18 junho 2014

Como identificar uma seita?


manipuladosOs ensinamentos das seitas e novos movimentos religiosos opõem-se à doutrina da Igreja Católica
Uma seita é, de modo geral, um grupo que se separou de um grupo religioso maior, passando a seguir crenças ou práticas desviantes. Muitas seitas são extremistas e agressivas em sua relação com as outras Igrejas e na conquista de novos adeptos. Elas têm como características a separação, a dissonância ou a contraposição em relação a concepções e práticas mais difundidas, historicamente afirmadas e reconhecidas, propondo-se como alternativa a elas.
As seitas surgem e se propagam com grande vitalidade. São um fenômeno alarmante especialmente na América Latina e na África. O termo seita, na América Latina, costumava ser aplicado a todos os grupos não católicos. Com o avanço do ecumenismo, o termo passou a ficar reservado aos grupos mais extremistas.
A história recente das religiões é marcada pelo fenômeno das seitas. Elas surgem e se propagam com grande vitalidade. Algumas são de natureza esotérica, outras têm suas raízes nas religiões da África ou da Ásia, e há também as que se originaram a partir de sua própria interpretação da Bíblia.
A palavra “seita” não é usada em todos os lugares com o mesmo significado. Na América Latina, por exemplo, o termo costumava ser aplicado a todos os grupos não católicos, mesmo quando pertenciam às Igrejas protestantes tradicionais. Mas com o avanço do ecumenismo, a palavra “seita” passou a ficar reservada aos grupos mais extremistas e agressivos. Para se referir a determinados grupos mais moderados, costuma-se usar a expressão “novos movimentos religiosos”, considerada mais neutra.
Na Europa Ocidental, a palavra seita tem uma conotação negativa. Já no Japão, as novas religiões de origem xintoísta ou budista são geralmente chamadas de seitas, sem nenhum sentido depreciativo.
A história das religiões oferece inúmeros exemplos de fragmentação e cisão de grupos religiosos das correntes majoritárias das grandes religiões. São as chamadas tendências sectárias.
Nesse sentido, o termo “seita” pode derivar do latim “secta”, que significa “cortada”, sendo a seita vista como uma dissidência, um pequeno grupo separado da religião principal. O termo pode derivar também do latim “sequor”, que significa seguir, caminhar atrás.
Assim, a definição geral de seita aponta para um “conjunto de pessoas que professam uma doutrina diversa da geralmente seguida”. Também assinala “um grupo de pessoas que se separa de uma comunhão principal ou de uma determinada religião”. Ou ainda: teoria de um mestre seguida por prosélitos (Dicionário Enciclopédico das Religiões).
Sendo um fenômeno de difícil definição exata, diante de suas várias modalidades, observam-se, no entanto, nas seitas, algumas características comuns (que são analisadas pelo Pe. Neno Contran MCCJ, em “Le défi des sectes en Afrique”, na revista “Le Christ au monde”, julho-agosto de 2000).
Essas características são: a) ruptura com a sociedade maior; b) obediência total a um chefe ou guru “carismático”; c) tendência ao segredo; d) emoção e afetividade mais do que raciocínio; e) militantismo ou proselitismo; f) culto caloroso; g) expectativa de intervenção divina.
a) Ruptura com a sociedade: geralmente a seita é fundada em oposição a ideias e práticas vigentes. Ela professa um radicalismo religioso, que pode significar intolerância, integrismo ou fundamentalismo. A seita apresenta-se como uma comunidade fechada, em que cada indivíduo depende do grupo.
b) Obediência ao chefe ou guru: a seita se ergue ao redor de um homem ou uma mulher que afirma ter dons particulares, especialmente na luta contra os poderes do mal, as dificuldades materiais, a desgraça, a depressão. Requer-se dos membros a submissão incondicional à direção do grupo (seja ao próprio chefe ou a seus representantes).
c) Tendência ao segredo: a vida interna da seita é sigilosa, fica mantida em segredo. Há uma forte vigilância dos membros da seita entre si e, eventualmente, vigilância do chefe ou guru sobre cada um.
d) Mais emoção, menos razão: o entusiasmo pelo chefe da seita é tal que pode chegar a cegar ou fanatizar os adeptos do grupo. Privilegia-se a emoção e a afetividade, em detrimento do uso da razão. Muitas vezes é um ambiente de forte pressão psicológica.
e) Militantismo ou proselitismo: estando o mundo sob o poder do Maligno, os membros das seitas tendem a angariar novos parceiros a fim de os salvar da perdição. Nesse sentido, há uma forte tendência proselitista. Conquistar novos adeptos também gera mais recursos financeiros para os grupos. São comuns exemplos de fundadores de seitas que enriqueceram rapidamente.
f) Culto caloroso: em algumas seitas os momentos de culto são prolongados. Pode chegar a haver transe e curas atribuídas ao poder divino. Podem-se suscitar estados mentais em que o raciocínio e a vontade ficam comprometidos.
g) Expectativa de intervenção divina: o fim do mundo ou o fim de uma era estaria próximo. Já que o mundo vai mal, o seu fim traria uma melhora. Assim se cria um clima de apavoramento e certo terror. No âmbito particular e pessoal, o fim de uma situação desfavorável também estaria próximo. Assim, há a promessa de resposta às pessoas que ali buscam solução para os seus males.
As seitas podem surgir de convicções de pessoas que acreditam ser portadoras de mensagens consideradas divinas, mas também podem mascarar interesses econômicos, políticos ou de exercício de poder e exploração. Elas se propagam oferecendo sentido de pertença, identidade, participação, segurança, espiritualidade. Utilizam diversas formas de recrutamento, entre elas a aproximação previamente estudada.
O surgimento e a propagação de seitas é um fenômeno comum na história das religiões. Grandes tradições religiosas como o cristianismo, o hinduísmo e islamismo sempre tiveram de lidar com tendências sectárias.
