efeito nenhum do malefício! Esta lei se manteve em vigor na Constituição até 1736.

Os protestantes do Reino Unido foram lentos. Na Inglaterra do século XVII, na área da interpretação dos fenômenos misteriosos ainda grassava a superstição demonológica, e houve várias condenações. O último juízo por bruxaria foi já entrado o século XVIII, em 1717, (12). E ainda demorariam mais vinte anos para abolir o estatuto inglês contra as bruxas, em 1736 (13).

A última morte por condenação como bruxa, na Escócia, foi em 1738. Na Irlanda, a lei contra bruxaria não foi abolida até 1821!
Em 1863, segunda metade do século XIX!, o povo inglês ainda linchou um velho por considerá-lo bruxo.

As perseguições protestantes atravessaram o Atlântico, e chegaram aos EUA. O primeiro corpo de estatutos — The Body of Liberties — que houve em Massachusetts, é de 1641 (14). Nele se diz: “Se algum homem ou mulher é bruxo que manifesta ou consulta um espírito familiar(?), será enviado à morte” (15).

A revisão de 1649 reiterava a mesma lei com pena capital (16). De sua vigência é um exemplo famoso, “o processo das bruxas de Salem,” em 1692. Como resquício, ainda hoje em alguns estados americanos, a pena de morte é vista com naturalidade, aos condenados gravemente pela justiça. Mudaram apenas os réus e a forma de exterminar.

O pânico da população perante as bruxas e a ira contra elas, refletem-se no caso de Ann Hibbins. Parece que foi acusada por motivos meramente socioeconômicos. Era irmã de um rico comerciante e antigo assistente da colônia, Richard Beilingham, que fora governador da Baía de Massachusetts. O júri a condenou. Os juizes não aceitaram o veredicto. O caso foi levado à Corte Geral. Foi fácil incitar a opinião pública. Tanto pressionaram a Corte que Ann Hibbins foi condenada à morte (17).

ATÉ CRIANÇAS ERAM QUEIMADAS PELOS PROTESTANTES

No ano 1670, na Suécia, houve um processo deplorável: Como conseqüência das declarações, arrancadas pelas interrogações feitas pelos teólogos protestantes, foram queimadas 70 mulheres, açoitadas mais 56, queimadas 15 crianças que já tinham chegado aos 16 anos e outras 40 foram açoitadas (18).

Na Alemanha protestante, o poder civil condenou Anna Maria Schwugelin. Foi decapitada como bruxa em 1759.

No dia 18 de junho de 1782, o governo protestante ainda decapitou uma bruxa na Suíça (19).

Agora os protestantes têem aqui reunidos, grande parte dos números de mortes, nomes e documentos, para a própria cruel “inquisição” de seus tribunais, que tanto omitem. E isso não é tudo.

Atacado por um diabólico ódio racial, Lutero antes de sua morte, lançou o panfleto “Contra os judeus e as suas mentiras.” onde pregava aos alemães, toda sorte de desumanidade contra os judeus, culminando no holocausto nazista. Esta obra, está reproduzida na “História do anti-semitismo”, de Leon Poliakov.
Dia 6 de maio de 1527, quando saquearam Roma, cerca de quarenta mil homens espalharam na Cidade Eterna o terror, a violência e a morte. Eram seis mil espanhóis, quatorze mil italianos e vinte mil alemães, quase todos luteranos, esses últimos, indivíduos perversos, gananciosos, desprovidos de qualquer escrúpulo. Gritavam: ”Viva Lutero, nosso papa!!!” Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, dos despojos do inimigo, os lanquenetes luteranos e os outros invasores assaltaram, estupraram, saquearam, incendiaram, trucidaram, arrebentaram as suas vítimas, jogaram crianças pelas janelas ou as esmagaram contra as paredes. Grande parte da população foi dizimada. Conforme disse Maurice Andrieux, esse ataque a Roma “superou em atrocidade todas as tragédias da História”, até mesmo a destruição de Jerusalém e a tomada de Constantinopla.

Todo esse genocídio com requintes de crueldade, parece encontrar doce justificativa nas palavras de Lutero, pai do protestantismo do “somente a fé”:

“… Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar…Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”. (Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 (American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963).

Esta “fé”, de Lutero, apesar de dirigida pela vontade, é um simples ato do intelecto. Apesar de necessária à salvação, não é suficiente. Tiago diz que até mesmo os demônios têm esta fé (Tg 2,19). É por este motivo que ele diz: “Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?” (Tg 2,24). Infelizmente, Lutero designou esta carta do Apóstolo de [i/”Carta de Palha”. Ele não entendeu o que Tiago esta querendo dizer (sobre a fé de Abraão): “Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas” (Tg 2,22). Sob o erro do pai do protestantismo, as seitas evangélicas ainda hoje, pregam que seus seguidores já estão “salvos”, só porque simplesmente “crêem” em Jesus. Se assim fosse, iriam encontrar Lúcifer no céu.

Bibliografia:

1. Gerald B. Gardner, Ursprung und Wirklichkeít der Hexen, Weilheim, 1965, pp. 30s.

2. F. Morrow, no prólogo e Montagne Summers, The history of wttchcraft and
demonology, 2a ed., Nova Iorque, 1956.

3. Citado por Merzbacher, Die Hexenprozesse in Franken, Munique, 1975, p. 43.

4. Kurt Baschwitz, Hexen und Hexenprozesse. Die Geschichte eines Massenwalms und Bekampfung, Munique, 1963; uso a tradução de Ana Grossman, Brujas y proceso de brujeria, Barcelona, Luiz de Caralt, 1968, p. 261.

5. Cf. Wilhelm Gottieb Soldan, Geschichte der Hexenprozesse aus der Quellen dargestellt, Stutgard, 1843; 2º edição revisasda: Soldan-Ludwig Julius Heppe, Geschichte der Hexenprozesse, 2 vols. Stuttgard, 1880; 3º edição revisada: Soldan –Heppe-Max Bauer, com o mesmo título, Munique, 1012, tomo I, p. 530.

6. Idem, Soldan –Heppe-Max Bauer, ibidem, p. 251.

7. Na tese doutoral de G. Bader, Die Hexenprozesse in der Schweiz, Zurique, 1945, p. 219.

8. Fritz Byloff, “Hexenglaube und Hexenverfolgung in der õsterreichischen Alpenlander” in Quellen zur deutschen Volkskunde, 1934, caderno 6, p. 159.

9. C. L. Ewen, Witccraft and demonianism, Londres, Muller, 1970; Witch hunting witch trial, Londres, 1062; Nova Iorque, Harper, 1971.t.

10. Ramiro A. Calle, La magia negra y el ocultismo (técnicas para el conocimento de si mismo y de los demás), Barcelona, Cedel, 1968, p. 271s.
11. Cf. Ronald Seth, Children against witches, Londres, Robert Hale, 1969, p. 14; Davies, Four centuries…, op. cit.

