09 novembro 2010

Cinco Bispos anglicanos renunciam para entrar na Igreja Católica.



Cinco bispos anglicanos da igreja da Inglaterra anunciaram  sua renúncia ao ministério nessa igreja e sua decisão de unir-se a um ordinariato pessoal para anglicanos, em plena comunhão com a Igreja Católica.
A constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, publicada há um ano, abriu o caminho para que comunidades anglicanas possam entrar na Igreja Católica através do estabelecimento de ordinariatos pessoais, com características semelhantes às de uma diocese não territorial, uma nova estrutura canônica.
Dessa forma, poderão reconhecer o primado do Papa, mantendo elementos próprios de sua tradição litúrgica e espiritual.




Entre os bispos anglicanos do Reino Unido que anunciaram sua renúncia, encontram-se: Andrew Burnham, bispo de Ebbsfleet, Keith Newton, bispo de Richborough, e John Broadhurst, bispo de Fulham. Estes três prelados eram familiarmente conhecidos como “bispos voadores”, pois atendiam espiritualmente os fiéis de diferentes dioceses anglicanas que não aceitaram a ordenação de mulheres como sacerdotisas.
Também se anunciou a renúncia de outros dois bispos: Edwin Barnes, antigo pastor anglicano de Richborough, e o bispo auxiliar afastado, David Silk, de Exeter.
O comunicado assinado pelos 5 bispos explica que todos eles acompanharam durante anos o processo de diálogo entre anglicanos e a Igreja Católica, iniciado após o Concílio Vaticano II, “com oração e profundo anseio”.
“Ficamos consternados, nos últimos 30 anos, ao ver que anglicanos e católicos se separavam cada vez mais em algumas questões de vida diária, em particular ao ver diversas decisões em assuntos de fé e disciplina no anglicanismo, que, segundo o que acreditamos, são incompatíveis com a vocação histórica do anglicanismo e a tradição de dois mil anos da Igreja.”
Explicam que, para eles, a Anglicanorum Coetibus foi uma resposta aos anglicanos que buscam a unidade com Roma: “Com os ordinariatos, estabelecem-se estruturas canônicas por meio das quais poderemos levar nossa experiência de discipulado cristão à comunhão plena com a Igreja Católica que abrange o mundo inteiro e todas as épocas”.
“Trata-se tanto de uma resposta generosa da Santa Sé a quem pediu ajuda, como também de um novo e valente instrumento ecumênico para a busca da unidade dos cristãos, unidade pela qual o próprio Cristo orou antes de sua paixão e morte. Trata-se de uma unidade que, acreditamos, é possível somente na comunhão eucarística com o sucessor de Pedro.”
Os cinco afirmam que, “como bispos, cuidamos de todos, dos que compartilham nossa posição e daqueles que assumiram uma postura diferente. Agora chegamos ao momento no qual devemos declarar formalmente nossa posição e convidar outros a unir-se ao nosso caminho. Portanto, cessará imediatamente nosso ministério episcopal público, renunciando às nossas responsabilidades pastorais na igreja da Inglaterra. Isso terá efeito a partir de 31 de dezembro de 2010. Buscamos unir-nos a um ordinariato quando este for criado”.
Os prelados agradecem à igreja anglicana da Inglaterra por tudo o que “significou para n’so e tudo o que nos deu durante estes anos; e esperamos manter uma relação próxima e cálida, orando e trabalhando juntos pela vinda do Reino de Deus”.
Resposta anglicana
Em resposta ao anúncio, o primaz da Comunhão Anglicana, o arcebispo Rowan Williams, da Cantuária, publicou um comunicado hoje no qual aceitava com “pesar” as renúncias dos bispos, “que decidiram que seu futuro no ministério cristão passa pelas novas estruturas propostas pelo Vaticano”.
“Desejamos-lhes o melhor no novo passo do seu serviço à Igreja”, acrescentou, agradecendo-lhes pelo “seu fiel trabalho pastoral na igreja da Inglaterra durante muitos anos”.
A associação internacional de anglicanos que se opõem à ordenação de mulheres como sacerdotisas ou bispas, Forward in Faith, assegurou aos bispos que apresentaram sua renúncia “o amor, as orações e o apoio de todos os seus membros, além do seu agradecimento pelo ministério que desempenharam ao seu serviço”.
“Também asseguramos ao arcebispo da Cantuária e ao bispo de Londres nossas orações, enquanto buscamos discernir como serão substituídas as sedes vacantes de Ebbsfleet, Richborough e Fulham”, acrescentam.
Resposta católica
Dom Alan Hopes, bispo auxiliar de Westminster, a sede católica da capital britânica, acolheu positivamente a decisão, em um comunicado emitido em nome da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales. O episcopado católico, revelou, “está vendo como estabelecer o ordinariato” e assegura “as cordiais boas-vindas, que estendemos a todos os que querem fazer parte dele”.
Os prelados católicos da Inglaterra e Gales convocaram uma reunião sobre este tema e, após sua realização, poderão oferecer maiores informações.
Até o momento, não se criou nenhum ordinariato para anglicanos que entram em comunhão plena com a Igreja Católica, ainda que comunidades anglicanas do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá manifestaram sua intenção de unir-se à Igreja Católica.
Por sua vez, o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, confirmou hoje que a Santa Sé está estudando a constituição do ordinariato, segundo as normas estabelecidas pela constituição apostólica Anglicanorum coetibus e que “as eventuais decisões serão comunicadas no momento oportuno”.
Explicação de um protagonista
No mês passado, o bispo anglicano John Broadhurst, de Fulham, já havia anunciado sua intenção de apresentar sua renúncia, em um encontro de Forward in Faith, associação da qual é presidente. Em seu anúncio, mencionou numerosos motivos, entre os quais o mais importante é a ordenação de mulheres. Ele continuará fazendo parte do Forward in Faith International, pois não faz parte da igreja da Inglaterra.
ZENIT falou com o bispo Broadhurst pelo telefone e ele revelou que sua decisão foi tomada após um discernimento na oração, e que pensou em sua união à Igreja Católica durante 45 anos.
Diante da pergunta sobre a possibilidade de manter um ministério ativo na Igreja Católica, o bispo Broadhurst respondeu: “Farei o que o Papa quiser e permitir. Como sacerdote, tenho uma responsabilidade e, se me for permitido, continuarei desempenhando-a”.
O bispo revelou a ZENIT que outros anglicanos estão pensando em dar este passo de unidade com Roma, “mas, de qualquer forma, cada um tem de tomar sua própria decisão. Esta é apenas a minha decisão”.

(Karna Swanson)

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