21 dezembro 2018

Mitos e verdades sobre o suicídio. Precisamos entender para poder ajudar.



Brasil é o 8º país do mundo onde há mais suicídios. São cerca de 12.000 cada ano. E uma das soluções para que este número diminua é precisamente conhecer mais sobre o tema, conversar mais sobre isso, saber identificar quando uma pessoa dá sinais de que pretende se matar – sim, a pessoa dá muitos sinais de que precisa de ajuda.
Apresentamos, a seguir, alguns mitos e verdades sobre o tema do suicídio, extraídos da Cartilha Informativa “Suicídio: conhecer para prevenir”. Vale a pena ler e compartilhar:
1. Quem pensa em cometer suicídio, realmente que se matar?
A maioria das pessoas que pensam em se matar, na verdade, têm sentimentos ambivalentes. Elas desejam por um fim a um sofrimento.
2. É verdade que as pessoas que querem se suicidar não avisam?
Não. Suicidas frequentemente dão ampla indicação de sua intenção.
3. Existem suicídios que não podem ser prevenidos?
Verdade, mas 90% podem ser prevenidos.
4. Uma vez suicida, sempre suicida?
Pensamentos suicidas podem retornar, mas eles não são permanentes e em algumas pessoas eles podem nunca mais retornar.
5. Se eu falar sobre o suicídio com a pessoa que quer se matar, poderia estar induzindo a isso?
Não. Falar sobre o suicídio e as ideias que está tendo, ajuda a pessoa a se sentir acolhida por alguém que se interessa por seu sofrimento. Vale ressaltar que buscar ajuda profissional é importante após esse momento.
6. A pessoa que ameaça suicídio deseja manipular os outros?
A ameaça de suicídio deve ser sempre lavada a sério. Isso indica que a pessoa está sofrendo e necessita de ajuda.
7. O suicídio é um ato de covardia ou de coragem?
Nenhum dos dois. Na verdade, o que dirige a ação de suicidar-se é uma dor psíquica insuportável.
 Se você suspeita que alguém próximo a você pensa em cometer suicídio, tente se aproximar e:
• Pergunte se o pensamento existe e em que nível;
• Se já houve planejamento e como;
• Procure ouvi-lo atentamente;
• Tente compreender os sentimentos dessa pessoa;
• Expressar respeito pelas opiniões e pelos valores dela;
• Converse abertamente;
• Demonstre sua preocupação, seu cuidado e sua afeição para com ela;
• Procure conversar com a família, amigos ou rede de apoio dessa pessoa;
• Caso a pessoa tenha acesso a métodos suicidas, como armas e remédios, remova-os imediatamente.
• Oriente e ajude a buscar ajuda na rede de saúde mental de sua comunidade e/ou outros equipamentos e órgãos: CAPS, Postos de saúde, Clínicas-escolas, CVV, ONGs etc.
Estes 6 sinais podem identificar um possível suicida – e ajudar a salvá-lo:
1. Comportamentos que denotam sofrimento intenso
Pensamentos obsessivos, lamentos de que a vida não tem sentido, desesperança, incapacidade de mudar, falta de energia para tarefas básicas, muito tempo na cama, dificuldades para tomar decisões que antes eram tomadas normalmente, perda de interesse por atividades antes prazerosas. Diante de uma pessoa com estes sinais, converse em tom acolhedor, mostrando-se próximo e solidário, e auxilie na busca de ajuda profissional. Estes sinais coincidem com vários indicativos de depressão, uma doença cada vez mais comum e que exige atenção séria. Não significam necessariamente uma tendência ao suicídio, mas são um sinal de alerta que não deve ser desconsiderado.
2. Mudanças drásticas de humor
É natural ter variações de humor durante o dia: você pode se sentir ótimo e de repente ficar muito raivoso ou triste, como reação a certos acontecimentos. Mas há pessoas cujas alterações de humor são extremas, impulsivas e frequentes. Preste atenção às variações repentinas e exageradas – em casos de emergência, não hesite em ligar para o número 190 e solicitar ajuda.