No cristianismo, escritos do Novo Testamento e dos Padres da Igreja (grandes teólogos dos primeiros séculos) abordam problemas gerados por grupos cindidos. Com o passar dos séculos, as tendências desagregadoras aumentaram. Sobretudo a partir da Reforma Protestante (sec. XVI), houve uma grande proliferação de grupos cristãos sectários.
Em 2006, o CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) difundiu um estudo preparatório à Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Conferência de Aparecida, 2007), intitulado “Seitas e Novos Movimentos Religiosos”.
O artigo de abertura desse estudo – “Causas da deficiente resposta ao desafio das seitas e dos novos movimentos religiosos por parte da Igreja Católica na América Latina”, de Giuseppe Ferrari – assinala que o impulso inicial para o nascimento das seitas tem motivação muito diversa.
Há motivos ideais como a convicção de ser depositárias ou transmissoras de mensagens consideradas divinas; motivos ligados ao desejo de dar um significado à própria vida da parte de pessoas que, de outro modo, não se sentiriam realizadas; ou bem por motivos nada nobres como exploração, vontade de poder ou domínio.
As seitas se propagam difundindo a ideia de que dão respostas às diversas necessidades e aspirações do homem contemporâneo. Oferecem o sentido de pertença, identidade, saída do anonimato, afeto, participação e compromisso, segurança, certeza, transcendência, espiritualidade e direção espiritual.
Suas formas de recrutamento são diversas. Em geral, a inclusão do adepto ocorre a partir de uma aproximação previamente estudada. Primeiramente evidenciam-se os aspectos positivos, atrativos e sedutores do grupo. Só depois, quando a pessoa estiver totalmente inserida, deixam-se transparecer os elementos mais controversos.
A abordagem inicial pode ser sentimental e emotiva. As seitas oferecem respostas bonitas e prontas para as perguntas mais variadas; fazem promessas de todo tipo, como apoio econômico, ajuda para conseguir um trabalho ou determinadas vantagens, modelos de sucesso, lucro fácil, curas de enfermidades e problemas físicos, psíquicos ou existenciais.
Uma possível classificação distingue entre: seitas orientais; pseudocristãs; esotéricas e sincretistas; satanistas; difusoras de métodos e escolas; outras doutrinas.
Em outro artigo do estudo preparatório à Conferência de Aparecida – “Causas da deficiente resposta da Igreja ao desafio das seitas ou novos movimentos religiosos: uma análise a partir da teologia pastoral”, de Dr. Juan Daniel Escobar Soriano –, propõe-se uma classificação das seitas.
a) Seitas orientais: nestes grupos predominam as ideias e doutrinas das grandes religiões não cristãs, assim como interpretações fundamentalistas destas religiões. Procedentes de um mundo exótico e atraente, esses grupos pretendem oferecer a paz e a libertação que o homem atual tanto deseja, ainda que se corra o risco do resultado ser apenas aparente ou ilusório. Aqui também se destaca o panteísmo, ao não diferenciar Deus do mundo, ou ao identificar o homem com uma energia cósmica.
Exemplos: Sociedade Internacional para a consciência de Krishna; Missão da Luz Divina, Rajneeshismo, Ananda Marga, Sai Baba, Novos movimentos religiosos ou seitas de origem japonesa.
b) Seitas pseudocristãs: grupos que pretendem se autodesignar Igrejas ou Comunidades Cristãs, mas que não o são. Rompem com aspectos essenciais da fé cristã. São ainda grupos que não apresentam os critérios que o Conselho Mundial das Igrejas aplica para admitir uma Igreja (autonomia, estabilidade, importância numérica, relações com outras Igrejas, além de critérios doutrinais).
Neste grupo estão: Testemunhas de Jeová, os Mórmons ou Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a Associação para a Unificação do Cristianismo Mundial ou Moonismo, A Família (Os Meninos de Deus ou A Família do Amor), a Ciência Cristã.
c) Seitas esotéricas e sincretistas: aplicado às seitas, o termo esotéricas tem o sentido de secreto, oculto, disponível apenas para iniciados. Na doutrina destes grupos aparecem elementos religiosos e pseudorreligiosos. Ademais, caracterizam-se pelo sincretismo, ao mesclar diferentes tipos de ideias e doutrinas.
Alguns grupos representativos são: Rosacruz, Igreja Gnóstica ou Gnósticos, Teosofia, Sudda Dharma Mandalam, Nova Acrópole, Associação Hastinapura, Igreja da Cientologia ou Dianética, Alfa e Ômega, Missão Rama e os Extraterrestres, Nova Era.
d) Satanismo: existem diversas formas de satanismo e seus fins são também variados. Os principais grupos são as seitas satânicas e as seitas luciferianas.
e) Métodos e escolas: ofertam autocontrole, harmonia, descanso, paz, libertação. Eles se propagam através de cursos, conferências, folhetos, livros e revistas. Exemplos: Meditação transcendental; Instituto Arica ou Porta Aberta; Método Silva de Controle Mental e a Revolução Mental.
f) Outras doutrinas: Maçonaria, Fé Bahá’í, Comunidade Silo, Igreja Eletrônica, Espiritismo (diversas formas de espiritismo latino-americano; cultos espiritistas afroamericanos).
O avanço das seitas encontra terreno fértil no enfraquecimento da identidade católica, especialmente na América Latina. A Igreja tem se pronunciado sobre o fenômeno em diferentes ocasiões, especialmente através dos papas e dos bispos. As seitas crescem onde há instabilidade e incerteza. Suas investidas são muitas vezes uma verdadeira agressão moral sobre pessoas que possuem uma fé fragilizada e ingênua. Como resposta ao fenômeno a Igreja propõe, entre outras atitudes, a formação e a acolhida. Quem adere a uma seita renega a fé católica.
O interesse pelas seitas evidencia como o homem contemporâneo mantém a sua sede religiosa. No entanto, a busca de satisfação desta sede em ambientes não confiáveis pode levar a danos psíquicos e até mesmo físicos do indivíduo.
Neste sentido, nas últimas décadas a Igreja têm falado sobre as seitas, referindo-se a elas especialmente no contexto latino-americano e africano, apesar do tema ser também uma preocupação na Europa, nos EUA e em países do Oriente.