12. Mair, La brujería…, op. cif, p. 216.

13. Fox, Science…, op. cit., p. 25; sobre a Bruxaria na Inglaterra, Peter Haining, A circie of witches – An anthology of victorian witchcraft stories, Londres, Robert Hale, 1971; idem, The anatomy o f witchcraft, Londres, Souvenir, 1972; tradução deRené Cárdenas Barrios, La anatomia deIa brujería, México, Diana, 1976.

14. The body of liberties é reproduzido por William Witmore (ed.), The Colonial Laws of Massachusetts. Reprinted from the edition of 1660, with suplements to 1672. Containing also the Body of Liberties of 1641, Boston, City Council, 1889.

15. Ibidem, Liberty, 94, Capital Lawa, p. 55.

16. Cf. Winfield S. Nevins, Witchcraft in Salem Village in 1692, Salem-Massachusetts, Salem-Press, 1916, pp. 29s.

17. Thomas Hutchinson, History of the Colony of Massachusetts Bay, Londres, Thomas and John Fleet, 1764, p. 187; William F. Poole, “Witchcraft in Boston” in Justin Windsor (ed.), Memorial history of Boston, Boston, Tickner, 1881, tomo 2, p. 130.

18. B. Bekker, De betoverde wereld, Amsterdã, p. 576-587; trad.: Le monde enchaté, 6 vols. Paris, 1964.

19. Mair, La brujería…, op. cif, p. 216.

IRONI SPULDARO FALA SOBRE O SENHORIO DE JESUS!!!

O Senhorio de Jesus – A manifestação Dele na minha vida.

Ironi Spuldaro

Data de publicação: 03/03/2009



"Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, as primeiras confissões de fé da Igreja afirmam, desde o início, que o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai cabem também a Jesus, por ser Ele “de condição divina" (Fl 2,6) e ter o Pai manifestado esta soberania de Jesus ressuscitando-o dos mortos e exaltando-o em sua glória" (CIC §449).

Se tivermos Jesus como Senhor de nossas vidas, devemos estar dispostos a deixá-Lo no comando, modificando nossos conceitos e atitudes. Jesus só pode assumir o comando, se permitirmos que Ele torne-se dono e Senhor da nossa vida, e que tenhamos o desejo de sermos guiados por Ele.

A partir do momento que deixamos TUDO nas mãos do Senhor, começamos a experimentar a vontade de Deus para nossa vida, e sentirmos a necessidade de sermos cada vez mais dependentes Dele.Foi assim com os Apóstolos, eles tinham a necessidade de sempre estar com o Mestre.

Jesus está conosco, temos a certeza de que Ele está no meio de nós, mas precisamos continuamente fazer com que Ele esteja, e isto pode acontecer através de nossas ações. Cada gesto, cada sentimento deve ser reflexo do amor de Deus. É Jesus que está no irmão que muitas vezes estende a mão pedindo a nossa ajuda. Precisamos enxergá-Lo nos irmãos e amar com o mesmo amor que somos amados pelo Senhor.

Jesus está no meio de nós em todas as Santas Missas, onde se fez alimento para a nossa alma. Ele está no coração de quem O comunga; nesse momento somos verdadeiros Sacrários do Senhor.
Essa graça de Jesus em meio a nós tem me feito lutar com todas as forças para que a Cultura de Pentecostes se realize plenamente em nossos dias, no meu Grupo de Oração, na paróquia, no GO, nas casas todas as semanas, nos encontros.

Em nossos dias Deus tem se mostrado com prodígios e milagres. No começo de dezembro do ano passado estive em Marabá/PA, e encontrei a Dona Maria dos Remédios contando, emocionada, seu testemunho: após 17 anos afastada da Igreja e, freqüentando outros caminhos, certo dia, assistindo ao Programa Celebrando Pentecostes, foi batizada no Espírito e liberta de muitos males físicos e espirituais. Voltou a freqüentar a igreja e servir a Deus. Para Deus não há distâncias e tudo é possível para aquele que crê (Mc 9,23), Glória a Deus!

Outro testemunho é de Cascavel/PR. Em novembro, também de 2008, na Catedral, uma senhora no final do encontro parecia uma criança, de tanta alegria, depois de muitos anos totalmente surda, voltou a ouvir após a oração da efusão do Espírito. Glória a Deus!

Testemunhos de milagres, curas e libertações têm chegado até nós freqüentemente, verdadeiramente Deus está no meio de nós! Precisamos com toda a nossa vida, como Semeadores da Cultura de Pentecostes, Apóstolos e Apóstolas do Espírito proclamar que Jesus Cristo é o Senhor de nossa vida, de nossa religião e toda a nação. Amém! Aleluia! Deus te abençoe nesta missão.

Por Ironi Spuldaro

25 maio 2009

VOCÊ É MAIS UM CATÓLICO RAIMUNDO? POIS DESÇA DO MURO, OTÁRIO!!!

VOCÊ É MAIS UM CATÓLICO RAIMUNDO? POIS DESÇA DO MURO!!!

Pois é!!! Talvez você não aceite o que vai ler agora ou até queira fechar esse blog por não suportar o que vai escutar. Mas é melhor você escutar a Palavra e decidir ou não o céu do que ir pro inferno sem escutar a Palavra de Deus!!! Os profetas do Senhor estão tocando a trombeta dos últimos minutos, pois Jesus está às portas, e independentemente se você optar pelo céu ou pelo inferno você não pode fugir da escuta da trombeta da Palavra de Deus que os profetas do altíssimo estão anunciando. É tempo de mudança de vida e atitude de postura de filhos do alto, filhos do céu, filhos de Deus!!! Prepare-se pra subir, pois quando o Senhor Jesus voltar, a Igreja será arrebatada e quem ficar na terra, meu amado, você querendo ou não aceitar, o que vai acontecer é que o Inimigo número 1 de Deus, irá selar a fronte dos que ele quer levar pro inferno e aí, meu querido, ou você vai morrer como os mártires dos primeiros séculos assim fizeram por amor ao Senhor, derramaram sangue vivo pelo Senhor Jesus e por sua Igreja; ou, selado pelo diabo, habitará eternamente com ele no inferno, já que para aqueles que aceitarem o selo do diabo não haverá salvação!!!

Não dá mais pra ser cristão católico de faichada!!! Muitos católicos servem a Satanás e andam com ele dia e noite e acham que estão seguindo a Jesus de Nazaré e sendo servos de Deus na Igreja Católica!!! É PURO ENGANO!!! TEM CATEQUISTAS MANCHANDO O NOME DE JESUS E DA IGREJA! TEM CARISMÁTICOS MANCHANDO O NOME DE JESUS E DA IGREJA! TEM COORDENADORES DE MOVIMENTOS, CAPELAS E PASTORAIS MANCHANDO O NOME DE JESUS E DA IGREJA DE DEUS!!! O DIABO ESTÁ DESFILANDO NO TAPETE DA IGREJA-QUE SOMENTE JESUS DE NAZERÉ PODE DESFILAR!- E TEM UMA MULTIDÃO DE LÍDERES E LEIGOS QUE ESTÃO APLAUDINDO SATANÁS DE CAMAROTE!!!

