31 maio 2010

Portugal: ” É na religião que os homossexuais se sentem mais discriminados”, afirma pesquisa.


É 
 na religião que os homossexuais se sentem mais discriminados


O insulto é o principal ato de discriminação sentido pelos homossexuais em Portugal. É na religião que se sentem mais discriminados, mas dizem que a reprovação é generalizada. E, por isso, tendem a esconder a orientação sexual, mesmo que, para isso, tenham de se casar ou dizer que são casados.
José Leote, coordenador do Rumos Novos, grupo homossexual “católico”, faz uma distinção entre o que é percepção e realidade, sublinhando, no entanto, que o sentimento de rejeição não se aplica, apenas, ao catolicismo. 



“A maioria das religiões condena as práticas homossexuais e não aceita quem tenha essa orientação. A Igreja Católica faz um acolhimento, mas é um acolhimento não praticante. Se a pessoa tiver uma relação homossexual e viver em união de fato, são-lhe vedados todos os sacramentos”, diz.
Além da religião, os homossexuais sentem-se mais discriminados pelas forças de segurança e pelos partidos políticos, no trabalho e no acesso ao emprego. Os amigos, os bancos, a saúde e a comunicação social são os sectores que menos discriminam.
São conclusões do estudo sobre a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) realizado pela Universidade do Minho.
“Portugal ainda é um país visto como homofóbico por parte das pessoas entrevistadas, que ainda se sentem ameaçadas e discriminadas em função da sua orientação sexual e identidade de género”, dizem Conceição Nogueira e João Oliveira, psicólogos coordenadores do trabalho, financiado pelo Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.
A amostra do estudo é constituída por 519 homens e 439 mulheres, além de 11 cuja identidade de género não corresponde à apresentação física (transexuais), mas esta é uma minoria ainda mais silenciosa do que a dos homossexuais. Os psicólogos dizem que isso se deve “a uma grande estigmatização por oposição às pessoas ‘homo’ ou bissexuais”. Em termos de orientação sexual, 45,6% são gays, 26,7% lésbicas e 25,8% bissexuais. A idade média é de 28 anos, 47,8% têm bacharelato ou licenciatura e 57,8% dizem ser de esquerda.
A população LGBT entrevistada diz ter sido insultada em função da sua orientação sexual três ou mais vezes, sendo esta a “forma mais recorrente de estigmatização efetiva a que estão sujeitas”. E sentem- -se menos protegidas do que a população em geral no caso de violência doméstica, por não terem redes de apoio específicas.
Nem todas as respostas são coincidentes com a percepção de Miguel Vale de Almeida. Entende que a principal fonte de discriminação vem da própria família, mas, “como isso mistura sentimentos e afetos, as pessoas tendem a desculpabilizar”, justifica. O antropólogo e deputado do PS, também envolvido no estudo, acrescenta: “Há situações mais traumáticas, como o insulto e a interpelação policial, e que, por isso mesmo, acabam por estar mais presentes na memória das pessoas.” Mas a discriminação familiar é, também, abordada no estudo, embora as mulheres tendam a aceitar melhor a diferença. “O papel do pai está ao nível dos estranhos e próximo da família alargada e chefes de trabalho” no que toca à pouca abertura para aceitar outra orientação sexual.
O principal direito que os homossexuais reivindicam é o das visitas hospitalares do companheiro, sublinhando que todos são importantes: proteção em caso de violência, benefícios legais e prestações sociais, reconhecimento como encarregado dos filhos do parceiro, casamento e adopção de crianças (mais noticiário na pág. 9).

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/

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