A III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Puebla de los Angeles, México, em 1979, já assinalava a “invasão de seitas” no subcontinente. O documento de Puebla indica que elas, ainda que naquele momento parecessem marginais, não deveriam ficar despercebidas ao evangelizador.
As seguintes conferências gerais do episcopado latino-americano (Santo Domingo, 1992, e Aparecida, 2007) também tocaram na questão das seitas.
O documento de Santo Domingo pede que se enfrente com urgência o problema da “expansão e agressividade” das “seitas e dos movimentos ‘pseudo-espirituais’”. O texto adverte que o avanço das seitas evidencia “um vazio pastoral”, cuja uma das causas seria a falta de formação, “que dissolve a identidade cristã, fazendo que grandes massas de católicos sem uma adequada atenção religiosa” fiquem à mercê de “campanhas de proselitismo sectário muito ativas”.
O documento de Aparecida toca no tema das seitas em dois momentos. Aponta seu crescimento num contexto de “um certo enfraquecimento da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica”. Reforça o pedido de Santo Domingo de que os católicos enfrentem o problema do “êxodo de fiéis para seitas e outros grupos religiosos”.
O Papa João Paulo II se manifestou muitas vezes sobre as seitas. Um de seus textos mais importantes sobre o tema é a mensagem para o Dia do Migrante de 1990.
Ali ele adverte que muitas seitas, fundando suas raízes no “mal-estar espiritual e social”, ao “querer dar respostas de caráter religioso a questões políticas ou econômicas”, revelam “a tendência a manipular o verdadeiro sentido de Deus, chegando de fato a excluir Deus da vida dos homens.”
Adverte ainda que “o zelo quase agressivo com que alguns buscam novos adeptos, indo de cada em casa ou detendo aos transeuntes nas esquinas das ruas, é uma falsificação sectária do zelo apostólico e missionário”.
Segundo João Paulo II, as seitas crescem em ambientes onde há instabilidade e incerteza. Nesses pontos elas baseiam sua estratégia de aproximação, oferecendo um conjunto de atenções e serviços para fazer que a pessoa em situação desfavorável “abandone sua fé se adira a uma nova proposta religiosa.”
“Apresentando-se como os únicos possuidores da verdade”, afirmam a falsidade da religião que a pessoa em situação desfavorável professa e lhe pedem que dê “uma mudança bruta e imediata de rota”.
João Paulo II considera essa postura “uma verdadeira agressão moral, da qual não é fácil escapar com boas maneiras, pois seu ardor e insistência são sufocantes”.
Como resposta contra as seitas, João Paulo II, no discurso inaugural da Conferência de Santo Domingo, pede uma presença atenciosa da Igreja no âmbito local, “que coloque no centro de tudo a pessoa, sua dimensão comunitária e seu desejo de uma relação pessoal com Deus”.
Ele afirma que onde a presença da Igreja Católica é dinâmica, “como no caso das paróquias em que se compartilha uma assídua formação na Palavra de Deus, onde existe uma liturgia ativa e participada, uma sólida piedade mariana, uma efetiva solidariedade no campo social, uma marcada solicitude pastoral pela família, pelos jovens e os enfermos, vemos que as seitas ou os movimentos pseudorreligiosos não conseguem se instalar ou avançar”.
O Papa Bento XVI também se manifestou em diferentes ocasiões a respeito das seitas. Aos bispos brasileiros, no discurso na Catedral da Sé, em São Paulo (2007), ele afirmou que as pessoas mais vulneráveis ao “proselitismo agressivo das seitas” são geralmente “os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata”.
O Papa pediu que não se poupem “esforços na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral da acolhida que os ajude a sentir a Igreja como lugar privilegiado do encontro com Deus e mediante um itinerário catequético permanente.”
Voltando à mensagem de João Paulo II para o Dia do Migrante de 1990, o Papa polonês chama à prudência e astúcia diante das seitas. Ele adverte que “os ensinamentos das seitas e novos movimentos religiosos opõem-se à doutrina da Igreja Católica; por isso, a adesão a eles significa renegar a fé em que foram batizados e educados”.
Referências:
– “Dicionário Enciclopédico das Religiões”, Hugo Schlesinger, Humberto Porto; Petrópolis, Vozes, 1995.
– “As Seitas Hoje: Novos movimentos religiosos”, José Moraleda; São Paulo, Paulus, 1994.
– “Seitas e Novos Movimentos Religiosos: Elementos para ampliar nossa interpretação e pastoral”, Observatório do CELAM, disponível em: http://pt.scribd.com/doc/63734113/Celam-Sectas-y-Nuevos-Movimientos-Religiosos
– “O avanço das seitas”, Pe. Neno Contran MCCJ, em Revista Pergunte e Responderemos, n. 466, março de 2001, disponível em: http://pt.scribd.com/doc/29426059/ANO-XLII-No-466-MARCO-DE-2001
– “O que é uma seita”, Dom Estevão Bettencourt, em Revista Pergunte e Responderemos, n. 417, fevereiro de 1997, disponível em: http://pt.scribd.com/doc/16748463/ANO-XXXVIII-No-417-FEVEREIRO-DE-1997
– “Documento de Puebla”: http://www.celam.org/conferencia_puebla.php
– “Documento de Santo Domingo”: http://www.celam.org/conferencia_domingo.php
– “Documento de Aparecida”: http://www.celam.org/conferencia_aparecida.php
– Discurso de João Paulo II na abertura da Conferência de Santo Domingo: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1992/october/documents/hf_jp-ii_spe_19921012_iv-conferencia-latinoamerica_sp.html
– Mensagem de João Paulo II para o Dia do Migrante de 1990: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/messages/migration/documents/hf_jp-ii_mes_19900725_world-migration-day-1990_it.html
– Discurso de João Paulo II a bispos brasileiros em visita “ad limina apostolorum, no dia 5 de setembro de 1995: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1995/september/documents/hf_jp-ii_spe_19950905_brasile-ad-limina_po.html
– Discurso de Bento XVI aos bispos do Brasil: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2007/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20070511_bishops-brazil_po.html
– Cardinal Arinze conferece: http://grisfirenze.altervista.org/Studi/studio08.html / http://www.ewtn.com/library/newage/arinnewm.txt
Alexandre Ribeiro