Meus irmãos, expresso somente o que o Espírito Santo está mandando, pois na pregação que sai de minha boca, é Ele que decide as palavras que devem ser anunciadas! Agora, se você é mais um que diz que isso não vem do Espírito e que os que assim procedem são alienados, parabéns pra você!!! Você é mais um otário e trocha de Satanás, pois na Bíblia não há meia-verdade pra que estejamos em cima de um muro pulando pra cá e pra lá como muitos fazem em palavras e em atitudes! Por isso que muitos não se convertem! Por que os líderes da igreja e os leigos da casa de Deus não são os primeiros a dar testemunho da Palavra do SENHOR JESUS e sim de uma egolatria, o fato de fazerem o que querem por acharem que a Palavra de Deus é uma marionete que se faz o que quer: “ah, isso não é pecado!”, “Isso é normal”, “não! Podemos fazer isso ou aquilo, pois não há quem diga que é errado!” E aí fazem de Jesus um otário quando se justificam com palavras que enganam somente os bestas que não conhecem a Palavra de Deus!” Eita povo bom de levar “pêa” e nadar no lago do fogo do inferno se não aceitarem Jesus Cristo verdadeiramente como Senhor e Salvador!!!

Há católicos que fazem peça teatral da Palavra de Deus e há católicos que encarnaram o cristianismo nas suas vidas mesmo não sendo especialistas em religiãos, exegetas da Bíblia Sagrada e que nunca fizeram faculdade alguma, pois na única faculdade que nos dá o céu como certificado é o aceitamento a Jesus como Senhor e Salvador e a abertura total em fazer a Palavra de Deus!!! Pois o próprio Jesus disse que "nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus. Mas somente AQUELE QUE PÔR EM PRÁTICA A VONTADE DO MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS!!!” Mt 7,21

Mas o que está acontecendo é que os cristãos estão brincando de serem cristãos! É TEMPO DE SER SELADO POR DEUS ENQUANTO ELE DÁ OPORTUNIDADE DE CONVERSÃO!!! PREPARE-SE AGORA PARA RECEBER A GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO DE DEUS E ENTRAR ONDE OS SANTOS ADENTRARÃO PARA DIA E NOITE CONTEMPLAREM O DEUS QUE MORREU NA CRUZ E AO TERCEIRO DIA RESSUSCITPOU COM GLÓRIA E MAJESTADE DEIXANDO SATANÁS COM O RABO ENTRE AS PERNAS, JÁ QUE ELE PERDEU AS ALMAS QUE ELE ACHAVA QUE ERAM DELE!!!

Quantos católicos brincando de serem católicos! Catequistas brincando de serem catequistas! Coordenadores brincando de coordenar! Ministros da Palavra brincando de pregarem a Palavra de Deus! Carismáticos brincando de serem cheios do Espírito Santo! Padres brincando se serem padres e freiras brincando de serem freiras! Líderes de igrejas brincando de liderar!!!! Cheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeega de raça de víboras e especialistas de peça teatral de igreja. A palavra de Deus nos diz:

“SERÁS INTEIRAMENTE DO SENHOR TEU DEUS!” Dt 18,13

Você entendeu o que diz a Bíblia ou quer uma aula de Português? INTEIRAMENTE é INTEIRAMENTE!!! Ou você aceita casamento moderno em que a tua mulher é tua e de todos? Meu amado, não podemos ser 90% do Senhor! A Igreja não pode ser 95% do Senhor (aaaaaaaaah se ela fosse!), você não pode ser 99,9999999999999999 do Senhor!!! INTEIRAMENTE é 100%, completo, total... O NOSSO DEUS É UM DEUS CIUMENTO!!!

É TEMPO DE CONVERSÃO E DE MUDANÇA DE VIDA!!! É HORA DE ACEITAR JESUS COMO SENHOR E SALVADOR E ASSUMIR O COMPROMISSO DE SER CATÓLICO DE VERDADE!!! TIRE SUAS MÁSCARAS, POIS QUEM VIVE DE MÁSCARAS É SATANÁS!!! VOCÊ É FILHO DO DEUS ALTÍSSIMO!!! ASSUMA HOJE O SEU COMPROMISSO COM JESUS CRISTO SEM TER DÚVIDAS OU RESERVAS!!!
JESUS ESTÁ VOLTANDO E NO MOMENTO QUE ELE VOLTAR NÃO HAVERÁ TEMPO DE CONVERSÃO! O TEMPO É NESSE EXATO MOMENTO! DOBRE LOGO O SEU JOELHO E DIGA ASSIM: "JESUS, TU ÉS O MEU SENHOR E SALVADOR! QUERO TER UMA VIDA NOVA! DÁ-ME DO TEU ESPÍRITO SANTO! QUERO SER SANTO!!!"

CÁSSIO JOSÉ DOS SANTOS SOUSA
E-MAIL: cassiouab@hotmail.com

CÉSAR AUGUSTO FALA DE IGREJINHAS DE GARAGEM

Conta uma história antiga, diversas vezes contada por muitos autores, que certa vez Napoleão Bonaparte respondeu a um de seus soldados, que lhe sugeriu criar uma religião: “Meu filho, para alguém fundar uma religião é preciso duas coisas: primeiro, morrer numa cruz; segundo, ressuscitar. A primeira eu não quero; a segunda eu não posso”. Não sei se você, caro amigo internauta, já percebeu o aumento repentino de pequenas igrejinhas que costumo chamar de “igrejas de garagem”, proliferando-se nos mais diferentes recantos dos centros urbanos, num passe de mágica. Talvez você só perceba que se trata, realmente, de uma “igreja-templo”, depois de olhar com mais atenção. São muitos os pretensos “iluminados”, que com orgulho exacerbado se arrogam o divino direito de fundar uma igreja, ou nova religião. Parece até brincadeira!(...) Sem muito preparo e conhecimento na doutrina sagrada de Nosso Jesus Cristo, “armados” apenas de um amontoado de versículos e trechos da Sagrada Escritura, decorados e não contextualizados, num fundamentalismo inigualável, bradam euforicamente améns e aleluias, ferindo até mesmo, num sentido metafórico, os ouvidos do Altíssimo, que se tivesse audição, estaria surdo com tantos gritos. Soberba e charlatanismo! Penso que o nosso Deus revela-se muito mais na mansidão e no silêncio do que na algazarra desmedida.As velhas acusações contra a Santa Igreja Católica mais parecem um disco arranhado na boca desses falsos profetas. Não saber diferenciar IMAGEM de ÍDOLO, desrespeitar a Mãe do Salvador, negar a EUCARISTIA tão expressamente clara nas palavras de Jesus, é simplesmente CEGUEIRA bíblica, para não dizer ignorância escancarada. Sem mencionar alguns casos bem piores, daqueles que transformam a fé numa mercadoria altamente rentável, num produto de prateleira de supermercado. Existem mesmo os que vêem a ação do demônio em tudo e nunca se reportam as causas naturais. Pequenas igrejas - Grandes Negócios! Teologia da Prosperidade!!Como dói ver milhões e milhões de enganados, abdicando a luz para viver as trevas do erro! Jesus já nos tinha avisado desde o início, no Sermão da Montanha:“Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7, 15).Nenhuma “igrejinha de garagem” consegue, nem de longe, se assemelhar à única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo, com seus dois milênios de história, edificada sobre o alicerce dos apóstolos, tendo como representante de Jesus Cristo, o “Pedro” número 265, que se chama Bento XVI.Infelizmente, a verdadeira Igreja de Jesus traz em sua face as rugas de nossos pecados, mas será sempre sustentada pela Graça de Deus. Assistiremos e participaremos de sua edificação e de sua expansão no mundo inteiro, pois as portas do inferno jamais prevalecerão sobre ela.
CÉSAR AUGUSTO ROCHA (VER BLOG:. http://cdltiangua.blogspot.com/2009/05/igrejinhas-de-garagem_24.html)

