CRISTO – PALAVRA ÚNICA DA SAGRADA ESCRITURA
Na condescendência de sua
bondade, Deus, para
revelar-se aos homens fala-lhes em palavras humanas. (CIC 101, cit. DV13)
Nos Livros Sagrados
o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro
de seus filhos e com eles fala. (CIC
104, cit. DV 21)
Através de todas as palavras da Sagrada
Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu Verbo Único, no qual se expressa
por inteiro. (CIC 102)
A Igreja sempre venerou as divinas
Escrituras, como venera também o Corpo do Senhor; sobretudo na sagrada
liturgia, ela não cessa de apresentar e distribuir aos fiéis o Pão da Vida,
tanto da Mesa da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo. (CIC 103, cit. DV 21)
INSPIRAÇÃO E VERDADE
DA SAGRADA ESCRITURA
Deus é o autor da Sagrada Escritura. (CIC 105)
As coisas divinamente reveladas, que se encerram por
escrito e se manifestam na Sagrada Escritura, foram consignadas sob inspiração
do Espírito Santo. Escritos sob a Inspiração do Espírito Santo, eles tem Deus
como autor. (CIC 105, DV 11)
Deus inspirou os
autores humanos dos livros sagrados. (CIC 106)
Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens,
dos quais se serviu
fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo
ele próprio neles e através deles, escrevessem, como verdadeiros autores,
tudo e só aquilo
que ele próprio quisesse. (CIC 106, cit. DV 11)
Os livros inspirados
ensinam a verdade. (CIC 107)
Já que tudo o que os autores inspirados afirmam, deve ser tido como afirmado pelo Espírito
Santo, deve-se professar que os livros de Escritura ensinam com certeza,
fielmente e sem erro a verdade
que Deus em vista da nossa salvação quis
fosse consignada nas Sagradas Escrituras. (CIC 107, cit. DV 11)
Para descobrir a intenção dos autores sagrados, há que
levar em conta as condições da época e da cultura
deles, os gêneros literários em uso na
época, os modos de sentir, falar e narrar correntes na época. Pois a verdade é
apresentada e expressa de maneiras diferentes nos textos que são de vários modos históricos ou
proféticos ou poéticos, ou nos demais gêneros de expressão. (CIC 110, cit. DV 12)
O ESPÍRITO SANTO, INTÉRPRETE DA ESCRITURA
Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos
homens. Para bem interpretar a Escritura é preciso, portanto, estar atento
àquilo que os autores humanos quiseram realmente afirmar e àquilo que Deus quis
manifestar-nos pelas palavras deles. (CIC 110, DV 12)
A Sagrada Escritura deve também ser lida e interpretada
naquele mesmo Espírito em que foi escrita. (CIC 111, cit. DV 12)
“O que vem do
Espírito só é plenamente entendido pela ação do Espírito.”
Orígenes, Homilia in Ex. 4,5
·
Prestar muita atenção
ao conteúdo e à unidade
da Escritura inteira;
(CIC 112, cit. DV 12)
·
Ler a Escritura dentro da Tradição
viva da Igreja inteira; (CIC 112, cit. DV 12)
·
Estar atento à analogia da fé, a coesão das verdades
entre si e no projeto total da
Revelação (CIC 112, cit. DV 12)
Distingue-se dois sentidos
da Sagrada Escritura: o literal e o espiritual. (CIC 116)
·
O sentido literal é
o sentido significado pelas palavras e descoberto pela exegese, seguindo as regras da
correta interpretação. (CIC 116)
·
O
sentido espiritual: é o sentido em que as realidades e acontecimentos
de que fala o texto sagrado podem ser sinais.
O sentido espiritual é subdividido em:
§ O sentido alegórico: é a compreensão
profunda das realidades e acontecimentos reconhecendo a significação em Cristo.
§ O sentido moral: é o justo agir apontado
pelas realidades e acontecimentos relatados na
Escritura.
§ O sentido anagógico: é a significação
eterna das realidades e acontecimentos. (CIC
117)
“A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que
deves crer;
a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde
deves caminhar.”
Dístico medieval
É dever dos exegetas esforçar-se, dentro destas
diretrizes, por entender e expor com maior
aprofundamento o sentido da Sagrada Escritura, a fim de que, por seu trabalho como que preparatório, amadureça
o julgamento da Igreja. Pois todas estas coisas que concernem à maneira de
interpretar a Escritura estão sujeitas em última instância ao juízo da Igreja,
que exerce o divino mandamento do ministério do guardar e interpretar a Palavra
de Deus. (CIC 119, cit. DV 12)
“Eu não creria no Evangelho, se a isto não me
levasse a autoridade da Igreja Católica”.
Santo Agostinho
Contra epistulum Manichæi quam vocant
fundamenti, 5,6: PL 42,176
O CÂNON DAS ESCRITURAS
A Tradição apostólica fez a Igreja discernir que escritos
deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados.
Esta lista completa
é denominada Cânon das Escrituras, comportando 46 livros para o Antigo
Testamento e 27 para o Novo. (CIC 120, cit. DV 8)
A historicidade do Cânon das Escrituras é evidenciada já nos primeiros séculos por documentos como o
Cânon de Muratori e o Cânon de Marcião.
O ANTIGO TESTAMENTO
É parte inalienável da Sagrada Escritura. A economia do
Antigo Testamento estava ordenada
principalmente para preparar
a vinda de Cristo.
Embora contenham ciosas imperfeitas e transitórias, os livros do Antigo
Testamento dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus. Nos seus ensinamentos está latente o mistério da nossa salvação. (CIC 122, DV 15).