A Igreja católica e mais essa contribuição ao mundo: os nomes das notas musicais!

Retirado do Blog do Carmadélio
música-medieval
Quem batizou as notas musicais foi o monge beneditino italiano Guido d’Arezzo. Ainda no século 11, ele nomeou a escala ao se inspirar num hino a São João Batista, composto por outro monge, Paolo Diacono, três séculos antes. Veja os versos abaixo:
 Ut queant laxis…
 Resonare fibris…
 Mira gestorum…
 Famuli tuorum…
 Solve polluti…
 Labii reatum…
 Sancte Iohannes.
 Para entender a lógica, basta pular o primeiro verso e depois pegar a primeira sílaba de cada frase para reconhecer as notas – (Ut), Re, Mi, Fa, Sol, La… O “Si” ele adaptou, juntando as primeiras duas letras de “Sancte Iohannes” (São João). Cinco séculos depois, incomodado com o som da primeira sílaba, o músico Giovanni Maria Bononcini incrementou uma mudança: trocou o “Ut”pelo “Do”, de Dominus (Senhor). E, com essa benção celestial, sacramentou a nomenclatura das notas musicais.
 NOTA: Desde a Antiguidade, o padrão era usar letras para representar as notas (a única exceção, aliás, é o nosso sistema latino, que usa sílabas). Em países anglófonos, as notas são representadas por letras: C, D, E, F, G, A e B, respectivamente. Essa é uma das designações mais antigas, que nós usamos também em cifras. Mas o alfabeto grego arcaico, por exemplo, também já foi usado.
Fontes: Curso Completo de Teoria Musical e Solfejo, de Belmira Cardoso e Mário Mascarenhas; Enciclopédia Britânica; Enciclopédia Barsa. Via revista Superinteressante.