22 maio 2009

ESTUDANDO A ORIGEM DO PROTESTANTISMO

O PROTESTANTISMO E AS IGREJAS DA REFORMA

Sérgio Bradanini

Revisão: Francisco Cézar Fernandes Alves

Origem e significado do termo

O uso do termo "protestante" pode indicar, numa primeira e superficial interpretação, os cristãos que se separaram da Igreja de Roma. Se, por um lado, isso pode sugerir uma conotação negativa, por outro, há todo um embasamento histórico que não pode ser desconsiderado.

Assim, "protestante" deriva de um fato histórico, isto é, da grande manifestação feita por alguns Estados e príncipes alemães, em 1529, em protesto contra decisões de caráter religioso, mas de motivação também política.

O termo ainda foi utilizado em referência aos movimentos reformadores que se seguiram. No entanto, procurando evitar a acentuação crítica contra a Igreja de Roma, muitos preferem empregar o termo "evangélico", certamente menos polêmico e que lembra uma das características positivas de todo o movimento reformador: a volta à mensagem evangélica original.

Muitas Igrejas surgidas desse movimento também se denominaram "Igrejas reformadas", evocando o propósito de uma permanente disponibilidade à conversão e à renovação.

Um pouco de história

O surgimento da Reforma protestante foi e continua sendo considerado um dos mais importantes acontecimentos da história, pois suas conseqüências, ainda hoje, permanecem vivas em nível religioso, político, econômico e cultural. Para entender esse fenômeno, devemos enquadrá-lo no contexto da época e, sobretudo, evidenciar as causas que o determinaram.

Antes de mais nada, é necessário limpar o terreno da interpretação preconcebida, muito difundida no passado entre protestantes e católicos e que ainda encontra seguidores nas obras de divulgação e nos meios de comunicação social e esclarecer que a causa da Reforma protestante não foram apenas os abusos e desordens tão comuns na Igreja de então, sobretudo na cúria romana. O próprio Lutero desmente tal causa: " A vida é má entre nós como entre os papistas, mas nós não os condenamos por sua vida prática. A questão é outra: se eles seguem a verdade".

Causas da Reforma

Causas político-religiosas

A partir do século XIV, a autoridade dos papas sofreu um forte declínio: de um lado, perderam a força política com que, embora em meio a lutas e resistências, nos séculos anteriores conseguiram erigir-se como supremos moderadores nas controvérsias políticas. No século XIV, na Europa, começou a afirmar-se o nacionalismo com os soberanos locais, que se desvinculavam da submissão ao imperador e ao papa.

Do outro lado, o exílio de Avinhão (1309-1376), com a dependência do papa ao rei da França, e o cisma do Ocidente (1378-1417), durante o qual houve até três papas ao mesmo tempo, abalaram muito a autoridade e o prestígio do pontífice romano diante do povo. Nesse contexto, surgiram teorias chamadas conciliaristas, que sustentavam a superioridade do concílio sobre o papa, chegando a propor modelos de Igreja de tipo "democrático". Como conseqüência de tudo isso, afirmou-se a tendência para a formação de Igrejas nacionais (na França, Alemanha e Inglaterra), o que constituiu uma das principais causas da revolução protestante.

Causas culturais

Um vento de novidade percorreu a Europa a partir do século XV: era o Renascimento que, reagindo à fuga do mundo e à subordinação direta de tudo à religião, típicas da Idade Média, reivindicava a necessidade da autonomia das atividades humanas, com o risco, porém, de chegar à separação. Era o início do caminho que levou o homem ocidental ao progressivo afastamento e até negação de Deus, característicos da época moderna e contemporânea.

Ao mesmo tempo, a teologia perdera o contato com a reflexão dos grandes autores medievais (Tomás de Aquino, Boaventura) para reduzir-se a discussões vazias, longe da realidade (nominalismo). Occam, que exerceu grande influência sobre Lutero, reduzia muito a capacidade da mente humana de atingir a realidade, enquanto exacerbava a onipotência divina. Em geral, "a teologia", como dizia o próprio Lutero, "está reduzida a meras opiniões... sem mais certeza alguma".

Wycleff, Hus e Wessel, fundadores de movimentos reformadores nos séculos XIV e XV, contrapunham à Igreja visível uma Igreja espiritual e pobre, sem poderes nem estruturas.

Nesses mesmos séculos, difundiram-se correntes espirituais e místicas, que acentuavam a dimensão íntima e subjetiva na experiência com Deus ou que evidenciavam unilateralmente a onipotência da graça divina, chegando até a considerar inúteis as obras do cristão para sua salvação. Essas idéias terão lugar fundamental na doutrina luterana.

Causas religiosas

Além daquelas que apareceram anteriormente, há uma causa que já lembramos: a corrupção da Igreja. Dissemos que esta não pode ser considerada a causa principal da Reforma protestante, mas é inegável que ela tornou mais fácil a difusão da revolta. Os bispos provinham exclusivamente da nobreza, levavam uma vida mundana, ocupados em ficar cada vez mais ricos, sem preocupar-se com sua responsabilidade pastoral. Os sacerdotes eram numerosos, mas constituíam, sobretudo no campo, o proletariado clerical: pobres, pouco instruídos, em sua grande maioria não observavam o celibato. Também nos conventos, masculinos e femininos, a situação muitas vezes era lamentável.

Isso, porém, não deve fazer esquecer que, já antes de Lutero, havia notáveis iniciativas de reforma em toda a Igreja por parte de religiosos, bispos e leigos.

Causas sociais

Sobretudo na Alemanha, duas classes sofriam com a crise econômica surgida após a descoberta da América: os cavaleiros e os camponeses. Os primeiros tinham perdido seu antigo poder e procuravam o meio para recuperá-lo: assim, a posse dos bens da Igreja poderia oferecer-lhes uma cômoda e fácil oportunidade. Entre os camponeses, ainda na condição de escravos, há muito estava incubado o fermento revolucionário, que já havia explodido com violência em revoltas que, periodicamente, sacudiam a Alemanha, desde o final do século XV. Eles esperavam a hora da própria libertação.