Essas mudanças devem ser observadas com atenção também nos adolescentes. A adolescência é um período em que as alterações comportamentais são comuns e, precisamente por isso, a sua gravidade corre o risco passar despercebida. Se o adolescente se tranca no quarto sem querer conversa com ninguém e não sabe manifestar seu sofrimento com clareza, tente ouvi-lo sem julgamentos e se mostre compreensivo e amigo. Se a comunicação for complicada demais, procure ajuda especializada.
3. Acontecimentos chocantes ou traumáticos
Fatos muito dolorosos, principalmente quando inesperados, podem causar grande impacto negativo: a morte de uma pessoa querida, a perda de trabalho importante e bem remunerado, uma doença grave, casos de bullying intenso, tudo isso pode ser estopim para o suicídio. Quando esses acontecimentos provocam mudanças bruscas de rotina e comportamento, deixam a pessoa sem saber como reagir e a levam a parar de fazer coisas que antes ela considerava importantes, esteja bem próximo e a leve a um bom psicólogo ou psiquiatra.
4. Avisos verbais
A pessoa desesperada que pensa em acabar com a própria vida costuma dar sinais de que está interiormente gritando por socorro – ela chega a dizer frases como “Não aguento mais”, “Quero morrer”, “A vida não vale a pena”, “Vai ser melhor para todos sem mim”, “Era melhor nem ter nascido” etc. Pode ser apenas drama e exagero? Pode. Mas, na dúvida, fique bem atento a esses sinais e aos outros indícios que acompanham um comportamento depressivo suicida. Essas frases nunca devem ser ignoradas. Há quem ache que “uma pessoa que quer mesmo se matar não fica avisando”. Esta ideia é falsa. Quem quer se matar sempre dá uma série de indícios, verbais ou não. Lembre-se das estatísticas: para cada suicídio consumado, houve cerca de 10 a 20 tentativas prévias. Não ignore.
5. Transtornos psicológicos e de dependência
Os riscos aumentam quando a pessoa sofre doenças psicológicas como depressão grave, transtorno bipolar, personalidade borderline, esquizofrenia, estresse pós-traumático, assim como o trauma decorrente de abusos físicos e sexuais. Mais de 50% dos suicídios são cometidos por pessoas com depressão ou transtornos de humor, inclusive os ligados à dependência de drogas e de álcool. Remédios associados com bebida também formam um quadro bastante perigoso.
Fique atento a comportamentos irresponsáveis recorrentes, como o próprio abuso de álcool e drogas, a direção imprudente, a prática sexual inconsequente. Nem todo mundo que apresenta esses comportamentos tem pensamentos suicidas, mas, de qualquer forma, esses indícios requerem especial atenção, orientação e tratamento: eles indicam um grau bastante considerável de insatisfação interior que não pode ser ignorada.
6. Melhoras repentinas
Isso mesmo: quando uma pessoa muito triste e deprimida se mostra subitamente alegre, existe o risco de que ela esteja planejando o suicídio. A aparente melhora pode ser uma simulação. Observe, adicionalmente, se ela também parece estar resolvendo pendências, se despedindo de amigos e familiares, doando posses. Tais mudanças súbitas em alguém que estava há pouco tempo no fundo do poço devem ser encaradas com muita prudência. Informe ao médico e recorra também a serviços de orientação como os do Centro de Valorização da Vida acesse aqui o site ou ligue para o 141).
Em todos esses cenários:
– Observe e, principalmente, ESCUTE a pessoa.
– Saiba ter paciência e acolher a angústia dela.
– Acompanhe-a nas consultas médicas.
– Mantenha os familiares mais próximos também atentos.
E se quem está pensando em suicídio é você mesmo:
Por favor, se dê uma chance e procure ajuda profissional agora mesmo. Abra-se! O que você está sentindo é uma doença perfeitamente tratável, que pode e vai ser curada. Mas você precisa de ajuda.

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