06 maio 2014

Porque não sou Protestante? Responde-nos Dom Estêvão Bettencourt


Qual dos caminhos é o certo?

Qual dos caminhos é o certo?
São sete as razões principais pelas quais não sou protestante:

1. Somente a Bíblia…
Os protestantes afirmam que seguem a Bíblia como norma de fé. Acontece, porém, que a Bíblia utilizada por todos os protestantes é uma só; em português, vem a ser a tradução de Ferreira de Almeida. Por que então não concordam entre si no tocante a pontos importantes (ver nº 2 adiante)? E por que não constituem uma só comunidade cristã, em vez de serem centenas e centenas de denominações separadas (e até hostis) entre si?
A razão disto é que, além da Bíblia, seguem outra fonte de fé e disciplina… fonte esta que explica as divergências do Protestantismo.
Tal fonte, chamamo-la Tradição oral; é esta que dá vida e atualidade à letra do texto. A tradição oral do Catolicismo começa com Cristo e os Apóstolos, ao passo que as tradições orais dos protestantes começam com Lutero (1517), Calvino (1541), Knox (1567), Wesley (1739), Joseph Smith (1830)…
Entre Cristo e os Apóstolos, de um lado, e os fundadores humanos das denominações protestantes, do outro lado, não há como hesitar: só se pode optar pelos ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos, deixando de lado os “profetas” posteriores.
Notemos que o próprio texto da Bíblia recomenda a Tradição oral, ou seja, a Palavra de Deus que não foi consignada na Bíblia e que deve ser respeitada como norma de fé. Os autores sagrados não tiveram, em vista expor todos os ensinamentos de Jesus, como eles mesmos dizem:
“Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se teriam de escrever” (Jo 21,25, cf. 1 Ts 2,15).
“Muitos outros prodígios fez ainda Jesus na presença dos discípulos, os quais não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome (Jo 20,30s).
São Paulo, por sua vez, recomenda os ensinamentos que de viva voz nos foram transmitidos por Jesus e passam de geração a geração no seio da Igreja, sem estarem escritos na Bíblia: “Sei em quem acreditei.. Toma por norma as sãs palavras que ouviste de mim na fé e no amor do Cristo Jesus. Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1, 12-14).
Neste texto vê-se que o depósito é a doutrina que São Paulo fez ouvir a Timóteo, e que Paulo, por sua vez, recebeu de Cristo. Tal é a linha pela qual passa o depósito: Cristo -> Paulo -> Timóteo
A linha continua… conforme 2Tm 2,2:
“O que ouviste de mim em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de o ensinar ainda a outros”.
Temos então a seguinte sucessão de portadores e transmissores da Palavra: O Pai -> Cristo -> Paulo (Os Apóstolos) -> Timóteo (Os Discípulos imediatos dos Apóstolos) -> Os Fiéis -> Os outros Fiéis

Desta forma a Escritura mesma atesta a existência de autênticas proposições de Cristo a ser transmitidas por via meramente oral de geração a geração, sem que os cristãos tenham o direito de as menosprezar ou retocar. A Igreja é a guardiã fiel dessa Palavra de Deus oral e escrita.
Dirão: mas tudo o que é humano se deteriora e estraga. Por isto a Igreja deve ter deteriorado e deturpado a palavra de Deus; quem garante que esta ficou intacta através de vinte séculos na Igreja Católica?
Quem o garante é o próprio Cristo, que prometeu sua assistência infalível a Pedro e as luzes do Espírito Santo a todos os seus Apóstolos ou à sua Igreja; ver Mt 16, 16-18; Lc 22,31s; Jo 21,15-17; Jo 14, 26; 16,13-15.
Não teria sentido o sacrifício de Cristo na Cruz se a mensagem pregada por Jesus fosse entregue ao léu ou às opiniões subjetivas dos homens, sem garantia de fidelidade através dos séculos. Jesus não pode ter deixado de instituir o magistério da sua Igreja com garantia de inerrância.
2. Contradições
0 fato de que não seguem somente a Bíblia, explica as contradições do Protestantismo:
Algumas denominações batizam crianças; outras não as batizam;
Algumas observam o domingo; outras, o sábado;
Algumas têm bispos; outras não os têm;
Algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação (congregacionalistas);
Algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo – o que para elas é essencial. Outras não se preocupam com isto.
Vê-se assim que a Mensagem Bíblica é relida e reinterpretada diversamente pelos diversos fundadores dos ramos protestantes, que desta maneira dão origem a tradições diferentes e decisivas.