Todo esse conjunto de fatores religiosos, culturais, políticos e sociais constituía um imenso material explosivo. Bastava uma centelha para fazê-lo estourar. Lutero foi o estopim, com sua personalidade forte e inspirada. A data exata do começo desse processo foi estabelecida a partir das 95 teses de Lutero, publicadas em novembro de 1517 (e não fixadas no dia 31 de outubro nas portas da Igreja de Wittenberg, como tradicionalmente se pensava).

  • Na mesma época,independentemente de Lutero,começaram sua pregação Zwinglio, na Suíça de língua alemã, e João Calvino, na de língua francesa.O movimento reformador, surgido em países diferentes e em determinadas situações históricas, apresenta - dentro de algumas diferenças inevitáveis - uma característica de unidade fundamental.

Antes, porém, de apresentarmos os grandes protagonistas da Reforma e suas idéias, é necessário levarmos em consideração um pouco mais de história.

Os principais acontecimentos

Em primeiro lugar, é preciso lembrar o fato de que o movimento evangélico da Reforma teve seu epicentro na Alemanha, com Lutero, e daí envolveu toda a Europa.

1.º No final de 1517, Lutero interveio contra os abusos relacionados com a venda das indulgências, publicando 95 teses sobre o assunto e que se difundiram rapidamente, suscitando um grande movimento de cunho nacionalista, tendo como alvo principal a cúria romana. A briga com Roma já vinha se arrastando,quando Lutero foi defendido pelo príncipe da Saxônia, Frederico o Sábio,na disputa, sem êxito, com o cardeal Caetano, em Augusta (1518). Após a disputa em Lípsia (1519), com o teólogo João Eck, o mais duro adversário de Lutero, evidenciou-se o abismo intransponível entre as duas posições a respeito da doutrina do papado e da Igreja. A ruptura foi selada em 1521, quando Lutero acabou sendo excomungado por Roma. O imperador Carlos V, que era o mais fiel e decidido defensor da Igreja católica, convidou Lutero a retratar-se diante dos príncipes, na Dieta de Worms(1521), mas ele se recusou. Assim, o movimento evangélico desencadeado ia crescendo e não podia mais ser reprimido. O imperador não pôde intervir, porque estava ocupado em outro lugar, defendendo-se das agressões da França e das invasões dos turcos.

2.º Os anos 1519-1525 representaram o ponto culminante da Reforma, na medida em que o movimento evangélico suscitou também o entusiasmo popular que encontrava nas idéias luteranas a base para sustentar suas reivindicações (revolução dos cavaleiros, dos anabatistas e dos camponeses). Mas o movimento escapou das mãos do reformador e a anarquia e o caos alastraram-se pela Alemanha. Lutero, que inicialmente reconhecera como justas muitas reivindicações dos camponeses, depois exortou os príncipes a sufocar a rebelião em sangue(1525). Essa aliança com os príncipes acarretou-lhe uma grande perda de popularidade. Foi um momento crucial para Lutero que, embora sabendo dos perigos ao encontro dos quais caminhava, acabou reconhecendo no príncipe e no Estado o apoio de que sua reforma tinha necessidade. Com a sujeição do movimento ao poder civil, a renovação interior da Igreja por ele pregada recebia um duro golpe. A partir de 1524, começou a divisão política e confessional da Alemanha, segundo o princípio posteriormente aprovado na Paz de Augusta entre protestantes e católicos (1555): "Cuius regio, eius et religio"("Quem manda na região, manda também na religião", isto é, os súditos devem seguir a religião do príncipe). Nesses anos, foi criada a palavra "protestante", quando um grupo de príncipes e de cidades protestaram contra a decisão do imperador Carlos V de revogar uma decisão anterior (primeira Dieta de Espira em 1526), que dava aos príncipes a liberdade de aderirem ou não ao movimento da Reforma (segunda Dieta de Espira em 1529). Houve também profundas mudanças da liturgia, nas comunidades e nas Igrejas territoriais evangélicas. Muitos conventos ficaram vazios, muitos frades, freiras e padres diocesanos casaram.

3.º Na Dieta de Augusta (1530), os luteranos apresentaram sua profissão de fé (Confissão Augustana), que assumiu para a Igreja luterana o valor de um símbolo de fé. A Igreja católica replicou, mas a conseqüência de tudo foi simplesmente a constatação de que a divisão era um fato consumado e irreversível. Com efeito, os Estados evangélicos formaram, em 1531, a Liga de Esmalcalda, sinal de que a Alemanha setentrional tornara-se quase totalmente luterana. Houve também tentativas de reconciliar algumas divergências doutrinais, que tinham surgido dentro do próprio movimento evangélico, mas sem êxito. O imperador Carlos V conseguiu dominar a oposição protestante, derrotando a Liga de Esmalcalda em Mühlberg (1547), mas essa vitória militar contra um movimento espiritual não deu nenhum resultado.

4.º O Concílio de Trento, convocado pelo papa em 1536 e iniciado só no final de 1545, chegou tarde demais para restabelecer a unidade da Igreja. A Paz de Augusta (1555) não tinha outra alternativa senão a de reconhecer a situação existente naquele momento, sancionando a divisão da Alemanha, segundo a geografia religiosa. A Reforma dividiu-se em duas tendências - luterana e calvinista - que se combateram constantemente e de forma acentuada. O período de 1555 a 1648 representou o ponto culminante do absolutismo confessional. Em resumo, quem tomou conta das Igrejas foi mais uma vez o poder político: na qualidade de "summus episcopus"(bispo supremo), assistido por representantes eclesiásticos, estava o príncipe. Essa função do soberano permaneceu na Alemanha evangélica, até a queda do imperador, em 1918.

5.º Uma reforma marcada pelo humanismo bíblico e fortemente politizada foi introduzida na Suíça por Zwinglio e influenciou as regiões da Alemanha meridional, mas foi logo absorvida pelo calvinismo. Este, muito mais importante, iniciou-se em Genebra, na Suíça de língua francesa, espalhou-se pela França e por outros países europeus (Inglaterra, Escócia, Hungria, Polônia, Holanda e também por muitos territórios e cidades da Alemanha). Calvino deu ao seu movimento de reforma um caráter "presbiteriano-democrático", frisando quatro ministérios eclesiais (pregador, doutor, ancião, diácono) e introduzindo uma rigorosa disciplina eclesiástica. A Igreja "reformada" ou "presbiteriana" acabou se transformando numa poderosa força política. Um pouco mais tarde, tornou-se uma Igreja militante internacional, protagonista no desenvolvimento cultural e econômico nos países onde se instalou.

O resultado final do movimento da Reforma não foi o restabelecimento do cristianismo das origens, mas uma de suas mais dolorosas divisões. Da única Igreja de Cristo surgiram várias Igrejas que combatiam duramente no campo confessional com a Igreja católica e entre si, provocando graves conseqüências ao longo desses últimos séculos. Todas as tentativas de reconciliação não tiveram êxito.