Ademais, todos os protestantes dizem que a Bíblia contém 39 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento, baseando-se não na Bíblia mesma (que não define o seu catálogo), mas unicamente na Tradição oral dos judeus de Jâmnia reunidos em Sínodo no ano 100 d.C.;
Todos os protestantes afirmam que tais livros são inspirados por Deus, baseando-se não na Bíblia (que não o diz), mas unicamente na Tradição oral.
Onde está, pois, a coerência dos protestantes?

Pelo seu modo de proceder, afirmam o que negam com os lábios; reconhecem que a Bíblia não basta como fonte de fé. É a Tradição oral que entrega e credencia a Bíblia.
3. Afinal a Bíblia… Sim ou Não?
Há passagens da Bíblia que os fundadores do Protestantismo no século XVI não aceitaram como tais; por isto são desviadas do seu destino original muito evidente:
a. A Eucaristia… Jesus disse claramente: “Isto é o meu corpo” (Mt 26,26) e “Isto é o meu sangue” (Mt 26,28).

Em Jo 6,51 Jesus também afirma: “O pão que eu darei, é a minha carne para o mundo”. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha came é verdadeiramente uma comida e o meu sangue verdadeíramente uma bebida”.
Apesar disto, os protestantes não aceitam o sacramento do perdão e da reconciliação! (Jo 21,17).
Se assim é, por que é que “os seguidores da Bíblia” não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrados?
b. Jesus disse ao Apóstolo Pedro: “Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta Pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18).
Disse mais a Pedro: “Simão, Simão… eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, voltando-te, confirma teus irmãos” (Lc 22,31s).
Ainda a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15).
Apesar de tão explícitas palavras de Jesus, os protestantes não reconhecem o primado de Pedro! Por que será?

c. Jesus entregou aos Apóstolos a faculdade de perdoar ou não perdoar os pecados – o que supõe a confissão dos mesmos para que o ministro possa discernir e agir em nome de Jesus:
“Recebei o Espiríto Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem não os perdoardes, não serão perdoados” (Jo 20,22s).
d. Jesus disse que edificaria a sua Igreja (“a minha Igreja”, Mt 16,18) sobre Pedro. As denominações protestantes são constituídas sobre Lutero, Calvino, Knox, Wesley… Antes desses fundadores, que são dos séculos XVI e seguintes, não existia o Luteranismo, o Calvinismo (presbiterianismo), o Metodismo, o Mormonismo, o Adventismo… Entre Cristo e estas denominações há um hiato… Somente a Igreja Católica remonta até Cristo.
e. 0 Apóstolo São Paulo, referindo-se ao seu elevado entendimento da mensagem cristã, recomenda a vida una ou indivisa para homens e mulheres: “Dou um conselho como homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança… 0 tempo se fez curto. Resta, pois, que aqueles que têm esposa, sejam como se não a tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se regozijam, como se não se regozijassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; aqueles que usam deste mundo, como se não usassem plenamente. Pois passa a figura deste mundo. Eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido. Da mesma forma a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo; procura como agradar ao marido” (1Cor 7,25-34).
Ora os protestantes nunca citam tal texto quando se referem ao celibato e à virgindade consagrada a Deus. É estranho, dado que eles querem em tudo seguir a Bíblia.
4. Esfacelamento
Jesus prometeu à sua Igreja que estaria com ela até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20); prometeu também aos Apóstolos o dom do Espírito Santo para que aprofundassem a mensagem do Evangelho (cf. Jo 14,26; 16,13s).
Não obstante, os protestantes se afastam da Igreja assim assistida por Cristo e pelo Espírito Santo para fundar novas “igrejas”. São instituições meramente humanas, que se vão dividindo, subdividindo e esfacelando cada vez mais; empobrecem e pulverizam sempre mais a mensagem do Evangelho, reduzindo-a: Ora a sistema de curas (curandeirismo), milagre serviço ao homem (Casa da Bênção, Igreja Socorrista, Ciência Cristã…);
Ora a um retorno ao Antigo Testamento, com empalidecimento do Novo; assim os ramos adventistas…; Ora a um prelúdio de nova “revelação”, que já não é cristã. Tal é o caso dos Mórmons; tal é o caso das Testemunhas de Jeová, que negam a Divindade de Cristo, a SS. Trindade e toda a concepção cristã de história.
5. Deterioração da Bíblia
0 fato de só quererem seguir a Bíblia (que na realidade é inseparável de Tradição oral, que a berçou e a acompanha), tem como consequência o subjetivismo dos intérpretes protestantes. Alguns entram pelos caminhos do racionalismo e vêm a ser os mais ousados dilapidadores ou roedores das Escrituras (tal é o caso de Bultmann, Marxsen, Harnack, Reimarus, Baur…). Outros preferem adotar cegamente o sentido literal, sem o discernimento dos expressionismos próprios dos antigos semitas, o que distorce, de outro modo, a genuína mensagem bíblica.
Isto acontece, porque faltam ao Protestantismo os critérios da Tradição (“o que sempre, em toda a parte e por todos os fiéis foi professado”), critérios estes que o magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo, propõe aos fiéis e estudiosos, a fim de que não se desviem do reto entendimento do texto sagrado.
6. Mal-Entendidos
Quem lê um folheto protestante dirigido contra as práticas da Igreja Católica (veneração, não adoração das imagens, da Virgem Santíssima, celibato…), lamenta o baixo nível das argumentações: são imprecisas, vagas, ou mesmo tendenciosas; afirmam gratuitamente sem provar as suas acusações; não raro baseiam-se em premissas falsas, datas fictícias, anacronismos.
As dificuldades assim levantadas pelos protestantes dissipam-se desde que se estudem com mais precisão a Bíblia e as antigas tradições do Cristianismo.
Vê-se então que as expressões da fé e do culto da Igreja Católica não são senão o desabrochamento homogêneo das virtualidades do Evangelho; sob a ação do Espírito Santo, o grão de mostarda trazido por Cristo à terra tornou-se grande árvore, sem perder a sua identidade (cf. Mt 13,31 s); vida é desdobramento de potencialidades homogêneo. Seria falso querer fazer disso um argumento contra a autenticidade do Catolicismo. Está claro que houve e pode haver aberrações; estas, porém, não são padrão para se julgar a índole própria do Catolicismo.
A dificuldade básica no diálogo entre católicos e protestantes está nos critérios da fé. Donde deve o cristão haurir as proposições da fé: da Bíblia só ou da Bíblia e da Tradição oral?
Se alguém aceita a Bíblia dentro da Tradição oral, que lhe é anterior, a berçou e a acompanha, não tem problema para aceitar tudo que a Palavra de Deus ensina na Igreja Católica, à qual Cristo prometeu sua assistência infalível.
Mas, se o cristão não aceita a Palavra de Deus na sua totalidade oral e escrita, ficando apenas com a escrita (Bíblia), já não tem critérios objetivos para interpretar a Bíblia; cada qual dá à Escritura o sentido que ele julga dever dar, e assim se vai diluindo e pervertendo cada vez mais a Mensagem Revelada. A letra como tal é morta; é a Palavra viva que dá o sentido adequado a um texto escrito.

7. Menosprezo da Igreja
Jesus fundou sua Igreja e a entregou a Pedro e seus sucessores. Sim, Ele disse ao Apóstolo: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18s).
Notemos: Jesus se refere à sua Igreja (Ele só tem uma Igreja) e Ele a entregou a Pedro… A Pedro e a seus sucessores, pois Pedro é o fundamento visível (“sobre essa pedra edificarei…”); ora, se o edifício deve ser para sempre inabalável, o fundamento há de ser para sempre duradouro; esse fundamento sólido não desapareceu com a morte de Pedro, mas se prolonga nos sucessores de Pedro, os Papas.
Ora, Lutero e seus discípulos desprezaram a Igreja fundada por Jesus, e fundaram (como até hoje ainda fundam) suas “igrejas”. Em consequência, cada “igreja” protestante é uma sociedade meramente humana, que já não tem a garantia da assistência infalívei de Jesus e do Espírito Santo, porque se separou do tronco original.
A experiência mostra como essas “igrejas” se contradizem e ramificam em virtude de discórdias e interpretações bíblicas pessoais dos seus fundadores; predomina aí o “eu acho” dos homens ou de cada “profeta” de denominação protestante.
Mas… as falhas humanas da Igreja não são empecilho para crer?
Em resposta devemos dizer que o mistério básico do Cristianismo é o da Encarnação; Deus assumiu a natureza humana, deixou-se desfigurar por açoites, escarros e crucificação, mas desta maneira quis salvar os homens. Este mistério se prolonga na Igreja, que São Paulo chama “o Corpo de Cristo” (Cl 1,24; 1Cor 12,27). A Igreja é humana; por isto traz as marcas da fragilidade humana de seus filhos, mas é também divina; é o Cristo prolongado; por isto os erros dos homens da Igreja não conseguem destrui-la; são, antes, o sinal de que é Deus quem vive na Igreja e a sustenta.
Numa palavra, o cristão há de dizer com São Paulo: “A Igreja é minha mãe” (cf. Gl 4,26). Ao que São Cipriano de Cartago (+258) fazia eco, dizendo: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe” (“Sobre a Unidade de Igreja”, cap. 4).

Conclusão
A grande razão pela qual o Protestantismo se torna inaceitável ao cristão que reflete, é o subjetivismo que o impregna visceralmente. A falta de referenciais objetivos e seguros, garantidos pelo próprio Espírito Santo (cf. Jo 14,26; 16,13s), é o principal ponto fraco ou o calcanhar de Aquiles do Protestantismo. Disto se segue a divisão do mesmo em centenas de denominações diversas, cada qual com suas doutrinas e práticas, às vezes contraditórias ou mesmo hostis entre si.
0 Protestantismo assim se afasta cada vez mais da Bíblia e das raízes do Cristianismo (paradoxo!), levado pelo fervor subjetivo dos seus “profetas”, que apresentam um curandeirismo barato (por vezes, caro!) ou um profetismo fantasioso ou ainda um retorno ao Antigo Testamento com menosprezo do Novo.
Esta diluição do Protestantismo e a perda dos valores típicos do Cristianismo estão na lógica do principal fundador, Martinho Lutero, que apregoava o livre exame de Bíblia ou a leitura da Bíblia sob as luzes exclusivas da inspiração subjetiva de cada crente; cada qual tira das Escrituras “o que bem lhe parece ou lhe apraz”!