Somente no séc. XX acordou, em todas as Igrejas cristãs, a consciência da pertença comum e a aspiração de todos os cristãos para formar uma autêntica fraternidade na única Igreja de Cristo.

A doutrina essencial do processo da Reforma

Podemos dizer que a doutrina comum e fundamental sustentada pelos três grandes reformadores - Lutero, Zwinglio e Calvino - apresenta resumidamente três dimensões:
a prioridade das Escrituras, a justificação pela fé e o sacerdócio universal dos fiéis.

A prioridade das Escrituras. Para as Igrejas surgidas da Reforma, o conjunto de textos do Antigo e Novo Testamento - as Escrituras - representam a única autoridade em matéria de fé, isto é, toda verdade em que acreditamos deve estar contida neles. A Escritura é uma mensagem de Deus para nós: ela narra o encontro misterioso de Deus com seu povo, o povo escolhido, ou seja, o povo judeu e agora, a Igreja, o novo povo de Deus. Narra também a encarnação de Deus em Jesus Cristo morto e ressuscitado e deixa transparecer a verdade e a justiça do Criador. Se a Escritura é mensagem de Deus, cada um pode e deve se alimentar dessa Palavra.

Para ajudar as pessoas a ler e a entender a Bíblia, o Espírito Santo dá, segundo o pensamento de Lutero, seu testemunho interior, iluminando as mentes e dirigindo os corações dos fiéis, sem a necessidade da interpretação da Igreja: é o princípio do "livre exame" da Palavra de Deus.

É preciso reconhecer que Lutero teve grandes méritos no que se refere à divulgação da Palavra de Deus: de um lado, ele estimulou sua leitura no meio do povo, do outro, os estudos para um conhecimento cada vez mais aprofundado dos textos sagrados.

Uma parte da Bíblia foi escrita em hebraico, outra, em grego e, mais tarde, foi traduzida para o latim. Até a Reforma, ela só podia ser lida nessas línguas e, portanto, poucas pessoas tinham acesso direto à Palavra de Deus. O povo podia conhecê-la apenas através das homilias e da catequese. Assim, a primeira coisa que os reformadores fizeram foi traduzir as Escrituras para torná-las acessíveis a todos visto que, segundo eles, essas não necessitam de intermediários para serem compreendidas.

Com efeito, os reformadores recorrem ao testemunho da Bíblia para interpretar os acontecimentos vividos pelo povo de Deus ao longo do tempo, mas procurando fugir de um perigo: o de pensar que precisamos entender tudo o que está na Bíblia ao pé da letra, como se ela fosse um código definitivamente fixo e imutável. Uma palavra, uma frase e certas comparações podem ter, agora, alguns milhares de anos depois, um significado diferente do que tinham quando foram escritas. É preciso buscar o verdadeiro significado do que se encontra na Bíblia para entender o que o autor quis dizer quando escreveu um determinado texto.

É assim que Lutero entendia que a Bíblia devia ser interpretada, é assim que os católicos pensam também. Algumas seitas, que se chamam cristãs e que vieram muito tempo depois da Reforma, tendem a interpretar cada palavra da Bíblia ao pé da letra: é uma atitude perigosa que pode levar ao fundamentalismo e ao radicalismo.

Por isso, o movimento da Reforma introduziu o princípio do estudo da Palavra de Deus à luz da pesquisa crítica, histórica, lingüística e teológica.

Para a Igreja católica e ortodoxa, a Tradição também é um critério para julgar a veracidade da fé cristã. Quando falamos em Tradição, entendemos as obras dos escritores cristãos da Igreja primitiva (época patrística), as definições dos concílios (reuniões gerais de todos os bispos convocadas pelo papa), o ensinamento oficial da Igreja (Magistério) e a fé do povo. Isso quer dizer que a Igreja católica e a ortodoxa não se baseiam somente na Sagrada Escritura para fundamentar as verdades da fé, mas também nas outras fontes.

Lutero não aceitou a Tradição. Numa atitude polêmica contra a Igreja católica, considerou a Bíblia como único critério sobre o qual se baseia nossa fé. Por exemplo, analisando os sete sacramentos a partir das bases bíblicas, ele chegou à conclusão de que só o Batismo e a Ceia (Eucaristia) estão em conformidade com a Escritura e que todos os outros foram instituídos pela Igreja.

A justificação pela fé. A doutrina da justificação pela fé, uma das causas da ruptura de Roma com Lutero e de Lutero com Roma, segundo interpretação dos reformadores, decorre essencialmente do pensamento de são Paulo, sobretudo na Carta aos Romanos. Lutero quis realçar o fato de que a salvação não seria fruto da conquista do homem mediante suas obras, mas dom do amor de Deus. Isso poderia levar à conclusão de que não adianta esforçar-se para fazer o bem e conseguir a salvação eterna, pois a sorte de cada um já estaria determinada por Deus, independentemente do fato de a pessoa agir bem ou mal nesta vida.

Basta aceitar, diz Lutero, Cristo como Salvador, isto é, basta crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não leva em conta os pecados do indivíduo: assim, a fé confiante faz com que Deus nos recubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos. A doutrina da justificação pela fé não nega que as boas obras tenham seu valor, mas nega que influam na salvação, pois não passam de sinal da fé e de ato de culto que o homem presta a Deus. Não podemos esquecer o fato de que a intuição reformadora da justificação pela fé surgiu de uma experiência pessoal de Lutero que, em sua crise espiritual, buscava um Deus misericordioso que salva apenas por um ato de sua bondade infinita.

Podemos lembrar também algumas afirmações de Lutero sobre as quais se baseia a doutrina da justificação:

  • a natureza humana está radicalmente corrompida pelo pecado original;
  • a vontade humana não pode fazer nada para alcançar a salvação;
  • a má inclinação e a tendência ao mal, no homem, não podem ser eliminadas;
  • o processo de salvação está relacionado unicamente com a fé.

Se é Deus quem faz tudo, se a vontade humana nada pode fazer e se as obras do homem não servem para alcançar a salvação, Lutero conclui que não é necessário nenhum sacerdócio, nem conventos nem votos religiosos, pois estes não passam de instituições em que o homem ocupa um lugar que seria de Deus. Tudo isso foi o principal instrumento de luta contra os abusos e as deformações do cristianismo da época e, particularmente, contra a cúria romana e o papado que o reformador identificava com o anticristo. Toda essa polêmica visava a reconduzir a Igreja a uma renovação e a uma reforma que levasse a viver a vida cristã com mais seriedade e profundidade, visto que, muitas vezes, esta se reduzia a meros gestos exteriores e sem vida. Além do mais, Lutero queria dar destaque e importância a Deus e a Jesus Cristo, em oposição às tendências da época - o Renascimento - que valorizava demais as capacidades intelectuais humanas. Tanto Lutero como todos os outros reformadores proclamaram que somente Deus, por uma graça absolutamente gratuita, oferece aos homens a salvação que não pode ser 'comprada' nem 'merecida', em vista do que fizemos de bom na vida, mas que é dada a quem tem fé, isto é, àquele que aceita que somente Deus pode salvar. Em outros termos, não seria necessário que o homem tivesse um bom comportamento para ser amado por Deus, basta que o tenha porque ele é amado por Deus! Portanto, a doutrina da justificação pela fé opõe-se a toda tentativa de obedecer às leis, à moral e de fazer o bem, práticas vistas como meios que garantem a salvação. Devemos fazer isso, sim, mas de maneira desinteressada, como resposta ao amor de Deus por nós.

O sacerdócio universal dos fiéis. As Igrejas da Reforma não se apresentam como uma instituição imutável. Para elas, é natural evoluir, transformar-se e enriquecer-se de novas perspectivas. Com efeito, a Igreja existe em conformidade com a Palavra de Cristo: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles" (Mt.18, 20). Isso significa que a Igreja - organização humana e, portanto, falível - não pode ser considerada, pelos reformadores, como intermediária entre Deus e os fiéis: ela é simplesmente o espaço e o tempo reservado ao anúncio da Palavra de Deus.

Para o protestante, entre o homem justificado pela fé e Deus, não há sacerdote a não ser Jesus, que está nos céus, e não há outro mestre a não ser o Espírito Santo, que fala nas Escrituras e no coração de cada um.

Os pastores, nas Igrejas da Reforma, não são sacerdotes: eles não possuem nenhum poder especial que os distinga dos leigos. Esses, teoricamente, podem realizar as mesmas funções, todas as vezes que houver necessidade, ou que a autoridade o peça. Lutero, ao falar do sacerdócio de todos os fiéis, afirmou, em 1520, que "todos os cristãos batizados podem gloriar-se de ser padres, bispos e papa", embora nem sempre seja conveniente que isso aconteça. Com isso, Lutero quis mostrar que todos os leigos são chamados a participar ativamente da vida da Igreja.

A Igreja anglicana

O movimento reformador de Lutero não foi o único daquela época. Também na Inglaterra, quase na mesma época, mas por outros motivos, houve uma revolta contra a Igreja católica que levou à separação entre Roma e Cantuária (sé do arcebispo primaz da Igreja anglicana).

É freqüente ver nessa ruptura apenas a conseqüência das paixões de Henrique VIII da Inglaterra. O rei, que havia sido declarado "defensor da fé" pelo papa Leão X, pediu a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão, mas o pontífice não a concedeu. Assim, em 1534, Henrique VIII deixou de reconhecer a autoridade papal e separou-se da Igreja católica. Considerar esse como o único ou, praticamente, o mais importante fator da separação da Igreja inglesa de Roma é fruto de uma mentalidade simplista que desconhece a história. Na separação, influiu e muito também o caráter particularista do povo inglês, o seu desejo de independência ou, pelo menos, de grande autonomia.

O Prayer Book (Livro da Oração Comum) da Igreja anglicana afirma que eles se consideram "uma Igreja católica para toda a verdade de Deus e protestante contra todos os erros dos homens". A Igreja anglicana não reconhece a autoridade do papa e distancia-se de Roma a respeito de algumas questões de doutrina. No entanto, conserva vários elementos católicos, como os sacramentos, os ritos litúrgicos e o conceito de hierarquia, baseado nas figuras do padre e do bispo; ao mesmo tempo, introduz alguns elementos característicos da reforma protestante, como a abolição das ordens religiosas, o casamento dos padres e o lugar central da Bíblia nas celebrações religiosas.

Na Igreja anglicana distinguem-se a High Church (literalmente Igreja Alta, "anglo-católica" muito próxima ao catolicismo), e a Low Church, (Igreja Baixa, com muitos elementos protestantes, praticamente "evangelical").

Todavia, trata-se de uma única Igreja. Numa mesma diocese, encontramos paróquias com traços acentuadamente católicos e outras com expressões mais evangélicas, porém, ambas em plena comunhão com o bispo local.

No mundo inteiro, existem 34 províncias ou Igrejas nacionais em plena comunhão com a Sé de Cantuária. Por isso, o arcebispo de Cantuária é o símbolo da unidade Anglicana. As Igrejas da Unidade Anglicana estão interligadas por laços de afeição e lealdade comum. Em cada país, cada província tem um nome próprio. Ex. : em Portugal, Igreja evangélica católica lusitana; na Espanha, Igreja episcopal reformada; na Inglaterra, simplesmente Igreja da Inglaterra e no Brasil, Igreja episcopal anglicana do Brasil.

Atualmente, existe uma comissão de alto nível, nomeada pela Santa Sé e pela Sé de Cantuária, que se reúne periodicamente e que vem produzindo vários documentos, mostrando os pontos de convergência entre as comunhões romana e anglicana.

Desde a década de 60, o arcebispo de Cantuária tem mantido encontros com o papa. Vale lembrar que, quando João Paulo II esteve na Inglaterra, visitou a catedral de Cantuária.

A Igreja metodista

Pela iniciativa de John Wesley (1703-1791), pastor anglicano formado pela Universidade de Oxford, surgiu, nos meados do século XVIII, outro movimento de renovação religiosa. Suas características espirituais marcantes são: estudo metódico da Bíblia (daí o nome de "metodista"); horas fixas reservadas diariamente à oração; participação quotidiana da santa Ceia e prática de obras de caridade.

Quando a Igreja Anglicana proibiu a John Wesley de pregar em seus templos, ele começou sua pregação itinerante ao ar livre, dirigindo-se principalmente às massas proletárias provenientes da incipiente Revolução Industrial. Do ponto de vista espiritual, o movimento metodista exigia conversão e mudança radical de estilo de vida. No aspecto social, organizava "cruzadas" contra a escravidão, o alcoolismo, a prostituição e promovia obras assistenciais em favor das vítimas de calamidades sociais. O movimento não chegou a formar uma Igreja separada da anglicana, embora conservasse, de forma simplificada, a mesma riqueza litúrgica. Mais do que doutrina, o metodismo acentua a vida prática e a experiência religiosa.

Wesley morreu como presbítero, em plena comunhão com a Igreja anglicana. Só anos após sua morte é que seus seguidores romperam com a Igreja da Inglaterra. Hoje, porém, existe um forte movimento trabalhando para a união de metodistas e anglicanos.

O movimento anabatista

Para muitos protestantes do século XVI, a Reforma não pareceu bastante radical. Outro grupo,denominado "anabatista", visava a uma renovação da Igreja até às conseqüências mais extremas.

Queriam seus idealizadores uma Igreja espiritual, sem hierarquia visível e constituída exclusivamente por pessoas cuja adesão à Palavra de Deus fosse plenamente consciente. O batismo, portanto, deveria ser ministrado só aos adultos e não às crianças. Todo fiel que quisesse aderir a esse movimento, deveria ser rebatizado. Daí, o nome de "anabatistas" ou "rebatizadores".