04 abril 2014

Famoso pastor pentecostal e sua esposa se tornam católicos


O pastor protestante sueco Ulf Ekman e sua esposa Birgitta anunciaram que, na próxima Páscoa, eles se converterão à Igreja Católica. O anúncio, que causou grande surpresa e comoção em muitos, foi feito há alguns dias, durante um sermão na congregação pentecostal que fundaram há 30 anos.
 
A fama de Ekman também se espalhou devido aos seus livros, traduzidos a 60 idiomas, a um programa de televisão, uma escola bíblica fundada por ele, sua comunidade “Palavra de Vida” (com mais de 3 mil membros, 12pastores e uma escola com mil alunos).
 
O “processo” de Ekman leva cerca de 10 anos, durante os quais ele pesquisou com atenção o Catecismo da Igreja Católica e sua doutrina social, e teve contato com líderes da Renovação Carismática Católica, que o marcaram pelo seu testemunho. “Percebemos que nossos preconceitos protestantes não tinham base alguma, em muitos casos”, afirmou.
 
Uma das reflexões que mais o atraíram à Igreja Católica foi a da unidade do Corpo de Cristo.
 
“Acreditar na unidade [dos cristãos] tem consequências práticas, disse. Seus argumentos neste campo foram expostos na revista “Varlden Idag”, em uma entrevista: “Não entendo que se diga que não precisamos de um magistério. Se temos 5 versículos da Bíblia e 18 comentários sobre estas escrituras, quem decidirá? Meu intelecto é melhor que o seu, eu li mais, posso convencer melhor que você... ou existe um magistério que orienta sobre como julgar o assunto.
 
Do Papa, ele disse que é a máxima expressão de um magistério, e que ele acredita “na necessidade de uma autoridade definitiva”.
 
Para continuar tratando do tema da unidade, o pastor citou João 11, 52: “Sim, Jesus não ia morrer somente pelo povo, mas também para reunir os filhos dispersos de Deus”.
 
“Jesus morreu por isso – comentou. Acho que está muito forte no coração de Deus o desejo de que nos unamos.” Esta unidade não pode ser meramente relacional, pois “a Igreja é o Corpo de Cristo, uma entidade estruturada. É concreta, não uma nuvem de gás. O Corpo é visível. O modelo é Jesus, que teve um corpo visível durante 30 anos.”
 
Um antecedente de cunho místico
 
Ekman era um jovem estudante na década de 70 quando, sentado em um restaurante, sentiu as lágrimas escorrerem e não conseguiu evitar o choro. “Tive uma experiência instantânea de como Jesus sofre porque sua Igrejaestá dividida. Foi como um relâmpago. Senti: ‘Isso não é do agrado de Deus’. Jesus chorava por isso. Eu o senti naquele restaurante, na hora do almoço. Depois isso desapareceu da minha memória. Mas voltou a surgir nos últimos 10 anos”, recordou.
 
Mas o tema da unidade não é o único. Ao anunciar sua entrada á IgrejaCatólica, ele recordou algumas das suas razões.
 
“Vimos [na Igreja Católica] um grande amor por Jesus e uma teologia sã, fundada na Bíblia e no dogma clássico. Vivenciamos a riqueza da vidasacramental. Vimos a lógica de ter uma estrutura sólida no sacerdócio, que mantém a fé da Igreja e que a transmite à geração seguinte. Encontramos uma força ética e moral e uma coerência que pode enfrentar a opinião geral, e uma tendência bondosa com relação aos pobres e fracos. Finalmente, mas não menos importante, tivemos contato com representantes de milhões de católicos carismáticos e vimos sua fé viva.”
 
Em seu processo, Ekman destaca também o papel de dois religiosos: Dom Anders Arborius, único bispo católico da Suécia, e o padre carmelita Wilfrid Stinissen, reconhecido escritor.
 
A partir de agora, ele será um “simples católico”. Isso entre aspas, pois certamente a Igreja o convidará a usar seus dons para a missão. “Nós nos sentimos um pouco como Abraão e Sara: dois idosos entrando em um país desconhecido”, acrescentou.
 
Mas eles têm a certeza do auxílio de Deus.
 
(Artigo originalmente publicado por AICA)

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IMAGEM VERSUS ÍDOLO: A IGREJA CATÓLICA É IDÓLATRA POR TER IMAGENS?

 Por Cássio José* Essa pergunta é tão antiga quanto a arca de Noé! Quero esclarecer suas dúvidas a respeito de tais ataques com a própria Pa...

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