Pregavam eles uma total independência frente às autoridades civis; queriam viver separados do "mundo". Alguns isolaram-se pacificamente para fundar suas comunidades; outros enfrentaram violentamente a autoridade civil, considerada corrupta e perseguidora. Em 1534, um grupo ocupou a cidade de Münster, na Alemanha, matando os adversários do regime político e denominando a cidade "Nova Jerusalém". No ano seguinte, a cidade foi ocupada pelas tropas fiéis ao governo e toda a população masculina foi massacrada.

A partir dessa data, os anabatistas foram sempre perseguidos, contudo, uma parte deles, relacionada com o calvinismo holandês, organizou-se nas comunidades dos menonitas, assim chamados por causa de seu fundador, Menno Simons. Eles também só aceitavam o batismo de adultos, mas eram pacíficos e reconheciam a autoridade civil, desde que não lhes impusesse obrigações em oposição à Palavra de Deus.

A Igreja batista

O pastor anglicano inglês John Smyth (1570-1612) é considerado fundador das primeiras comunidades denominadas "batistas". Também ele queria uma reforma mais radical e não se conformava com a organização hierárquica da Igreja anglicana, isto é, com o fato de bispos e padres ocuparem os lugares de comando. Perseguido por suas idéias, teve que se refugiar na Holanda. Lá encontrou um padeiro menonita que o convenceu da não validade do batismo ministrado às crianças. Ele mesmo se batizou novamente e, voltando à Inglaterra, fundou a Igreja batista que, no século XVIII, estabeleceu-se sobretudo nos Estados Unidos, espalhando-se, em seguida, pelo resto do mundo.

Características típicas dessa religiosidade viva, que constantemente apela para uma decisão e um compromisso pessoal, são:

  • batismo dos fiéis como testemunho de fé e sinal da graça divina;
  • sacerdócio universal dos fiéis, sem qualquer distinção entre pastores e leigos;
  • estrutura eclesial que afirma a autonomia da comunidade local;
  • negação de todo ritualismo, para deixar espaço à religiosidade espontânea e individual.

A Igreja adventista do sétimo dia (ou sabatistas)

O termo "adventista" decorre de uma doutrina fundamentada sobre a espera da volta de Cristo à terra para proclamar o "fim dos tempos". O movimento surgiu nos Estados Unidos com a pregação de um batista, William Miller (1792-1849), que havia profetizado que Jesus viria em 1844. A profecia não se realizou e os seguidores de Miller dividiram-se em vários grupos, sendo que o mais importante assumiu a denominação de "adventistas do sétimo dia". Além de estabelecer o sábado como "Dia do Senhor", esse movimento pratica o princípio bíblico do dízimo, está relacionado com o movimento milenarista que coloca no centro de seu interesse o retorno de Cristo para os últimos tempos, reconhece a autoridade da Bíblia, o dogma da Trindade, mas tem uma concepção peculiar quanto à ressurreição dos mortos e ao reino de Deus. Proíbe o uso de álcool, cigarro e carne de porco e promove um tipo de vida natural. Essa Igreja possui muitas clínicas e casas de repouso onde seus princípios são aplicados.

Movimentos colaterais à Reforma

Entre as correntes religiosas da época, podemos lembrar a dos antitrinitários, chefiados por Miguel Servet, o qual foi condenado à fogueira em 1553, em Genebra, por Calvino.

Não podem ser consideradas parte integrante do protestantismo os movimentos pseudo-cristãos: mórmons, testemunhas de Jeová, Igreja universal do Reino de Deus, os meninos de Deus.

Conclusão

Os objetivos da Reforma acabaram também sendo instrumentalizados pelo poder político. A tão proclamada liberdade do Evangelho e de seus pregadores, em pouco tempo, foi fechada dentro de um sistema de Igrejas de Estado ou de Igrejas nacionais, sob controle dos príncipes.

A partir da intuição e do desejo de reforma e de renovação do cristianismo e da Igreja, surgiram muitas Igrejas cristãs e novos movimentos religiosos, com diversas e diferentes confissões de fé. O luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo foram as principais Igrejas dentro de um movimento complexo e diversificado.

Para a Igreja católica, tudo isso representou uma das mais amargas experiências de sua história. A Europa setentrional, de cultura germânica, e muitas outras regiões européias separaram-se da antiga Igreja. Nas Igrejas territoriais evangélicas, foi suprimido todo elemento católico. Houve muita desconfiança, luta, incompreensão entre as Igrejas cristãs e só mais tarde, a partir do movimento filosófico chamado Iluminismo, abriu-se o caminho da tolerância recíproca entre elas.

Aos poucos, percebeu-se também que é preciso algo mais que a simples tolerância. Neste século, diante da constatação da existência de várias Igrejas que querem ser cristãs, começou a surgir esta preocupação: como eliminar as barreiras e os preconceitos para chegar a uma convivência pacífica e até a uma verdadeira amizade entre os cristãos? Já no século passado, na Europa, com o movimento de Oxford buscava-se a união das Igrejas. E no começo deste século, as igrejas de tradição evangélica deram início ao movimento ecumênico que as levou, mais tarde, a fundar o Conselho Mundial de Igrejas. O próprio papa João XXIII falou em "encontrar-se para conhecer-se e conhecer-se para amar-se". O movimento ecumênico conseguiu sensibilizar os católicos, especialmente após o Concílio Vaticano II (1963-1965).

Antes, já se falava dos protestantes como irmãos separados, mas se pensava assim: eles, que saíram da Igreja, devem voltar e então, haverá unidade. Agora, pensamos assim: todas as Igrejas cristãs devem fazer uma boa reflexão para ver se são totalmente fiéis ao ensinamento de Cristo e se aceitam todo o Evangelho ou só em parte. Esse exame de consciência, essa conversão a Cristo, que todos os cristãos devem fazer, são condições iniciais e indispensáveis para que se possa continuar o discurso sobre unidade entre os cristãos, eliminando, aos poucos, as barreiras e as incompreensões.

Na Igreja católica, depois do Concílio, houve, com efeito, profundas mudanças na liturgia, no relaçionamneto da Igreja com o mundo, com as outras Igrejas e religiões, com as ideologias não religiosas e até com o ateísmo. A perspectiva atual das Igrejas cristãs não é mais de desconfiança ou de condenação, mas de positiva e recíproca compreensão, na acolhida de novas idéias e experiências.

Questões para sua reflexão

1.º Se fosse possível fazer um julgamento crítico da atuação de Lutero e considerando a situação histórica daquela época, quais outras atitudes você acha que ele poderia ter tomado e que não levassem à separação?

2.º Em sua opinião, quais são os pontos mais significativos que unem e "separam" protestantes, anglicanos e católicos?

3.º Procure descobrir a diferença entre "ecumenismo"e "diálogo inter-religioso" e analise quais as mudanças que ambos poderiam trazer para as relações entre os povos.


FONTE: JORNAL MISSÃO JOVEM SITE: http://www.pime.org.br/missaojovem/mjregprotest.htm

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